É. Está tendo Copa. Não teve CBF, black block ou superfaturamento que parasse as crianças que agora invadem a granja Comary atrás de autógrafos dos jogadores da seleção. Estamos na Copa e o universo futebolístico nos leva a refletir sobre uma série de coisas. Uma delas é o fair play. Esse conceito foi disseminado há alguns anos na Copa e tem o objetivo de realizar um “jogo limpo e justo”. Observando as partidas, vi algumas cenas claras de fair play nesse mundial: um italiano ajudando um jogador inglês que estava com cãimbra, pedidos de desculpas depois de faltas, apertos de mãos, etc. E que fique claro: mordidas não são permitidas!

Então eu questiono: por que o fair play é tão difícil de aplicar na vida cotidiana? E mais: por que é uma prática tão em baixa, principalmente entre mulheres? Já falei no Sem Retoques desse tema, mas o considero tão relevante que vale mais um post. Não estamos falando apenas de atos de gentileza. Delicadeza é raridade no mundo atual – para homens e mulheres. O que se vê por aí são inúmeros xingamentos no trânsito, mulheres falando mal umas da outras sem parar, fofocas no trabalho, comentários agressivos na internet, bate-bocas. Tudo isso pode ser resumido em vídeos, absolutamente chocantes, viralizados nos últimos meses, que mostram mulheres se espancando. Foi para isso que lutamos tanto?

A violência acontece de várias formas: tem quem fale na cara,  tem a competição desmedida, fofocas para provocar, desagradar, desestabilizar. E tem uma das formas mais cruéis de unfair play de hoje em dia: o massacre verbal na internet. Pessoas que, dentro de suas casas –  protegidas por uma tela de computador – passam de texto em texto, de foto em foto e, por esporte (nada justo), escrevem atrocidades sobre os(as) outros (as). Se acham no direito de julgar e agredir. Claro que gente ruim e sem caráter existe de qualquer gênero, lugar, idade. Mas o que leva, por exemplo, uma pessoa a entrar no Instagram de outra e dizer o que ela pode ou não fazer da vida dela? Façam essa expêriencia: observem o nível dos comentários do Instagram das chamadas musas fitness: é uma guerra. Aquelas que são contrárias a dietas rigorosas as chamam de anórexicas. As defensoras, por outro lado, rebatem, classificando as críticas de recalque. A discussão é deprimente, mas o tom violento é que chama atenção. E mais: ninguém defende a liberdade – que cada mulher faça o que bem entender com seu corpo. Outro exemplo comum? Mulheres se xingando na internet por causa da escolha do parto de cada uma. Ora, isso é pessoal e ponto. Não tem jogo justo ou limpo que compensem tamanha agressividade. Xingamentos e humilhações não são exercício de pensamento crítico e nem direito a manifestação. São formas de agressões mesmo.

Parece que não existe mais aquele sagrado momento em que uma pessoa para e pensa: “Será que se eu falar isso estarei fazendo mal a alguém?”. Definitivamente, o fair play está fora de moda e não é preciso ir muito longe para se deparar com isso. Basta olhar para o carro do lado e observar se o motorista dá passagem para alguém ou se abre o vidro e xinga seus vizinhos de trânsito. Não somos senhoras da verdade. Não somos perfeitas, mas podemos ajudar o jogo a ser mais limpo e justo. Está na hora da bandeira branca.

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