Lembram da máxima “se não pode vencê-los, junte-se a eles”? A Copa do Mundo nada é mais do que um grandessíssimo juntem-se todos. Homens, mulheres, crianças. Ora, o futebol pode ser um palco de grandes desavenças, convenhamos. Homens separados por camisetas, com devoção quase religiosa, fazendo bullying uns nos outros como meninos de escola. Fundamentalismos. Violência. Papo chato. Mas, eis que o clima na última semana mudou. O jogo de domingo, que era um drama – porque os passeios e almoços ficam comprometidos em nome desse grande evento – durante a Copa é motivo para agregar. Sem exclusões, people. Até o vizinho que é palmeirense e que olha torto para o seu namorado – que é corintiano – de repente, desde quinta-feira passada, passou a ser uma simpatia. Com a camiseta do Brasil, ele vai comprar pão na maior felicidade e cumprimenta todos, independentemente da religião, ou melhor, do time. Cunhados inimigos passam a conversar cordialmente e a zombar, juntos, da derrota da Espanha – quer coisa melhor do que um terceiro inimigo em comum para unir duas inimizades? Até o enteado que estava receoso com o novo namorado da mãe abre uma exceção: é Copa e a língua é uma só.

(WILTON JUNIOR/ESTADÃO)

Sempre fiquei muito impressionada com a facilidade que os homens têm para começar a conversar sobre futebol. Quer quebrar o gelo com o namorado da irmã? Fala de futebol. Nao sabe como se enturmar no trabalho? Procura alguém, rapidamente, que torça para o mesmo time. Quer comecar um conflito? Faz uma provocação com o adversário que já é suficiente para sair faísca. Tão diferente das mulheres. Se nós temos um leque muito maior de assuntos para essas situações, eles têm facilidade de criar ligações por algo tão, tão… Ah deixa para lá. Eles podem gostar ou desgostar de alguém simplesmente por causa do time para o qual essa pessoa torce. Mas na Copa é diferente. Está todo mundo na mesma panela, amigo. Até nós, mulheres. Se, antes, estávamos em outro cômodo, agora estamos todos juntos na sala. Se o futebol, normalmente, é um programa masculino, o jogo da Inglaterra contra a Itália é um evento familiar. Os amigos estão todos convidados, independentemente de convicções políticas ou futebolísticas. A reza é única e a regra é clara: só não pode torcer para a Argentina. O resto é permitido. Até comentar timidamente a beleza dos jogadores da Itália. Eles olham feio, mas é Copa, então pode.

Estamos no mesmo cômodo e palpitamos. Falamos sem parar durante o jogo. Julgamos com toda a propriedade de quem entende do assunto – se foi ou não impedimento. Olhamos para detalhes do jogo, por vezes, esquecidos pelos homens: o carisma dos jogadores, a fofura do Felipão, a agressividade de uns, a cordialidade de outros e a fidelidade (alguém viu o brasileiro que joga na Croácia de olhos fechadinhos na hora do hino?). Torcemos com paixão por nós e pelas crianças. Nao apenas pelo bom humor deles.  Afinal de contas, o jogo de domingo agora é nosso também. Já tem Copa.

 

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