Essa semana, com as novas bonecas lançadas sob a manchete “Barbie se adapta a novo padrões”, lá estava ela – Petite –  a Barbie baixinha. Como não comemorar, meninas petites? Anos e anos sendo “baixinha” e nenhuma boneca para nos representar nesse mercado?  “Ah, nada de anormal, mas ela vai ser assim, mignon mesmo”. Lembro direitinho das palavras do médico, depois de eu fazer exames, quando tinha 13 anos, para saber se seria “baixinha” para sempre.

Minha esperança era o tal do estirão. Afinal, as meninas da minha classe já eram bem maiores do que eu. Mas não teve jeito. Nunca consegui me livrar dos meus 1,54. Tampouco queria ser a Ana Hickmann. Mas, assim, uns 10 centímetros a mais… não faria mal nenhum.

Que fique claro: não é assim ruim. Temos até música do rei Roberto Carlos, dá para passar em lugares estreitos, se acomodar em cantinhos e não sofremos com roupas curtas. Mas que dá uma invejinha (branca) das mulheres altas, esguias, cheias de pose ­– isso dá. E também dá vontade de sair da sala quando alguém manda as clássicas  “toda baixinha é invocada” e “é nos menores frascos que estão os melhores perfumes E PIORES VENENOS”.

Nenhuma baixinha aguenta mais essas. Também existem problemas práticos a serem resolvidos, de olho no nosso mercado consumidor. Banco do carro, que nunca nessa vida levanta a ponto de nos permitir enxergar os buracos das ruas. Ou então fazer a barra da calça —  seria lindo, um dia, vestir uma calça e sair saltitante por aí, sem ter que deixar para fazer a barra, ir buscar, pagar… Ou os quilinhos a mais. Se uma mulher alta engorda 1 ou 2 quilinhos, passa despercebido. Agora, uma baixinha…

Outro dia, li um texto do Gregório Duvivier em que ele falava exatamente sobre como teve que abandonar o sonho de ser um guarda da Scotland Yard ao saber que nunca passaria dos 1,70. Nós, as mulheres baixinhas, às vezes também abrimos mão de algumas baboseiras: usar aquele macacão incrível que fica bonito na Gisele Bündchen, vestidos longuetes, babados… enfim. Existe toda uma cartilha do que nós, as baixinhas, tentamos seguir a fim de tentar “alongar” o que não é alongável.

“ Ah… mas mulher baixinha tem seu charme”, me dirão, alguns. Gostamos de acreditar que sim. Não é ruim ser a “baixinha” da patota e nem a ternura que provocamos, vez ou outra, simplesmente por ser um pouco mais compactas.