É um clássico. Segunda-feira de manhã e você começou um regime. Enche a boca para negar um croquetinho no bar, o chopp, olha para suas amigas com cara de vitória e diz: “estou de dieta”. Vai muito bem nos três primeiros dias. No quarto dia, come um chocolate porque está de TPM, no quinto toma um vinho com as amigas, no fim de semana abre a exceção e manda logo um hamburgão e, de repente, a dieta foi para o saco.

Ginástica: idem. Você começa feliz. Sente-se a “mais mais”, olha para cara dos professores com cara de desafio e pensa “você acha que não, chuchu, mas eu consigo, sim acordar às seis, malhar e ir trabalhar”. Isso dura uma semana. São sete dias de piruetas com a endorfina e aquele auto-orgulho maravilhoso. Só que a disciplina não vence. Na semana seguinte você foi dormir tarde trabalhando e não conseguiu acordar cedo, no outro dia pegou um trânsito horrível e, quando chegou na academia e todas as esteiras estavam ocupadas. Apenas mais um motivo para desistir.  

Tarefas com antecedência e burocracias: a mesma coisa. Você começa um novo bimestre. Limpa todo seu armário, joga fora papéis velhos, organiza conta por conta. Planeja seus próximos dois meses: os gastos, a viagem de fim de semana, o check-up no médico. Promete gravar todos os seus compromissos, religiosamente, na agenda. Só que não vai. Os papéis começam a se acumular de novo, as multas do Detran, os prazos, o aniversário da prima que você simplesmente esqueceu de ligar.  

Tudo isso enumerado acima dá um desaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaanimo. E sem querer querendo –  bem ali do seu lado – estão ELES. Os reis da disciplina. Os que não têm carne fraca, que resistem a mesa de docinhos de casamento, que só bebem aos fins de semana, que têm um  invejável compromisso consigo mesmo. Eles, que nem precisam de grandes motivações…  pois a força do pensamento já basta. Seguem as planilhas da nutricionista, têm o dom da paciência, controlam a ansiedade e o pior: fazem tudo isso com uma calma sem precedentes. Tudo organizado, tudo certo com os horários. Tudo sem estress de quem, infelizmente, é atrapalhado.    

Nós, os indisciplinados, muitas vezes, gastamos todo nosso comprometimento com o outro: somos ótimos parceiros, bons amigos etc, filhos responsáveis. No entanto, quando é você com você mesmo é que o bicho pega. Você não dá um cano em um amigo, mas a sua rotina de obrigações é a coisa mais fácil de ser furada.

Como superar? Não tem receita, sabemos. O jeito é aceitar algumas limitações e manter viva a alegria de começar as coisas, mesmo que – muitas vezes- elas não cheguem a ser concluídas. A felicidade está, também, nos começos e nos meios. Nem sempre a alegria mora, apenas, na missão cumprida.

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