É fato. Começou o fim… do ano. E algo muito interessante – para não dizer estranho – acontece. É só virar a página do calendário para dia 1º de dezembro que passa a existir mais gente no mundo. Ou, pelo menos, no meu mundo. O trânsito, por exemplo, triplica. O número de pessoas, em qualquer lugar que você vá, também. Padaria? Lotada. Supermercado? Difícil de se movimentar entre os panetones, enfeites cafonas e filas imensas no caixa. Estacionamentos? Sem vaga nenhuma. O milagre da multiplicação fica soltinho e feliz com o mês de dezembro.

Sempre penso a mesma coisa: onde estão essas pessoas “a mais” que aparecem no fim do ano? Elas passam os outros onze meses dentro de casa e, no ímpeto do Natal, resolvem sair, ir aos parques, tomar sorvete, lotar as farmácias, encher as lotéricas? Não sei. Entretanto, de uma coisa eu tenho certeza: o milagre da multiplicação de dezembro vale, também, para as relações pessoais. Ah, se vale! Os eventos sociais bombam. Haja festa da firma e jantar com as amigas que você não viu o ano todo. Já no fim de novembro, as mais ansiosas (antevendo a avalanche de compromissos) querem marcar o encontro. Aquele –  ele mesmo – que não aconteceu durante 2014 inteiro. Daí a agenda fica aquela loucura. Se a vida normal já é uma questão de equilibrar os pratos, em dezembro… os pratos são maiores e mais numerosos. Isso sem contar quando os encontros comportam os famosos “amigos secretos”. Há uns 5, 6 anos tinha quase uma dezena de amigos ocultos: da turma de infância, da PUC, do trabalho, da patota nova, enfim… não havia carteira que desse conta do recado. Há algum tempo, abolimos os presentes. Ficamos só com as reuniões para colocar as novidades em dia e matar a saudade.

Até que, no meio dessa bagunça, você chega ao restaurante para reencontrar suas amigas e lá estão aquelas mesas gigantescas, lotadas, cheias de gente fazendo happy hour de fim de ano do trabalho, falando mal dos chefes, do 7 a 1, das eleições. Quase dá vontade de desistir, voltar para casa e mandar uma mensagem: “Meninas, amo vocês, mas nos vemos depois do Carnaval de 2015. Na minha casa, bebida por minha conta”. Entretanto, o “dezembro” que existe dentro de nós é maior. Sabemos que essa mágica da multiplicação serve também para os afetos. E é gostoso rever pessoas queridas. Aquela amiga que está no começo da gravidez, a que se separou e está superando, a que vai viajar para a Ásia. Ver as fotos dos filhos que chegaram, da Maria, da Violeta, da Clara. Enfim. Acabamos por enfrentar o bar, o restaurante, a padaria, a praia lotada, a loja de brinquedos. Tudo porque o fim do ano chegou e só falta mais um chorinho. Liga a música e espera o trânsito passar, 2015 tá quase aí.

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