Poucas sensações na vida são tão boas quanto a de chegar em casa. Na sua casa. Pode ser depois de um dia de trabalho – bom ou ruim -, de uma viagem ou apenas uma noitada boa. Limpar os pés no capacho, abrir a porta e sentir o cheiro da sua casa… não tem nada igual.

Esses dias, eu estava em uma mesa com um monte de gente inteligente falando sobre meditação e momentos de bem estar. Uma falou que fez um retiro de silêncio e ficou não sei quantos dias sem falar. A outra disse que encontrou paz quando começou a fazer pilates e eu fiquei pensando: “será que alguma vez na vida eu já tive um momento de meditação?”. Ao entrar na minha casa, depois de quatro dias em uma viagem de trabalho, cheguei a conclusão que a minha casa é a minha meditação.

Não é assim com todo mundo, eu sei. E a casa não precisa ser necessariamente um espaço físico, pode ser só uma sensação. Tampouco importa o tamanho da casa, nem se ela é própria. O que importa é você dentro dela. Afinal, casa é uma junção de todas as nossas raízes. É quando percebemos que somos iguais às nossas mães, mesmo sem querer, na hora de arrumar o guarda-roupa e guardar os pacotes de biscoito.

Na minha casa tem um pouco de tudo da família: Minas Gerais, Israel, chá de camomila. Também tem pedaços das viagens:  cachaça de Paraty, doce caseiro da fazenda e a caixinha de música de Paris. Casa tem fotografias: da Ju com a Alice recém nascida, dos sobrinhos quando ainda eram bebês gordos, do começo do namoro na praça do pôr-do-sol, das amigas bêbadas no Réveillon. Tem calendário para riscar dia por dia e contar o tempo até as férias: agora faltam 48 dias.

Casa é manjericão, travesseiro com formato da nossa cabeça. É meia quentinha no frio e havaiana no calor. Uma tentativa de horta em apartamento, aproveitando o fiozinho de sol. Casa é também infiltração, vizinho barulhento, copo que quebra e espalha caco de vidro. Casa é ninho, azulejo na parede, creme hidratante. Casa é tempo para falar no telefone com quem você nunca tem tempo para falar no telefone. É domingo de Netflix, Lawrence da Arábia e Game Of Thrones. São todos os livros que queremos ler formando uma pequena pilha – que nunca diminui, só aumenta. É, enfim,”jiboiar”.

Cada vez que eu chego na minha casa é como se eu meditasse um pouco, porque casa é mãe. Minha melhor zona de conforto. Uma baleia orca que me permite ficar de mal humor e dormir tranquila.

Me acompanhe no Facebook: https://www.facebook.com/blogsemretoques

Me acompanhe no Twitter: @maneustein

Leia mais textos do Sem Retoques: http://emais.estadao.com.br/blogs/sem-retoques/