Cultivar amizades é um privilégio. Ter boas amigas é sorte mesmo. Existem pessoas que não dão bola para amizades, não reservam muito espaço em suas vidas a elas. Eu não. Sempre fui uma pessoa de grandes amigas. E sem esse papo de contar nos dedos das mãos. Tenho muitas boas amigas. Algumas bem parecidas comigo – com interesses em comum, visão de mundo similares – e outras bem diferentes, mas não menos amadas, com quem me divirto muito e aprendo.

Boa parte de uma amizade é pagar mico por ela. Isso acontece muito na juventude – desde acompanhar a amiga atrás do carinha por quem ela está apaixonada em Ilha Bela, passando por aguentar a fase esotérica em que ela te dava lições de vida budista, e até mesmo fazer companhia na  primeira tatuagem (que ela fez escondida, aos 16). Depois de um tempo, as coisas amadurecem. Crescemos, os conflitos mudam, mas os micos permanecem.  Atualmente, por exemplo, existem os intermináveis eventos pré-casamento. Se, há alguns anos, nosso papel de amiga era só dar um presentinho e a presença física, com direito a choro no altar, hoje, o número de compromissos é enorme: existe chá de cozinha, chá de lingerie, despedida de solteira, noite das madrinhas, limusine com bebidas, até semana detox em spa para as amigas da noiva já ouvi falar por aí. Enfim, uma verdadeira programação…

E, claro, a gente faz tudo por amor à amiga. Como não viver esse momento junto com uma amiga que você adora tanto? Mesmo que o conjunto da obra dê um enorme trabalho e resulte em ga$$tos – sim, porque as produções para esses eventos são cinematográficas, com direito a camisetas, plumas, colares que brilham, véus & afins -,  a gente entra no clima. Mesmo sem, muitas vezes, estar com  disposição para colocar uma coroa de princesa na cabeça e fazer brincadeiras de adivinhação sobre o casal, cujo marido você nem bem conhece, ou falar de coisas íntimas com outras madrinhas que você não tem afinidade nenhuma. Ou simplesmente quando estamos sem grana para os dez eventos no qual se transformou um casamento.

Não adianta. Faz parte da minha cartilha de amiga. Tem certas coisas na vida que a gente comemora junto e ponto. Nascimento de filho, promoção no trabalho, bolsa no exterior, casamento. E é uma delícia fazer parte de um momento tão especial e emocionante na vida de amiga íntima. Da degustação de bem casado à buscas noite adentro por um sapato de noiva na internet, vivemos cada passo desse momento idílico da vida delas. Sim, porque é uma bolha e provavelmente você só terá sua amiga de volta depois da lua-de-mel. Mesmo achando um mico todos os chás, fantasias e adereços infantis que se usam nessas ocasiões, fazemos isso uma pela outra. Juntas, rimos muito do passado, das histórias amorosas que não deram certo, ajudamos a vesti-la de noiva, a observamos enquanto ela dança e conta piadas apimentadas – muitas vezes na frente da mãe e da sogra – ri, chora e se emociona. Se você me perguntasse, eu jamais diria que as minhas grandes amigas iriam querer viver esse momento clichêzão, mas a maioria delas quer e curte loucamente. E por estarem tão felizes eu digo: pega a pluma, desce a capirinha e deixa rolar aquela velha canção do Roxette. Estamos juntas no mico!

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