Cada um com seu cada um. Tem gente que gosta de grandes desafios, que se sente entediada com as coisas que se repetem na vida. Tem gente que está sempre se reinventando. E tem aqueles que tudo o que querem na vida é achar uma zona de conforto – e nela ficar. Para esses gostaria de dizer um grande “bem-vindos”.

Enquanto boa parte do mundo assiste Ted-Talks e palestras motivacionais que explicam por quê deveríamos nos mexer, procurar novos horizontes, transformar nossos hobbies em profissão, mudar de cidade,de país, de marido, uma outra parte do globo só quer mesmo é dar uma sossegada e abdicar dessa obrigação. Como eu disse, cada um com suas necessidades. Realmente “acomodação” não é bom para ninguém se pensarmos que a construção da nossa vida é um nunca acabar de desafios. Por outro lado, essa mesma construção é extremamente complexa. E, para algumas pessoas, mudança, é sinônimo de sofrimento.

Não é raro acontecer. Ás vezes, quando digo que trabalho há nove anos na mesma empresa, encaro aquele olhar de “nossa, essa acomodou de vez”.  Como se eu fosse uma pessoa medíocre e necessariamente infeliz porque escolho, todos os dias ir, para o mesmo lugar. É como se o ideal contemporâneo fosse estar em constante mudança, sempre buscando novos desafios. É claro que isso é bacana. Lemos, todos os dias, histórias de pessoas que se transformam por meio de mudança – nem sempre de trabalho, é claro. Podem ser mudanças pessoais, espirituais, locais. No entanto, acredito que isso não precisa ser uma regra a ser seguida. Para alguns essa fórmula funciona superbem. Para outros causa uma enorme ansiedade. Quer dizer, a pessoa conquista um monte de coisas na vida, mas ainda “tem que” se  reinventar e se desafiar e fazer coisas novas a todo momento, porque do contrário será considerada uma pessoa medíocre? Não. Há equilíbrio para tudo.

Parte dessa “obrigação” é culpa dos “pranchetões sociais”, acredito. Que ficam questionando sobre o que você está fazendo, no que está trabalhando, se está namorando. Mas boa parte disso vem dessa publicidade à la “wear sunscreen”. Que é linda, emociona, arrepia, mas vende a ideia de que a felicidade está nessa contínua mudança, na eterna capacidade de encontrar a coragem de sair da tal “zona de conforto”. Às vezes está. E outras não.

Acredito que tem momentos na vida em que muitos não querem se sentir desafiados. Tem hora que você quer só ficar calma. Fazer o mesmo caminho todo dia, confiar nas pessoas que estão à sua volta e não se surpreender a cada minuto com suas próprias atitudes.  Sim, a calma também traz felicidade para alguns.

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