Toda vez que algum casal público popular se separa acontece o mesmo fenômeno. Não foi diferente com Angelina Jolie e Brad Pitt recentemente. Ou com Fátima Bernardes e com William Bonner. Uma certa tristeza toma conta das redes sociais. No entanto, rapidamente, essa tristeza dá lugar a uma atitude – que eu chamaria de mórbida –  de querer encontrar um terceiro elemento, um culpado, alguma história catastrófica que envolva traição, drogas, porrada, ou coisas do tipo. É como se o fim pelo fim fosse tão difícil de encarar que seria necessário algo tão horrível que justificasse. 

Lendo todas as tentativas – frustradas – de análises antropológicas sobre o casal, é possível perceber algo que já tinha ensaiado aqui…  Sim, é meio bizarro querer entender os casais contemporâneos a partir do que aconteceu com Angelina Jolie e Brad Pitt. Tudo isso só nos leva a pensar que as pessoas, no geral, têm uma grande dificuldade em aceitar o fim como algo inexplicável. Uma separação – para quem já viveu ou esteve perto de alguém que viveu – nunca (ou quase nunca) é só por um acontecimento isolado. Trata-se de uma soma de fatores (tristes, doloridas, incertas) que levam um casal  a tomar a decisão de se separar.

Então, é um pouco assustador essa grande reação coletiva em busca de uma bruxa, de um motivo, de uma causa. Simplesmente porque é difícil aceitar que não deu. Ou como bem disse uma colega minha, deu – por um tempo. Meses, alguns anos, uma vida inteira. E agora não dá mais. Se é porque eles estão tendo “diferenças irreconciliáveis”, se é porque ela é da ONU e ele é da balada, ou se diferem na maneira como querem criar os filhos, isso não é problema nosso. É da intimidade deles. Ponto.

Há quem argumente que, sendo pessoas públicas que sempre expuseram suas vidas de maneira excessiva faz parte do jogo, agora, ter que lidar com essa reação. Concordo em partes. Acho que o erro -se é que houve algum, talvez seja ter vendido- marketing – a ideia de casamento perfeito, humanista, sem preconceitos, aceitando todas as diferenças do mundo, salvando vidas, superando doenças, escrevendo artigos de como eles se amavam e eram companheiros um do outro. Só por isso.

Sabemos que, entre quatro paredes nunca é assim. As pessoas são complexas, incoerentes, contraditórias. Decisões como ter filho, adotar, não ter filho, mudar de casa, ser fiel, morar fora, ter um relacionamento aberto…  tudo isso faz parte de uma difícil construção, negociação, que moldam uma relação, o amor e podem mudar de acordo com o tempo, com o momento, com as prioridades. As decisões têm um peso. Até para quem parece que não tem peso nenhum.

Então, chega a ser chocante a reação online ao redor das separações. É preciso respeitar. Não ficar tentando acender uma fogueira e nem participar desse delírio coletivo de propaganda de margarina. Pessoas sofrem. E temos que tomar cuidado com isso.

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