Semana passada, entrevistei a atriz Maria Ribeiro, que vai entrar em cartaz com o filme Entre Nós, sexta-feira. Durante a conversa, ela falou, superemocionada, sobre Carolina Dieckmann, de quem é amiga há muitos anos e com quem trabalhou no filme. “Somos completamente diferentes e somos melhores amigas”, disse. Foi impossível não me identificar um pouquinho. Afinal de contas, sou uma mulher de amigas. E amizades das mais diferentes possíveis. Da infância, passando pela adolescência, às amizades tardias. Aprendi que fazer amizades é uma habilidade. Conservá-las, uma vocação. Quem tem sabe.

Como falar sobre minhas amigas? Elas, que conhecem todas as minhas neuroses e medinhos. Minhas queridas, que, mesmo sendo diferentíssimas de mim (ou entre elas), fazem questão de manter vivo o afeto. Sem tempo, sem disponibilidade, sem operadora de telefone que salve.  É muito difícil explicar – e, por isso, eu entendo a Maria Ribeiro – as razões pelas quais mulheres se tornam amigas. Às vezes, é pela afinidade: interesses em comum, livros com dedicatória, noites regadas a vinho discutindo filmes e pessoas. Outras vezes, é pela diferença: risos agudos ao ouvir uma atitude que você jamais tomaria, conselhos esdrúxulos que, inexplicavelmente, fazem sentido, incentivos que só podem vir de alguém muito diferente. Existem as amigas mais alternativas – que vão topar programas ao ar livre, te ensinar uma dieta natureba, falar que você tem de entrar no pilates. Existem as mais clássicas, que vão te dar a consultoria certa do que vestir em um coquetel de trabalho, falar horas sobre homens e te mostrar as músicas da moda. E tem, claro, as parecidas com você: que escutarão, com a maior paciência, tudo que você está trabalhando na análise, sabem direitinho acertar nos presentes e têm uma capacidade impressionante de compreender suas aflições.

Foto: Reprodução

Ser amiga é dividir: vestidos, sapatos, condicionador. Namorados, nunca! Na adolescência, fazer brigadeiro de colher, assistindo a Uma Linda Mulher nas férias de inverno na praia. Falar com a Ju, Ki, Má, Rê, Ná, Lê. Na vida adulta, é ajudar a montar a casa, ir em 300 chás de cozinha, despedidas de solteira, papos prolongados no telefone, reclamar da falta de tempo e os tradicionais jantares com drinks. Quem tem sabe. Ser amiga é também estar junto quando a barra pesa. Nos términos de namoro, rompimentos, fracassos profissionais, brigas de família, bafões, bebedeiras. Quando o fecho do vestido quebra – porque você está uns quilinhos acima do normal -, quem é que te salva? E quando você derruba shoyo na camisa branca nova – que dividiu em três vezes, só para parecer séria no trabalho? E, por fim, quando sua amiga está sem noção, quem é que a leva para o banheiro e diz, com jeitinho, “menos, amiga, você não precisa disso”. Quem tem sabe.

Sempre achei que ter amigas era uma coisa natural. Com o tempo, fui percebendo que não. Não é todo mundo que se abre para essas relações. Tem gente que fica até amiga da pessoa que viaja do lado no avião. Outras não conseguem passar de três amigas a vida inteira. Não tem certo ou errado. O fato é que amigas são fonte de felicidade e o afeto que vem delas é diferente do namorado e da família. Só quem tem sabe.

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