E faz um calor senegalês, eu sei. Mas é aquela coisa: tem gente que é do calor e tem gente que é do frio. E, apesar de adorar um invernozinho rápido, eu gosto mesmo é do verão. Ok, não precisa ser assim, do jeito que está. Mas verão é vida. É vestido rodado, cervejinha gelada, gente rindo alto no happy hour de sexta-feira. Música alta, sol batendo na cara. É praia para quem é de praia; montanha para quem é de montanha. Sei lá o que dá na gente. Parece que existe um coração tropical bombando,que até ecoa músicas do Jorge Ben: “a girar… que maravilha…”

Até que chegamos à questão: com ou sem ar condicionado?. Ele é do ar, eu sou da janela aberta. Como superar essa barreira? Ora, se está um calor de 300 graus lá fora, obviamente não é legal entrar em um ambiente de 15 graus. Que fique claro: eu não sou contra o ar condicionado, mas gosto dele moderadamente. Nível médio, intercalando com ventinho e em uma temperatura agradável, não congelante. Daí, em pleno “verãozasso” você chega no trabalho e está parecendo um “inglu”. Você pede para diminuir o ar. Todos os homens do seu corredor te olham com cara de : “tá incomodada? Coloca um casaco”. Mas você já está de casaco, porque já sabe que o ar é forte, não importa a época do ano. E enfrenta a ala do inverno, no melhor estilo guerra fria : ignora os olhares e vai em frente em nome da sua saúde e da sua garganta. Em aviões é sempre a mesma coisa também. Nunca entendi qual é a dificuldade de se chegar a uma temperatura razoável. Todo voo é um gelo. Daí você está indo do Rio de Janeiro para a Bahia e precisa levar um lenço e um casaco porque a pessoa que comanda o ar resolve colocar 8°. Haja sistema imunológico.

O tema polêmico se repete em casa (no carro acho que é consenso que o ar condicionado é necessário). Ele liga, deixa o quarto gelando. Você vai lá e desliga antes de gelar demais e ter que dormir de cobertor. Até que vocês começam a discutir. Um é calorento e outro friorento. E agora? Seremos capazes de fazer concessões? Cada um abre mão de alguns graus a mais ou menos ? A discussão vai longe. Como será quando os filhos nascerem? Irão suar como porquinhos ou viverão em casas que imitam a Sibéria? Tudo passa quando os 25 graus chegam para determinar que o amor é mais forte. Afinal de contas, diferenças de temperatura podem ser bem interessantes. Quem é que vai esquentar seu pé no frio? Dar aquele abraço quentinho que manda embora qualquer calafrio do mundo? Quem é que vai manter a geladeira cheia de sorvete só para, no domingo a tarde, ninguém ter que pegar filas quilométricas nas sorveterias paulistanas? O calorento, é claro. Por isso, amigos e amigas friorentos, tenham, mantenham ou casem com um calorento. Eles batem qualquer ar condicionado. A garantia dura até o inverno e ainda trazem benefícios extras.