Os meus amados brasileiros que me desculpem, mas a hora é dos gringos. Não há uma paulistana solteira que não tenha cruzado com nossos visitantes e pensado no mundo de possibilidade que a espera. Ingleses – cobertos com a bandeira da Inglaterra, rostos pintados e, até vestidos de rainha Elizabeth – vagam pela Vila Madalena e outros bairros em busca de consolo. Uruguaios, felizes em sua Celeste, usam todo o charme do país de Galeano, de Lugano e do Mestre Mujica para destilar poesia no pé do ouvido das brasileiras. Quando isso aconteceria nessa quantidade? Oportunidade única para as solteiras. Cada brasileira é, na Copa, uma Gisele Bündchen entre os estrangeiros. E os gringos, obrigada, grandes fornecedores de auto-estima com seus elogios.

Encontrei, essa semana, um amigo – brazuca – desconsolado. Ele bem que tentou, foi na festa, circulou pelos bares, mas a concorrência holandesa, os alemães alegres e o “ xaveco diferente do trololó de sempre” escrito na testa dos gringos está mais forte. Durante a Copa, os brasileiros vão ter que se concentrar e se consolar com o futebol mesmo, porque os gringos, meus amigos, os gringos estão fazendo a festa. Argentinos “chamucheros” cantam as meninas no calçadão no Rio. E, rivalidades a parte, seus “mulets” têm alta popularidade entre as brasileiras. Chilenos, franceses e, óbvio, os italianos que, inspirados pelo muso Marchisio (foto abaixo), saem acompanhados de qualquer lugar, sem grandes esforços.

(Foto: Reprodução)

Não é nada pessoal contra os brasileiros, dirão elas. É só para mudar o jogo. São outros xavecos, outras abordagens, papos, piadas. Quem nunca quis algo um pouco diferente? E um detalhe muitíssimo importante: eles estão alegres e, vá lá, um pouco bêbados. Os gringos que estão aqui, com o copão na mão e uma peruca azul na cabeça, não são os mesmos que as brasileiras cruzam no país de origem deles. Lá, normalmente, eles não olham para nenhuma mulher na rua, estão atrasados para o trabalho, lendo no metrô, acompanhados, sérios.  Mas na Copa eles estão, acima de tudo, felizes. Não tem seriedade, ninguém está falando sobre o fla-flu entre PT e PSDB, a escassez do sistema Cantareira, se a Copa é reacionária ou não. Como em um carnaval, grupos de vintões, trintões, quarentões e cinquentões circulam pelas ruas, fantasiados. Sem medo do ridículo eles estão vestidos de cavaleiros da távola redonda, índios, mosqueteiros e até queijo suíço… É um grande bloquinho que dura um mês. E vocês sabem: nesse jogo, para as moças desimpedidas, não tem zero a zero.

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