Eu sei. É meio redundante escrever sobre mãe, na semana do Dia das Mães. E, sim, já falamos sobre isso no blog, mas é que mãe é uma coisa tão boa que elas merecem muitos posts. Então, vamos por partes: não, não fico emocionada em ver uma propaganda com mães e filhas que são modelos, posando em um estúdio de fotografia hype, no melhor estilo ‘olha como somos uma família que se ama, mesmo com photoshop”. Nem com essas propagandas que mostram mães e filhos se cumprimentando no café da manhã da vida perfeita, antes de irem para escola. Ou com esses filminhos do Youtube que contém uma lição de moral “enquanto estiver com a mamãe você está seguro”. Tampouco acho legal esse senso comum de que a maternidade é essa coisa idílica e que mães entram em um algum tipo de paraíso superior quando viram mães. Mas acho bonito. E tenho uma mãe maravilhosa – o que ajuda muito nessa semana na qual somos bombardeados com coisas tão superficiais.

Assim sendo, queria dedicar aqui algumas linhas a essas criaturas que são mães, avós, tias importantes, pessoas que criam os filhos dos outros: olha, vocês são demais. Cada vez que aparece a história de uma criança que tem algum problema de saúde e que todo mundo compartilha no Facebook –  em um surto coletivo de sentimento humanista – eu penso na mãe. No que sente aquela mãe. Não importa se é petista, se é tucana, se daqui ou de fora. É mãe e ponto. Ou na avó. Porque avós também são mães e ajudam no jeitinho de dar o primeiro banho, acalmam as filhas malucas – mães de primeira, segunda e terceira viagem. Refazem os erros que cometeram quando foram mães – porque sabe como é, muitas vezes, simplesmente não dá. São as mães e avó que olham para nós, quando estamos em estágio avançado de surtinho (de mimo, medo, confusão, TPM ou ansiedade) e dizem: “tudo bem”. Porque, convenhamos, às vezes só o que a gente quer é um ‘tudo bem’ antes de dormir. E o  ‘tudo bem’ é para tudo: que você não foi a funcionária do mês, a mãe dos sonhos, a namorada disponível, a leitora mais atenta. Mãe é aquele ser que ensina diversas vezes o básico: o mundo não vai parar porque você não foi perfeita. Quer coisa mais libertadora do que isso? Além disso, que chip elas têm – apenas pelo no nosso tom de voz – o que quer que seja? Aquele dia em que você anda meio bocorochô, o telefone toca e é ela, sentindo – via chip maternal – que você não está bem e que precisa das palavras quentinhas de mãe.

Então, é preciso dizer: que venha o Dia das Mães. Com suas propagandas cafonas e musiquinhas de elevador. Eu sei que nem todo mundo tem sorte, nem todas as mães são maravilhosas e nem existe pote de ouro no fim do arco-íris. Há quem fique vociferando que o Dia das Mães é uma bobagem capitalista para gastar dinheiro, para as grandes economias dominarem o mundo etc.  No entanto, é gostoso se reunir no domingo, se acabar de comer o prato típico de cada família, ver o tio mais velho dormir no sofá, o primos assistirem o jogo de futebol na TV e, claro, mimar um pouco elas (mães)  – que mimam tanto a gente – com presentes, flores e cartões. E acima de tudo brindar essas coisa –  tão fora de moda em dias de agressividade – chamada afeto.

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