Bares saraus e quintais. Rodas giras e quetais. Gente contente em volta, atenta. Ambientes astrais. Música letra solos corais. Clima intimista pista de dança salão de festa. Cachaçaria mercearia baixa gastronomia. Papo-cabeça gargalhada choro arte amizade namoro. Tudo tem a sua hora. Tudo trem tudo vem tudo sem demora agora é para sempre quando provoca um insight. Ludo light luzes acesas na memória. Sarau da Maria Ellen Oléria dona Lia. Kleber Albuquerque cine-poesia-canção. Tudo é para sempre a praia a turma o sol o verão o som do Luizão do Ciro. Artistas amigos ocupando os espaços físicos públicos líricos das ruas da Vila da mente de cada coração. Nos levando eternamente para além de nós mesmos. E da imaginação.

 

(O novo lay-out do site ainda apresenta alguns problemas. Mas se você clicar sobre as palavras em negrito ou sobre a maioria dos nomes de artistas, cds, livros e lugares, um link se abrirá.)

 

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OS BARES MÁGICOS
DA VILA MARIA

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Há uns quatro anos, o joelho esquerdo já doía, mas eu ainda batia uma bolinha com meus amigos véios no final das tardes de sábado na Vila Maria. Ao sairmos do fut, queríamos tomar uma cerva, ouvir um som, falar mal dos outros, conversar um pouco, mas não havia onde ir. A opção eram os barzinhos com música sertaneja, o que, definitivamente, não era (e ainda não é) nossa praia. De repente, simultaneamente à criação do Sarau da Maria (no Giba’s Bar), surgiram o Bar do Anão e o Carauari Bar & Mercearia, com violão dando sopa na mesa e, às sextas e sábados, showzinhos com microfone e caixa de som. Junto a isso, ocorreu a revitalização do Bar do Lê, tradicional reduto de roqueiros, que andava silencioso, sofrendo pressões do Psiu (e de vizinhos malas) e que voltou a promover shows com bandas sem cobrar entrada. Eu dizia a ele: “Isso é importante pra ca%#lho, Lê… é diversão popular, meu velho”. E as figuras raras, estranhas e inadaptadas, e os artistas solitários, e os boleiros largados e as pequenas e tímidas turmas que perambulavam esporadicamente em torno de cada um desses lugares começaram a se tornar frequentes, a crescer e se relacionar. Nós, artistas da Vila, temos muito a agradecer aos ousados donos desses bares (Giba, Andrea & Toninho, Clóvis Anão e Lê Furlani) por abrirem espaço para a cultura local e permitirem aos artistas tocarem, declamarem e principalmente, conhecerem uns aos outros, criando movimento. Esse movimento repercutiu, fez onda e gerou mais movimento. E é só por causa desse movimento que eu estou aqui escrevendo neste blog agora. A Vila Maria tem uma cena cultural forte, variada e muito interessante. E hoje, o pessoal maluco que sai do fut já tem onde se divertir e fazer a cabeça.

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BAR DO LÊ … Lendário ponto de encontro dos roqueiros e motoqueiros do pedaço, já está em seu quarto endereço (todos na Vila, todos com música ao vivo, todos sem cobrar entrada). Seu tempo num mesmo local varia de acordo com a tolerância da vizinhança ao heavy metal. Quando não tem show, o Lê exibe filmes e vídeos de rock no telão. O pessoal gosta de ir lá pra assistir futebol também. O Lê, como todo bom comerciante, evita dizer pra qual time torce (mentira… é corintiano roxo!). Tem gente que vai jogar bilhar (tem até campeonato!). O bar acolhe festas de aniversário, churrascos e bagunças variadas. Nas paredes, fotos de ídolos do rock, discos de vinil e uma pintura com anjos flutuando e fumando alguma erva celestial…

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BAR DO ANÃO … Puxou ao dono: pequeno mas com um enorme coração, o bar tem charme, simpatia e um ambiente super-família: o Anão trabalha com a mulher e o filho (às
vezes, com a filha também). O espaço propriamente dito não passa de um corredorzinho com balcão, mas na entrada cabem caixa, microfones e bateria. O pessoal vai chegando e espalhando mesinhas e cadeiras pela calçada. Quando não tem ‘som’, quase sempre rola uma roda de violão. É comum alguma turma organizar churrasco, happy hour ou festinha de níver que começa sábado à tarde e vai até… O Anão não é do tipo apressado. E sempre oferece uma pinguinha (da dele) quando percebe um bom papo. Lá você tá em casa.

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CARAUARI BAR E MERCEARIA … A Mercearia, localizada numa praça grande e arborizada chamada Carauari, é o lugar ideal pra se tomar uma cerva num final de tarde. Ou pra marcar o encontro do seu bloco de carnaval. Ou pra fazer sarau. A Andrea e o Toninho, além da simpatia, ainda providenciam caldinhos e quitutes de dar água na boca. O bar tem amplo espaço pra mesinhas tanto na frente quanto dentro, onde acontecem os saraus. Quem dera todas as mercearias do mundo oferecessem esse alimento cultural, tão em falta, para nossas almas famintas. E que loucura sadia abrir espaço pra música e poesia em meio a enlatados, pães, verduras, frutas e peixaria. Só mesmo na Vila… Lá você pode cantar, beber, se divertir, encontrar amigos e antes de ir embora, fazer as compras pro almoço do dia seguinte.

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GIBA’S BAIXARIAS BAR … Quem olha da rua pensa que o bar do Giba é só aquele espaço dianteiro, com balcão e algumas mesinhas. Mas, lá no fundo, tem um amplo salão com dezenas de mesas, inclusive uma de bilhar. As paredes ainda ostentam a bela pintura que os grafiteiros convidados pelo Sarau da Maria fizeram. Lá, realizamos as primeiras edições do sarau. No Giba sempre rolou um samba nas mesinhas da calçada e umas serestas com mpb nas mesas de dentro. E o que é melhor, tudo ao mesmo tempo agora. A freguesia gosta de cantar, tomar umas, ver lutas e jogos pela tevê, mas, principalmente, vai lá pra comer. O Giba se gaba (com razão) de ser o rei da favada e do mocotó, além de oferecer uma lauta feijoada. Lá, já fizemos festinhas de fim de ano e de carnaval, show de lançamento de cd, saraus e intermináveis rodas de violão.

 

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O QUINTAL
DO KLEBER

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Sábado passado participei do delicioso sarau organizado pelo casal de artistas Kleber Albuquerque (cantor, compositor, poeta) e Vivi Correa (designer de joias, materiais gráficos, sapatos & afins). Cerca de 20 privilegiados se sentaram ao redor da frondosa árvore do quintal do Teatro Imaginário da Fábrica de Caleidoscópios. Só o nome do lugar já instiga a curiosidade e faz pensar: será real aquela ambientação delicada, aquela reverberação mágica de luzes, imagens e sons? As letras poéticas daquelas canções, os timbres diversos, os versos intrépidos, os ritmos inéditos, os arranjos ins-pirados brotando da flauta e dos psicodélicos violões? Seriam sons ou tons – música ou pintura, o alimento artístico que nos era servido em meio a olhares cúmplices e doces sorrisos de amigo? Lamentei chegar no meio e não ter conhecido todos os presentes. Mas estavam lá, entre brothers e familiares, os artistas Sonekka, Marco Vilane, Vanessa Bumagny e Gerro Lisboa, além do flautista alucinado e de um poeta declamador cujos nomes esqueci (perdão!). E ainda rolou o lançamento do livro “Nada Me Consola – Cotidiano e Cultura nas Canções de Chico Buarque e Caetano Veloso“, da Priscila Gomes Correa, ilustrado pela Vivi (com direito a uma xilogravura original). Ainda não li, mas tem um prefácio superelogioso do grande compositor Sérgio Ricardo. Pra vocês sentirem um gostinho de como a noite foi boa, posto abaixo uma canção do Marco Vilane, outra do Sonekka e uma do Kleber, claro (e mais as fotos acima).

 

 

 

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SÁBADO TEM
SARAU DA MARIA

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Neste sábado tem mais uma edição do Sarau da Maria (eu já estava com uma saudade danada daquela zona!). Estarei no Clube Vila Maria mais uma vez esperando por vocês. O mais movimentado sarau da cidade terá a presença dos poetas Claudinei Vieira e Sandra Regina (lançando seu livro Visita Íntima), do escritor e editor Marcelo Nocelli, do músico Ciro Pinheiro e da cantora Rosa Rocha. Terá ainda a expo-projeção de fotos e montagens da multiartista Alessandra da Mata (de quem já falei aqui) e a performance teatral e musical do grupo Makuná Do Brasil, com trechos do seu espetáculo ‘Hair’. E a exposição (e venda) dos objetos criados pelas crianças do projeto Ser Âmica, coordenado pela ong da Elainy Mota. Além, claro, do palco aberto e do ‘Momento Maria’ (sempre uma surpresa). Apareça lá pra curtir. Abaixo, o link de um conto do Marcelo, uma montagem fotográfica da Alessandra, um conto da Sandra Regina e um poema do Claudinei. Sábado, no Sarau da Maria, tem muito mais.

 

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O ESCRITOR – PARA MILTON HATOUM (Marcelo Nocelli)

http://www.recantodasletras.com.br/homenagens/2583878

(e leia outros textos dele aqui)

 

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EXPO-PROJEÇÃO RECORTE 365 (Alessandra da Mata)

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CHEGA DE SAUDADE (Sandra Regina)
Chega um tempo em que não dói mais. Doer dói, mas parece que a gente está anestesiada, entorpecida… e a saudade está tão impregnada na vida que a gente nem sente. Talvez esse dia tenha chegado hoje – com o vento que arrepiou os sonhos adolescentes quando eu quis abrir a janela e tive medo. Talvez o mau tempo nunca tenha pensado em ser dia ensolarado… Talvez a mágoa esteja entranhada no brilho dos olhos ao “te” ver (mesmo em pensamento) e não haja mais desespero nem coragem para mudar a direção dos teus raios de luz. Chega um tempo que não basta. Um tempo que não chega. Sempre vai haver um dia mais azul para nublar essa saudade cortante, essa saudade ardente, essa saudade insistente e franca… que não me esquece.
detudoficaumconto.blogspot.com

 

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SUA HISTÓRIA (Claudinei Vieira)

sua história
interrompida, por vezes, tanto,
reduzida, por quantos,
minimizada

sua voz
interrompida, por vezes,
reduzida, por quantos,
relegada

sua presença, um estilhaço,
um pedaço do mosaico
da catedral do silêncio
sua presença abrupta,
marcada por cicatrizes e faixas,
e um tanto de luz

seu corpo
sua voz
sua sombra
sua respiração
seu ser
sua história
maiores do que a escuridão
e o silêncio

 

 

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AGENDINHA

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Passei a publicar o ‘Agendão dos Saraus para o Fim de Semana’ num post separado, todas as sextas-feiras. Abaixo, seguem algumas sugestões para esta quinta e sexta-feiras. Acompanhe também as muitas opções contidas nesse link da Agenda da Periferia. Informe-se, atue e divirta-se!
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Quarta-feira – 20 de julho – 17h … Encontro das Minas e das Monas … Na programação: temas atuais com o Ciranda Entre Nós, papo reto sobre Simone de Beauvoir, contação de histórias (livro ‘As mulheres que correm com os lobos’) e mais a discotecagem livre. No Espaço Lilith Pandora (a casa onde a homofobia não entra), em Guarulhos.

 

 

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Quarta-feira – 20 de julho – 20h … Pré-estreia de ‘Mãe só há uma’ na abertura do Festival de Cinema Latino-americano de SP … Com a presença da cineasta Anna Muylaert e elenco. Ana é a diretora do premiado Que horas ela volta? Abaixo, assista ao trailer oficial do novo filme:

 

 

Quinta-feira – 21 de julho – 14h … Projeto No Canto da Cidade … Projeto lítero-musical com a participação de Gildo Passos, Sacha Arcanjo, Adilson Aragão e outros. Na Fábrica de Cultura Vila Curuçá.

 

 

Quinta-feira – 21 de julho – 19h … Ellen Oléria – Pocket ShowCantora lança seu terceiro disco,’Afrofuturista‘, combinando ritmos variados e utilizando recursos tecnológicos sem abandonar os elementos orgânicos da música tradicional.Na Fnac Brasil.

 

 

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Quinta-feira – 21 de julho – 19h … Gabriel Duarte e Mel Farago … Toda quinta de julho dois artistas se apresentam no Festival Amendosom. Das 19h às 20h, palco aberto. Depois, os shows com o cantor e compositor Gabriel Duarte e com a cantora e atriz Mel Farago. E ainda tem a exposição de colagens e pinturas de Pietra Kovac e muita discotecagem pra fechar a noite. No Void Club, em Guarulhos.

 

 

Quinta-feira – 21 de julho – 19h30 … Lia de Itamaracá em São Paulo … A grande cirandeira fará shows em três unidades do sesc. Na quinta, no Centro de Formação e Pesquisa SESC, na Rua Dr. Plínio Barreto, 285 – Bela Vista, grátis, com reservas pela internet. Na sexta, o show é no Sesc Vila Mariana e no sábado no Sesc Santo Amaro.

 

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DEDICATÓRIA

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‘Que bloco é esse… Eu quero saber… É o mundo negro… Que viemos mostrar pra você…’

O ano, se não me engano, era 1984. Não o 1-9-8-4 das espionagens do livro do George Orwell. Éramos muitos, andávamos juntos, vivíamos em grupo. Éramos jovens, livres e inventávamos um lindo verão. Others brothers, bem distantes do ‘grande irmão’. A ditadura caía e brindávamos à democracia. Sem sequer pensar na morte, seguíamos descalços por um caminho de terra amarela com cheiro de jaca mole. Estávamos felizes no paraíso cantando num barzinho do litoral norte. Lembro dele mostrando uma música de sua autoria: ‘Eco eco eco… ecologia’. Ou no quintal lá de casa, com os olhos marejados, cantando a canção que fez quando nasceu seu filho. E não importa se depois disso pouco nos vimos. E não importa quantos verões eu ou cada um de nós ainda permaneceremos vivos. Em algum ponto da galáxia, em alguma ponta de praia, ou num canto brilhante das nossas memórias coletivas mais felizes, ouviremos sua voz, seu violão e lembraremos do seu sorriso tímido. Esta coluna é dedicada ao Luiz Cruz, o Luizão, nosso amigo e violeiro que se foi. Se foi, ‘numas’, como ele gostava de dizer. Quem passar por um certo boteco da Barra do Sahi e souber olhar com os olhos do coração, poderá vê-lo, eterno como agora o vejo, cercado por uns vinte amigos loucos e barulhentos, todos batucando na mesa e entoando com ele aquele refrão indecente, cantado muitas vezes, com o dedo em riste, ontem, hoje, de novo e sempre:

‘Sou o punk da periferia… Sou da Freguesia do Ó… ó… ó… Aqui pra vocês! Sou da Freguesia.’

E da Vila Maria. E das quebradas doidas (e tão doídas) dessa nossa intensa e pequenina vida.
Valeu, Luizão!

 

 

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ATÉ SEXTA-FEIRA, PESSOAL,

COM O AGENDÃO PARA O FIM DE SEMANA.

E AQUELE ‘ALGO MAIS’, CLARO!

INTÉ!

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