Papai, papai, papai… Tu não és a rainha do lar. E nem és mais o rei. Ainda bem que a lei agora é outra. Todos juntos se ajudando lavando trapos pratos rachando contas que essa vida não tá sopa. E vamo que vamo levando na flauta ou labuta de boa. No love na rima respeito e poesia. Sarau, luau e o escambau cantando na área com tudo em cima. Vivendo convivendo inventando bossa. Louvando a diversão e a diversidade na feliz-cidade nossa. Ouça:

 

 

(O novo lay-out do site ainda apresenta pequenos problemas. Mas se você clicar sobre as palavras em azul, em negrito, em itálico ou sobre a maioria dos nomes de artistas, cds, livros e lugares, um link deve se abrir.)

 

 

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Sem mesmice ou alienação, sem fut nem Faustão, passei um domingão de paizão bem gostoso com a família, tomando minha cervejinha, olhando o céu azul e o sol, falando muito besteirol, dando um mimo nos sobrinhos (os grandões e os pequeninos), comendo a comidinha boa feita pela dona Edíria (minha sogra querida) e curtindo os presentinhos e carinhos da Carolina, minha filhoca linda (a neném dessas fotos). Ser pai foi das melhores coisas que me aconteceram na vida. Me obrigou a corrigir vários dos meus defeitos (ao menos, disfarçá-los, pra não dar mau exemplo) e a diminuir meu egoísmo (ao menos tentar diminuí-lo, pra passar algum altruísmo). Sobre o assunto (pais/paternidade), o poeta e jornalista José Couto publicou textos de vários escritores em sua coluna no jornal O Alvoradense. Em meio a ótimos poemas, incluiu, generosamente, o meu ‘Hereditariedade‘. Obrigado, José. Ia postar alguns aqui, mas a página não permite copiar. Os poemas estão espalhados por quatro postagens dele (veja AQUI). Lá você encontrará grandes poetas como Fabíola Mazzini Leone, Adriane Garcia, Luiza Cantanhêde, Marcelo Adifa, Chris Hermann, Luciane Lopes, Lourença Lou, Silvia Maria Ribeiro, Joelma Bittencourt, Wander Porto, Carvalho Junior e muitos outros (sem falar de uns poeminhas chinfrins de uns tais de Quintana, Vinicius e Chico, que eu nem sei direito quem são).

 

Da série “Pai, afasta de mim esse cálice: dia dos pais” II Parte

 

 

O Domingão do Arnaldão foi caseiro. Mas no sábado, eu já tinha saído por aí pra ouvir e conferir a pulsação alucinada da cidade ensolarada. No final da tardebela na desvairada Paulicéia, dois supershows me esperavam na Augusta: as grandes revelações da melhor mpb, Carol Naine e Bruna Moraes, dose dupla de música inventiva. E de noitão, o programão era ir ao sarau Poesia na Mercearia e conferir os talentos emergentes da cena cultural da Vila Maria. E lá fui eu caminhando e cantando pela city de Sampa, saturday-sunday misturando:

 

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sensorial

SENSORIAL é uma loja de discos (vinis e cds) bem bacana localizada num estreito corredor da Rua Augusta, com um barzinho no fundo (acima, fotos dos shows de sábado). Não diria, pequena, mas aconchegante, do tamanho certo. Artes nas paredes, birinights especiais e algumas luzes bem lights, que não iluminam demais. Um lugar pra ficar supertranqs, na paz. E é lá que tem rolado muito som bom de artistas novos e talentosos. Fique de olho na programação e cola nela. Eu fui e nunca vou esquecer: foi lá que tive o privilégio de assistir duas grandes cantoras e compositoras da nossa melhor música. A saber:

 

CAROL NAINE se apresentou acompanhada por Alexandre Vianna (teclado), João Benjamin (contrabaixo acústico) e Rafael Lourenço (bateria), três músicos-feras foras-de-série. Sabe Zimbo Trio, grupos de samba-jazz, arranjos de bossanova? Mistura isso com o lirismo e a espontaneidade das canções de Noel e do jovem Chico e acrescente uma mente politizada e antenada com as questões tecnológicas, ambientais e comportamentais do século XXI. Pronto, você tem a emocionante e cerebral Carol Naine, cantora de voz límpida, contida e afinada, cujas canções são verdadeiras crônicas contemporâneas. Ela está lançando seu segundo cd. Se prepare, porque o primeiro eu conheço bem e é um primor. Pela amostra do show, tem coisa muito boa vindo aí. Três canções novas me chamaram a atenção e ainda ecoam na minha mente. Não sei os títulos, nem lembro exatamente das letras, mas guardo a emoção e a sensação instigante que me causaram: ‘Você não é Deus’, com deliciosos comentários reflexivos e amorais sobre religião; a feminista ‘Puta’, cujo verso final ‘uma mulher não se disputa’, ou melhor, ‘a uma mulher não se diz puta’, denuncia opressões e afirma a autonomia feminina; e a maravilhosa música que fechou o show (e marejou meus olhos) questionando o ouvinte sobre sua posição acomodada diante de preconceitos ancestrais, de comentários racistas e homofóbicos que hoje pululam nas redes sociais, mas que já vêm de longa data. Aguardemos o cd (anote: dia 31/8, ela estará no Tanger Sessions). O timbre da voz de Carol é encantador, sua música é diversificada e sua lucidez é imprescindível nesse cenário de inteligência rasa a que a tão consagrada e mundialmente decantada canção brasileira foi confinada pela indústria do entretenimento tolo. Ouvir Carol Naine me emociona, me anima, e, mais que isso, me salva! Obrigado, Carol.

 

BRUNA MORAES, ao violão, cantou acompanhada pelo teclado de Lautaro Michaux. Bruna é intensa, passional, delicadamente áspera, mas sempre íntegra e inteira, emocionada e emocionante. Assisti-la cantar, assim tão de perto, como se estivesse na sala de casa, é um privilégio que, creio (e espero), não se repetirá tão cedo: seu imenso talento merece multidões. É comovente acompanhar a evolução de suas entonações, como uma contorcionista parindo inéditos movimentos melódicos, uma porta-bandeira orgulhosa em ostentar o pavilhão de sua canção-nação. Bruna é uma jovem cantora da estirpe das baitas, das gênias, das ellas e elises, das janes e maysas. Seu repertório é o fino da bossa, do samba-pop com rigor, de algumas harmonias aracnídeas e sutilezas bem tramadas. Mas no fim das contas, não importa muito o que ela cante, pois sua voz sempre estará acima dele, uma oitava além das palavras, notas, pausas e pontuação, num planeta distante, uma dimensão adiante da rotação natural da canção. Bruna vai no talo, mergulha até o fundo, sem tubo pra respirar. Acompanhe se puder. Ela é muito jovem, ainda vai pirar, despirar, tornar a transtornar, vai falar de mundos profundos e coisas & loisas & tretas mui lokas em suas letras. Mas que não perca, jamais, essa capacidade de se lançar sem rede de proteção, de despir suas dores ultradoídas (e algumas alegrias, vai…) e nos arrepiar com esse cantar que a gente sente nos cortar e se identifica: brota do escuro obscuro e puro da alma, de onde as emoções ainda não foram catalogadas. Sofre, Bruna. Solidários, estropiados, sofreremos nós, encantados ao seu lado. Não se iludam, senhores. A vida é bela, mas não é feita (só) de flores. A Bruna Moraes canta demais!

 

RHAISSA BITTAR: Surpresa muito agradável foi conhecer pessoalmente a grande cantora Rhaissa Bittar e o brilhante compositor Daniel Galli, parceiros de vida, música e poesia, que realizaram juntos dois discos incríveis (‘Voilá‘ e ‘Matéria Estelar‘) que quem ainda não ouviu, precisa ouvir já. Sem falar nos seus shows, teatrais e performáticos, que todo mundo tem que ir ver. Leia o que escrevi sobre eles AQUI. Rhaissa e Daniel foram à Sensorial prestigiar Bruna e Carol e me propiciaram a alegria de conhecê-los. Simpáticos e diretos, sem frescura ou nhenhenhém, conversaram comigo como se já nos conhecêssemos há tempos. Eu, falastrão como sempre, fiquei lisonjeado com a atenção natural que me deram. Obrigado ao casal, pela paciência. Parti com a doce impressão de que não há trinco na porta do coração generoso dos grandes artistas.

 

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SARAU POESIA NA MERCEARIA: Saindo da Sensorial, ainda deu tempo de chegar no Bar e Mercearia Carauari e presenciar algumas atrações do sarau Poesia na Mercearia, organizado pela Andrea & Toninho, com apresentação do Kita (comigo na foto 1), cantor e compositor do Chero da Poesia e que também é um dos organizadores do Sarau da Maria. Vários artistas da Vila Maria estavam lá: Simone Barbour (foto 2) e Sheilinha, Mu Lawrence, Li & Mea (com Renan na foto 3), os poetas Jaiminho e Filipe, além da rapaziada nova que debutou nessa night (veja o álbum completo do Roberto Candido, fotógrafo oficial dos saraus da ZN). No final, roda de violão e cantoria animada entre cervas e abraços. Depois, descemos pra praça da vila e comemos aquele tradicional franguinho assado no lendário Rossio, o bar que nunca fecha. O sabadão do Arnaldão não foi fraco, não.

 

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SHOW: AS 20 MELHORES
MÚSICAS DOS FESTIVAIS

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Alguns músicos e compositores ligados ao Clube Caiubi tiveram a boa ideia de realizar um show com as grandes canções dos festivais dos anos 1960, 70 e 80, mas delegaram ao público o prazer (e a responsabilidade) de escolher as ‘melhores’ (se é que podemos dizer assim, pois todas da lista inicial eram ótimas). Convocaram os amigos para participar da escolha e divulgar a empreitada: durante alguns meses, qualquer pessoa poderia entrar numa página do facebook e votar nas suas 20 músicas preferidas da era dos festivais. Eu acessei e fui logo clicando: Disparada, claro; Domingo no Parque, óbvio; Roda-viva, sem dúvida; Ponteio, evidentemente; Alegria, Alegria, alegremente; Andança, sem tropeçar; Caminhando e Cantando, sem censurar… e, quando notei, já tinha escolhido mais de 30 canções. Tive que voltar atrás e cortar várias pérolas do nosso fabuloso cancioneiro, pois o meu ‘Festival dos Festivais’ particular não caberia num show de uma noite só.

Pra quem ainda não viu, posto abaixo, na íntegra, o ótimo documentário ‘Uma noite em 67‘, de Ricardo Calil e Renato Terra.

Achei a iniciativa do pessoal muito interessante, pois quem já conhece as músicas pode recordar e os jovens que não conhecem aproveitam pra se informar e pesquisar sobre essa época de ouro da nossa mpb pré-jabás. Na organização do evento estão o grande violonista Bráu Mendonça (arranjo), a Rosangela Alves, a Regina Célia e o músico Alexandre Tarica, idealizador do projeto (que comemora seu aniversário nessa data). Ainda tem a participação de Luis Carlos (apresentação) e de muitos músicos convidados. Anote na agenda: sexta-feira, dia 26 de agosto, às 19h, as 20 músicas mais votadas serão apresentadas no show ‘Meu Festival dos Festivais‘. Entrada R$20, no Cambridge Hotel.

Pra terminar, a grande canção ‘Domingo no Parque’, com depoimentos interessantes do Gil.

 

 

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AGENDINHA

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Passei a publicar o ‘Agendão dos Saraus para o Fim de Semana’ num post separado, todas as sextas-feiras. Abaixo, seguem algumas sugestões para esta quarta, quinta e sexta-feiras. Acompanhe também as muitas opções contidas nesse link da Agenda da Periferia. Informe-se, atue e divirta-se!

 

fotos

Quinta-feira – 18 de agosto – 19h … Carousel – SLIDE SHOW … Na véspera do Dia Mundial da Fotografia, uma comemoração especial: projeção de slides nas paredes. Imagens vintage de Armando Prado, Cassio Vasconcellos, Dimitri Lee, Eduardo Muylaert, Edu Simões, Fausto Chermont, Fernando Costa Netto, Fifi Tong, Gal Oppido, Guilherme Maranhao, Hilton Ribeiro, Juvenal Pereira, Lucille Kanzawa, Luciano Candisani, Lucas Lenci, Marlene Bergamo, Mônica Zarattini, Marcelo Lerner Rochelle Costi, Roberto Linsker, Rogério Assis, Valdemir Cunha e Vania Toledo. Na Terra Virgem Edições.

 

klabin

Quinta-feira – 18 de agosto – 19h30 … Aula de Mestres – “Cancioneiro da Imigração – Música em Comunidades de Imigrantes na Cidade de São Paulo” com Anna Maria Kieffer … Neste encontro, a pesquisadora fala sobre as populações encontradas aqui pelos colonizadores e suas manifestações musicais; a música dos imigrantes portugueses, italianos, sírios e libaneses. Na Fundação Ema Klabin.

 

ceumar

Quinta-feira – 18 de agosto – 20h … Show da Ceumar no CEU Curuçá … Superevento com a presença da grande cantora Ceumar. Grátis, no Itaim Paulista. Informações pelo fone 2563-6145.

 

annabueno

Quinta-feira – 18 de agosto – 21h … Anna Bueno – Quinta das Mulheres no CCB … A ótima cantora e compositora Anna Bueno faz show de lançamento do cd ‘Inspir’Ação’. Além das 9 canções e 3 poesias (todas autorais) do cd, há releituras de Tom Zé, Itamar Assumpção, Belchior e Zélia Duncan. A casa abre às 21h e o show começa às 23h. Entrada R$10 e R$15, cd à venda por R$20. Quem chegar cedo pode curtir o espaço cultural Tapioca, com vinis, livros e deliciosas tapiocas. No Centro Cultural Butantã.

 

julyana

Sexta-feira – 19 de agosto – 19h … Julyana Gonçalves no Bar & Mercearia Carauari … A bela voz de Julyana, num show intimista, só com voz e violão. Covers de mpb e pop, além de convidados especiais mandando seus sons autorais. Entrada franca, na Vila Maria.

 

lucas

Sexta-feira – 19 de agosto – 21h … Lucas Golinelli + Banda – Bar Padre Celestino … No antigo lar do Sarau Noites Autorais, Lucas chega com banda, som alternativo, som autoral, repertório de rock e pop nacional. Entrada R$5, em Guarulhos.

 

renata

Sexta-feira – 19 de agosto – 21h … Os Dois: Renata Pizi e Sonekka … A grande cantora Renata Pizi e o compositor Sonekka (de quem já comentei AQUI) voltam a apresentar o show ‘Os dois’, cantando suas parcerias, acompanhados de Paulo Ribeiro (violão) e Bruno (Percuteria). No Brazileria.

 

autoria

Sábado – 20 de agosto – 19h … Autoria – A Hora e a Vez do Compositor … Evento do ‘Projeto Autoria’ com destaque para obras inéditas de artistas da Baixada Santista como Bruno Conde, Luiz Cláudio de Santos, Paulo Cézhar Luz, Rogério Baraquet, Walter Jr, Célia Demézio, Danilo Nunes, Gessé Froes, Bell Mainardi e Lee Eliseu. Entrada R$10. No Corisco Mix, em Santos.

 

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À ELKE MARAVILHA

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A coluna de hoje é dedicada à Elke Maravilha, que nos deixou ontem.

Lembro dela jovem, bela e sorridente no júri do programa do Chacrinha. Eu era criança e só saberia mais tarde que, por essa época, ela havia passado seis dias presa pelos ditadores do regime militar. Desacatou supostas ‘autoridades’, após rasgar, diante de agentes policiais, um cartaz de ‘procurado’ com a foto do filho da estilista Zuzu Angel (para quem desfilava). A cena foi revivida no filme ‘Zuzu Angel’, de Sergio Rezende. O então desaparecido Stewart Angel, soubemos depois, foi torturado, morto e teve seu corpo atirado ao mar. A canção ‘Angélica’, de Chico Buarque e Miltinho, se refere a esse monstruoso assassinato e à luta da mãe para reaver o corpo e poder enterrar seu filho. Pra quem ainda não viu, posto abaixo a íntegra desse ótimo filme e a linda canção do grande Chico.

 

 

Elke foi modelo, atriz e cantora. Anticonvencional e libertária, casou-se várias vezes e assumiu ter feito aborto. Adorada pelos movimentos gays, também foi rainha de associação de prostitutas no Rio. Em seu perfil no Facebook, deixou pronta uma mensagem: ‘Avisamos que nossa Elke já não está por aqui. Foi brincar de outra coisa’. Como ela mesma falava, ‘conviver é o grande barato da vida. Aproveitem e convivam’. Russa que se dizia ‘brasileiríssima’, Elke viveu sem amarras, dando exemplos de alegria e liberdade. Grande amiga de Itamar Assumpção, deixo aqui a letra da canção que ele fez pra ela. Valeu, ‘criança’!

 

Elke Maravilha
(Itamar Assumpção)

Elke mulher maravilha
Uma negra alemã um radar
Um mar uma pilha
Elke mulher maravilha
Uma branca maçã avatar
Um luar uma ilha
Elke mulher maravilha
Uma deusa pagã um sonar
Um altar uma trilha
Elke mulher maravilha
Uma prenda Ogã um pilar
O ar mãe e filha

 

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ATÉ SEXTA, PESSOAL,
COM O AGENDÃO PARA O FINDI.

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