2017, seu novato, vê se não bisa o infausto inacabado. vê se não pisa em falso tamo no teu encalço desde o ano (mal) passado trespassado nos bago nos ovário. tamo no cangaço na tua caça cassado desgraçado. tamo ligado linkado sem cansaço no teu passo teu tropeço esperado tamo speed esperançado sem desespero. não tamo de molho de môio de rabo preso. tamo de ôio. ói nosso zói anssim aceso. separamo o joio e tamo cos ôio esperto no teu truque dando um look tamo olhano de perto cada movie cada movimento. não tem bis e nem reprise de filme de fita de choro. ano passado eu morri mas esse ano eu não morro. nem vem com discurso de ônus novo enganano cozinhano o mesmo povo e chocano o antigo ovo. é nóis nas frita na grita no cio no arrepio da tez: ói nóis aqui traveis.

ÓI NÓIS AQUI TRAVEIS
(de Geraldo Blota e Lourival Peixoto)

Si voceis pensam que nóis fumos simbora
Nóis enganemos voceis
Fingimos que fumos e vortemos
Ói nóis aqui traveis

Nóis tava indo
Tava quase lá
E arresorvemo
Vortemos pra cá
Agora, nóis vai ficar fregueis
Ói nóis aqui traveis

Ói nós aqui traveis… O ano começa, novos prefeitos assumem e, cá em SP, aumentam as dúvidas e cobranças com relação à organização da Virada Cultural, evento já tradicional da cidade. Ouvi muita gente ligada aos saraus (artistas solo ou coletivos), reclamando que sempre se inscrevem e nunca são contemplados. Eu mesmo, e o sarau de que participo, ainda não fomos selecionados. Mas sempre defendi o bom trabalho dos organizadores, que se pautaram pela diversidade nas escolhas, tanto de nomes quanto de expressões artísticas variadas (e até mesmo de áreas da cidade e tipos de locais), o que pôde ser comprovado ano a ano, pela simples observação (nunca contabilizei, mas acompanhei de perto. A diversidade saltou aos olhos – leia AQUI). Não foi o que aconteceu no Rio com a festa carioca que é similar à Virada, o Réveillon (ô palavrinha lascada, sô! Vamo abrasileirar isso aí gente…).

Uma ótima matéria do Leonardo Lichote (n’O Globo de 24/12 – leia AQUI), a partir de dados oficiais, aponta que 64% dos artistas escolhidos nos últimos 8 anos, são do segmento ‘pagode e samba’. Ok, é o Rio. E é fim de ano, é uma festa, mas ainda não é o Carnaval. Vários desses artistas foram chamados cinco, seis ou sete vezes nas últimas oito edições. Tanta predileção pelo estilo talvez se explique pelo bom ‘trabalho de divulgação’ realizado por grandes gravadoras associadas a apresentadores de programas de rádio e tevê. Lamentavelmente, não há o que justifique essas distorções, além da suspeita de troca de favores, círculo vicioso de interesses e jabá, o que, traduzindo em bom português, significa tudo a mesma coisa: corrupção e descaso com a cultura e com o dinheiro público. Por isso o lema desse blog torna-se cada vez mais verdadeiro e necessário: brigar pela diversidade é garantir representatividade e zelar pela democracia. Pois sabemos muito bem que a equação inversa nos é fatal: se não há diversidade, não pode haver representatividade, nem democracia. Estamos de olho!

 

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TRABAIA, TRABAIA, NÊGO (parte 3!)

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joao

Na semana retrasada, teci comentários visionários (acompanhados de belos poemas e lindas canções) sobre a relação trabalho/previdência (leia AQUI). Na semana passada, publiquei o trailer do novo e supercomentado filme do Ken Loach, ‘Eu, Daniel Blake’, que também nos mostra o quanto os trabalhadores são maltratados e humilhados pela engrenagem que gera lucros e benefícios para uns poucos (leia AQUI). Nessa semana, conheci a nova canção do cantor e compositor João Suplicy, que aborda uma outra faceta do tema trabalho/lazer. João, filho do ex-senador Eduardo Suplicy, diz que a música surgiu de suas expectativas com relação às novas tecnologias e o quanto elas afetam o cotidiano das pessoas. Do clipe (com direção de Carlos Manga Jr), participam os músicos Fernando Nunes (baixo), Jorge Cirillo (sax) e Bocão (percussão), além do convidado especial, Zeca Baleiro. Zeca (sobre quem falei AQUI) já havia participado do projeto “Violão ao Vivo do Quarto“, onde João Suplicy recebe artistas para uma “jam”, com transmissão ao vivo em sua página no Facebook. Ouçam:

UM ABRAÇO E UM OLHAR
(João Suplicy)

Você teria todo o tempo do mundo
as máquinas fariam tudo por você
trabalhando dia e noite sem parar um segundo
você desfrutaria do seu lazer

Mas algo no caminho se perdeu
enquanto o contrário aconteceu
Seu escritório agora vive atrás de você
viaja até nas férias, junto, como esquecer?
portátil e tão prático, é tão atual
ser escravo da tecnologia é tão normal

Nos nossos dias
mais vale o tempo
de um abraço e de um olhar

 

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A NOVA CANÇÃO DO

MARCIO POLICASTRO

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O Marcio Policastro (parceiro dos grandes Carlos Careqa e Zé Rodrix) é um dos compositores ligados ao Clube Caiubi. Recentemente, sua canção “Dia de São Nunca” (parceria com Léo Nogueira) foi gravada por Sander Mecca, com participação especial de Zeca Baleiro. No ano passado, lançou o belo cd ‘Pequeno Estudo sobre o Karma’.

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O Marcio é daqueles caras antenados, ligados no seu tempo e que colocam sua arte a serviço das nobres causas. Essa música abaixo, ele compôs no ano passado, durante o longo e lento processo de cassação do intragável e unanimemente inaceitável deputado Eduardo Cunha (que era ‘Presidente da Câmara’, vejam só!). Marcio ainda citou outras questões relevantes que provocavam irados comentários na internet, louvou o grande Chico Buarque e nos ofereceu essa pérola divertida e, ao mesmo tempo, muito séria. ‘Chico ou Cunha?’ tem arranjo de Douglas Froemming e participação de Sander Mecca no vocal. Ouçam:

CHICO OU CUNHA?
(Marcio Policastro)

Sai, Chikungunya
Sai por Congonhas
Se o Brasil fosse mais Chico, menos Cunha
Me encheria de orgulho, e não vergonha

Iam legalizar a maconha
Iam distribuir a fartura
Iam ter que parar com essa bronha
De pedir volta da ditadura
Iam respeitar mais os poetas
Iam valorizar professores
Iam defenestrar picaretas
E descrer de promessas de pastores

Sai, Chikungunya
Sai por Congonhas
Se o Brasil fosse mais Chico, menos Cunha
Me encheria de orgulho, e não vergonha

Iam ter que ouvir mais as mulheres
Pra meter a colher na violência
Pesos iguais pra canetas e halteres
Só depois que chegou essa doença
Sai, Chikungunya… 

 

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AGENDINHA

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Quinta-feira – 5 de janeiro – 18h … CCT Ao Vivo: Henrique But & Banda … Primeiro show do ano no CCT, promove a estreia de Henrique But. No repertório de rock, blues e mpb, o artista (que participa do CONFACA – Confraria de Autores de Canções) mostra influências de Zeca Baleiro, The Doors, Pink Floyd, Chico Buarque, Eric Clapton e Beatles, entre outros. Entrada franca, com chopes a preços promocionais. O show começa às 21h. No Clube Come Together, à rua Marechal Deodoro da Fonseca, 123, em São Roque.

 

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Sexta-feira, sábado e domingo – 6, 7 e 8 de janeiro – 21h (sex e sáb) e 18h (dom) … Almir Sater … O grande cantor, compositor e violeiro sul-mato-grossense mistura a tradição da canção pantaneira e caipira com o folk, além de apresentar influências da música paraguaia e andina. Almir Sater é um dos responsáveis pelo resgate da viola de 10 cordas, reinventando o instrumento na música brasileira e o incorporando em seu trabalho multifacetado. No Sesc Pinheiros, à rua Paes Leme, 195, no Teatro Paulo Autran.

 

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saraucaminho

Sábado – 7 de janeiro – 16h … Sarau A Caminho Dos Versos … Sarau de música e poesia apresentado pelo poeta Osvaldo Alves, com entrada franca e microfone aberto. Na avenida Odair Santaneli, 2, no parque Cecap, em Guarulhos.

 

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beat

Sábado – 7 de janeiro – 20h … Sarau Beat … Celebrando a palavra falada e os expoentes da geração beat, a Comuna e a Saraguina Filmes apresentam o sarau, uma festa dedicada à poesia e ao pensamento dos poetas e autores do movimento. Noite de autógrafos com o poeta e ensaísta Claudio Willer, além de ‘récita beat’ com ele, Roberto Bicelli, Ademir Assunção, Mário Bortolotto, Gabriel Rath Kolyniak, Guilherme Ziggy, Mauricio Salles Vasconcelos, Vanderley Mendonça e Joaquim Bührer. Na rua Cardeal Arcoverde, 520, em Pinheiros. Entrada franca.

 

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galeria
Domingo – 8 de janeiro – das 10h às 18h … Inauguração da Galeria Retrô e Afins … Haverá venda de hqs, quadros, canecas e camisetas ligados a filmes, séries e games. Djs animarão a festa com o melhor do rock, hip hop e r&b. O evento ainda contará com um Arcade (fliperama) de 37 polegadas, com mais de 2000 jogos (só clássicos). No bar, lanches, refris e cerveja. A Galeria Retrô e Afins fica na rua Emiliana Pinheiro Policarpo, 22, no Jardim Santa Bárbara.

 

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tuvens

Domingo – 8 de janeiro – das 18h à 0h … Tu Vens – Tim Maia & Jorge Ben … Dia de som brasileiro com a Tu Vens e o Quarteto São Jorge mandando Tim Maia & Jorge Ben, ao vivo no palco. O baile segue com os djs Gustavo Adami, Junior Passini e convidados tocando Caetano, Gil, Chico, Novos Baianos, Alceu, Mutantes, Cazuza, Criolo e muito mais. Entrada: vip até 20h, R$15 (lista) e R$25 (porta). No Augusta 501 (Pop-Up Club), à rua Augusta, 501.

 

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Segunda-feira – 9 de janeiro – 18h … Um novo Ciclo da Ponte pra Cá … Sarau recebe o cartunista Paulo Batista, o coletivo ‘Poesia é da hora‘ (que faz sarau mensal para pessoas em situação de rua), o poeta e contista Sergio Ballouk, o fotógrafo Léu Britto e o cantor e compositor gaúcho Yunei Rosa. Na rua Aroldo de Azevedo com a praça do Campo Limpo, próximo ao terminal de ônibus.

 

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NIVER DA ELDORADO

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eldorado

Na quarta-feira (4/12) a rádio Eldorado de São Paulo completou 59 anos. Eu ouço pouco rádio. Mas, eventualmente, ouço canções na Eldorado AM desde o final dos anos 1970, quando ainda morava na casa da minha mãe. Não deixa de ser uma situação peculiar, eu ser um ouvinte eventual e, ao mesmo tempo, assíduo (por anos) e tão fiel. Ouvir ‘eventualmente’ uma mesma emissora de rádio durante 40 anos é um baita de um atestado de fidelidade, é um compromisso sério disfarçado de amizade colorida, é uma longa história de amor atravessando gerações. Saí da casa da minha mãe, fui morar só, casei, descasei, casei de novo, tive minhas filhas, entrei e saí de empregos, aprendi violão, li muitos livros, compus muitas canções, escrevi poemas, viajei, bebi pra chuchu, ouvi muitos discos, conheci muita gente legal, comemorei aniversários meus e de tantas pessoas queridas…

http://www.territorioeldorado.limao.com.br/aovivo/

Hoje trabalho no Estadão, tenho um blog em seu portal e sou ‘vizinho’ da Eldorado (no plano físico e virtual). Mas não é por ‘ser da casa’ que resolvi escrever sobre ela. É porque ela faz aniversário e, quando alguém de quem gostamos aniversaria, a gente precisa brindar a isso e declarar nossa amizade, nosso amor. Afinal, faz quatro décadas que acompanho seus diversos locutores e estilos, se revezando. E lembro de muitas vinhetas… A principal delas está nesse link:


É linda! Faz parte da minha memória musical afetiva. Assim como os programas Canto Geral, Canta Brasil, Um Piano ao Cair da Tarde, O Programador é Você, Vozes do Brasil, Jô Soares Jam Session, A Cara do Jazz, Sala do Professor Buchanan’s, os muitos especiais e tantos outros que nem me lembro mais. Atualmente ouço (às vezes) os programas Sunrise, Chocolate Quente, Som a Pino, Reserva, Radioblog, além de ser muito fã do André Góis e das várias vozes de locutores (cujos nomes me fogem) que simplesmente apresentavam as músicas (Paula Baldassarri, que saudade!). Não podia deixar passar a data, assim, como se não fosse comigo. Porque é! A Eldorado continua sendo uma das poucas rádios sem jabá de São Paulo. Vida longa a ela, minha querida rádio preferida.

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É ISSO AÍ, PESSOAL.
VAMOS FAZER UM 2017
BEM LEGAL? INTÉ!

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