Hoje tem muito som. Do bom. Tem uma pérola do Bruno Batista com a Dandara. Tem o arrepio que dá ao ouvir as verdades cantadas, desencantadas, pela Yzalu. Tem a necessária indignação das Despejadas. Tem a postura resoluta da Nina, da Gabi e da Alba. Tem uma legião de mulheres fazendo o destino com a própria mão em cada verso dos poemas falados da Mel e da Luiza Romão. Tem esses grandes artistas com a voz no coração. Então, ainda tem esperança. Na vida, na canção. E na nação.
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Eles são jovens. Talentosos. Antenados. Não são crianças bobos alienados desideologizados nem filhinhos de papai: o carái, véi! Não se calam falam cantam gritam denunciam injustiças privilégios tretas cricas e quetais. Não estão nem aí pra famas artificiais não dão ibope ao the voice ao ópio dos ufanismos globais ou à euforia consumista dos merchands comerciais nem surfam na onda pasteurizada das rádios e tevês com seus jabás. Com eles não tem oba-oba micagens papéis estereotipados nem repeteco de clichês ou blablablás chicletizados. Seus olhos sinceros lançam versos espertos. Espetam: são setas de endereço certo. Seus verbos são de se decorar de corar a cara de cair o queixo e de arrepiar qualquer sujeito. Eles quebram o côco pra ver qual é de vera a vibe do desejo. Vêm da zona periférica entre o primeiro levante do sexo a química dos sentidos a saliva fresca do beijo proibido e da luta por um lugar maneiro, livre, sem preconceito, pra semear amor-próprio e respeito ao próximo. De um jeito meio louco meio sem jeito meio assim do seu jeito. A fórmula inédita indescoberta está sendo desenvolvida enquanto se caminha. São jovens comprometidos com a minha e a tua vida. Você já deveria saber ou reaprender a sentir a poesia que eles têm a dizer sobre o novo o que veem sobre um trem que já vem que já vem que já vem… Nas vozes nas asas nos corpos em brasa na luz que extravasa e já grassa por aqui. Ouça esses moços moças que força que raça que fúria e que graça de ouvir:

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AS DESPEJADAS,
NINA & GABI,
YZALÚ E ALBA
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A banda As Despejadas (no vídeo acima e na primeira foto lá no alto) surgiu a partir de uma atividade escolar e se tornou ferramenta de protesto através da música. Formada por 5 moradoras do bairro dos Pimentas, na periferia de Guarulhos (Aline Maria, 16, Lídia Martiniano, 18, Nataly Ferreira, 17, Vitória Silva, 17, e Ariadne Pereira, 20) a banda marca presença em saraus, festas e encontros culturais e educacionais de Guarulhos e São Paulo. ‘Cantamos as dores do povo que é oprimido, que é despejado da sociedade, sem voz nem vez, e que é visto como ‘resto’: uma realidade que nós, mulheres, negras, da periferia, entendemos bem’, ressalta Vitória.

 

 

Nina Oliveira é de Guarulhos-SP. Para seus shows, escolhe músicas com posicionamento político, pois não quer ser apenas cantora e compositora, mas uma verdadeira ‘artivista’. Deseja que sua música exale reflexão sobre questões existenciais, sociais, raciais e de gênero. (Leia o que já falei sobre ela nesse outro post.)

Gabi da Pele Preta é pernambucana de Caruaru. Intérprete de sambas, bossas e jazz, é cantora de áudios publicitários. Quando criança já se apresentava em igrejas e depois fez teatro. Hoje movimenta as noites caruaruenses cantando em bares, restaurantes e eventos particulares. Prepara a gravação de seu primeiro cd.

 

 

Yzalú é de São Bernardo, região do ABC, em SP. Começou sua carreira no rap e nos movimentos sociais das periferias cantando versões acústicas de sucessos do hip-hop nacional. Seus vídeos viralizaram na net e logo surgiram as primeiras composições e parcerias. Participou de trabalhos de outros artistas do rap, como Eduardo (ex-integrante do Facção Central) e o grupo Detentos do Rap. Acaba de lançar o cd Minha bossa é treta.

 

 

Alba Brito é de Santo André, região do ABC, em SP. Canta, faz teatro e contação de história. Participa da Trupe Borboletras. A primeira vez que ouvi sua bela voz foi no cd do rapper Viegas.

 

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BRUNO BATISTA
E DANDARA
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Ouçam só que canção maravilhosa! É do excelente compositor Bruno Batista, interpretada pela voz emocionante da cantora Dandara. Uma pérola, amigos. Com direção de Arturo Saboia, o clipe também é bem bonito de se ver.

Tanto acontece entristece amortece que me atira aniquila me tira da trilha. Planejo projeto o que é certo desenho o caminho correto e me perco da linha. Já faz tanto tempo que eu ando querendo falar de Bruno Batista. Do Bruno de versos tão belos e lindas melodias. Bruno lírico poético conciso preciso audível-já… passou da hora: inadiável ouvir esse baita artista Bruno Batista agora. Ele junto com Dandara. Dandara flor tão rara rainha de voz ímpar. E também ouvir à beça e sem demora Dandara com Conrado Pera. A flor o fruto estado bruto/delicado de poesia. O iluminado Conrado. Ouvir a beleza que eles criam. Usufruir dessa filha. Ampliar essa ilha. Fazer dela continente. Contente. Cheio de gente cantante. Se alimentar dessa beleza singela se lambuzar nela e sorrir como se houvesse um sol dentro de si pra exibir. E sair girando cantando cantarolando ensolarando de cores o mundo cinzento por aí. Vasto de amores. Feliz.
 
Bruno Batista, pernambucano criado em São Luís e radicado em São Paulo, acaba de lançar seu quarto cd, Bagaça, que tem parcerias com Dandara, Paulo Monarco e Demétrius Lulo (Caixa Preta) e com o duo maranhense Criolina (Pra Ver Se Ela Gosta). Com Zeca Baleiro compôs e gravou Nigrinha, canção que puxa a execução do disco nas (boas) rádios. Sobre esse e os outros cds de Bruno, pretendo falar mais, futuramente. Aguardem!
 
Dandara é cantora e atriz. Já gravou, tocou e foi dirigida por renomados produtores teatrais e musicais. Em 2010 gravou seu primeiro ep Eu sou assim. Em 2012 gravou os cds Calidostópia! e VOA lançados na Europa, EUA e Japão. É parceira de Paulo Monarco no musical Dois Tempos de Um Lugar. No Brasil, já foi premiada em mais de 20 festivais, mostras de música e também no Prêmio Musique, do Estadão.
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UM POETA,
UM POEMA
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Esta seção abre espaço aos muitos ótimos poetas que ouço por aí, pelos bares e saraus do movimento cultural. Ou os que conheço dos vários livros comprados, doados, roubados, recebidos, aparecidos (livro é um bicho vivo…). Aqui é jogo rápido, um poema, uma pequena ficha do autor e alguns links para que você o conheça melhor. Hoje, trago o papo reto da poesia falada de Mel Duarte e Luiza Romão, duas ótimas jovens poetas. 

 

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MEL DUARTE

Poeta, ativista e produtora cultural paulistana, Mel integra o coletivo Poetas Ambulantes. Participa do Slam das Minas, de diversos saraus, publica videopoemas e tem um blog. Lançou dois livros: Fragmentos Dispersos Negra Nua Crua. É mais uma das mulheres que se revoltou quando viu o deputado Jair Bolsonaro atacar a deputada Maria do Rosário. Como resposta à essa indignação, ela escreveu o poema abaixo.

 

 

Movidas pela indignação e revolta que o machismo registra em seus corpos todos os dias, Dani Nega, Renata Martins e Mel Duarte, convidaram várias mulheres de diversos segmentos artísticos para ampliar a voz na potente poesia Verdade seja dita de Mel Duarte. Este blog está com elas e também diz não à cultura do estupro, ao racismo, ao machismo e ao feminicídio.
Participaram do clipe: Cibele Appes (edição), Débora Veneziani, Flavia Teixeira, Martinha Soares, Giuliana Maria, Daniella Barsoumian, Evelyn Cristina, Daniele Façanha, Luiza Romão, Angela Ribeiro, Daniela Barros, Maitê Freitas, Ana Sharp, Ana Paula Xongani, Klarah Lobato, Ivy Souza, Mirella Façanha, Paola Lappicy, Agnis Freitas, Karla Mariana Andrade Silva, Dandara Gomes, Rita Teles, Bárbara Esmenia, Neide Lopes, Suelen Moreira, Ruth Melchior, Fabi Ribeiro, Kakau Gusmão, Daniele Braga, Bruna, Evelyn Lima, Agnes Maria, Karimá Serene.

 

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LUIZA ROMÃO

Poeta, atriz e diretora de teatro, Luiza nasceu em Ribeirão Preto. Em 2014, publicou o livro Coquetel Motolove e participou de inúmeros saraus/slams. Criou mais de quinze videopoemas. Formou-se em Direção Teatral na ECA/USP. Já fez parte da Cia Ato Reverso e do grupo Teatro Documentário. Atualmente, trabalha na Fábrica de Cultura da Brasilândia, na zona norte de São Paulo e integra o coletivo Literatura Ostentação. ‘Eu não quero ser poeta que só escreve discursos, eu sou uma militante que escreve poesia’. Ano passado, postou um vídeo onde recita Projétil de Lei, seu poema sobre a redução da maioridade penal. O vídeo teve mais de 5 mil compartilhamentos no Facebook. Veja você também:

 

 

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AGENDINHA
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Passei a publicar o Agendão dos Saraus para o Fim de Semana num post separado, todas as sextas-feiras. Abaixo, seguem algumas sugestões para essa quarta e quinta-feiras. Acompanhe também as muitas opções contidas nesse link da Agenda da Periferia, como os shows de samba e hip hop, as peças de teatro, os festivais, as oficinas e os vários eventos literários. Informe-se, atue e divirta-se!
6/julho – quarta-feira – 18h30 … ‘Dicionírico: prosa poesia e riso’, de César Magalhães Borges … De A a Z, em forma de dicionário e com linguagem leve e bem-humorada, o poeta César Magalhães Borges nos brinda com contos, crônicas, esquetes teatrais, poemas lúdicos, satíricos e frases absurdas. O lançamento do livro e um bate-papo com o autor acontecem na Livraria Martins Fontes.
6/julho – quarta-feira – 19h … 1ª Epicontro – Sarau … Iniciativa do Epigrama Coletivo Editorial em parceria com o Instituto Sarath, reúne poetas interessados numa arte que contemple a ‘reinvenção pessoal de um projeto estético’. O evento contará com a participação dos escritores Laercio SilvaLuciano Garcez, Juan Toro Castillo, Clayton de Souza e Marcelo Torres. Com palco aberto (estarei lá, cantando) e entrada franca. No Instituto Sarath, na Vila Mariana.

7/julho – quinta-feira – 19h … Rafael Gallernie e Guilherme Papini … O Festival Amendosom será realizado em 4 dias, todas as quintas-feiras do mês de julho (07, 14, 21 e 28) a partir das 19h, com microfone aberto até às 20h. Depois, show de Rafael GallernieGuilherme Papini. Exposição de Natália Pires. No Void Club, em Guarulhos.

 

 

7/julho – quinta-feira – 20h30 … Saco de Ratos no Centro Cultural – Grátis … A banda se apresenta com o dramaturgo e cantor Mário Bortolotto, Fabio Brum e Marcelo Watanabe (guitarras), Diego Basa (baixo) e Rick Vechione (bateria). Grátis (retirar ingressos duas horas antes do show). No CCSP.

 

 

7/julho – quinta-feira – 21h30 … MPB Universitária … Artistas do coletivo (formado por Marcio Policastro, Léo Nogueira, Rica Soares e outros) se apresentam no Garagem Vinil, em Pinheiros.

 

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E pra terminar esse post feminista, orgulhosamente apresento a grande Elza Soares, cantando Maria da Vila Matilde (de Douglas Germano), também conhecida por Ce vai se arrepender de levantar a mão pra mim:

 

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ATÉ SEXTA-FEIRA, PESSOAL,

COM O AGENDÃO PARA O FIM DE SEMANA.

E (SEMPRE) ALGO MAIS!

INTÉ!

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