6 horas da manhã. O despertador toca. O insuportável pi pi pi pi no escuro do quarto. E o primeiro pensamento é: tem certeza de que hoje não é domingo? Não, sem chances, ainda é quarta-feira. Coragem.

Mas sua cama está como areia movediça. Por mais que você tente sair, vai se afundando nela, está preso, simplesmente não consegue se levantar.

Só mais 5 minutinhos. Mais dez, vai. Quinze. Ainda dá.

E então você vê que já passou meia hora e o mau humor de acordar cedo se transforma no mau humor dos atrasados. Tropeça no guarda roupa, sai com a primeira roupa que cai na sua cabeça, procura um café da manhã portátil e sai correndo.

As horas vão passando: 8, 9, 10. Você saiu da cama, mas a cama não saiu de você. O corpo está no trabalho, mas você ainda sonha com o tato dos pés no lençol, com as bochechas encostando na fronha.

Mas, acima de tudo, você sonha com seu pijama.

Não importa se ele é bonito ou não, se é de seda ou de algodão, se é novinho ou se é milenar, desbotado, estragado.  Não importa se é camiseta de candidato a vereador ou camisola com renda francesa. É seu pijama, seu querido, sua maior saudade nessa manhã de quarta-feira.

Existe uma certa mágica no pijama. Ele tem a capacidade de te retirar da sociedade e te resguardar de qualquer demanda que ultrapasse os limites das paredes da sua casa. Uma simples peça de roupa que te torna imune ao mundo. Pijama é mais forte que armadura.

Talvez por isso, aos domingos, tenhamos tanta resistência a tirar o pijama. Porque, na verdade, o pijama é um estado de espírito. É como ter um status de indisponível para um chat, mas perante a vida em geral.

Mas não, você está aí com essa sua roupa de trabalho. E sapato. E sono. Muito sono. E saudades, muitas saudades do seu edredom. Por sinal, aposto que você trocaria cerca de 50% dos seus colegas de trabalho pelo seu edredom, sem pensar duas vezes.

Pior que isso, só depois do almoço.  Se tiver feijão preto, lasanha ou suco de maracujá, é caso de perda total. Começam aquelas pescadas que fazem a cabeça tombar que nem galinha degolada. A depender do grau, até babar a gente baba. E então se inicia a odisseia do café. Chá mate. Energético. Daí pra baixo.

Chega dezembro, chega a hora da estrela, mas não chega o fim do expediente nem a hora do ronco. E a zumbizeira vai andando para frente, e a zumbizeira vai andando para trás. Gueeeenta meu filho.

Pois é, estamos todos no mesmo barco. Pertencemos ao mesmo bonde. Mas o que a gente queria mesmo não era compartilhar barco nem bonde, mas sim um belo, grande e macio colchão.  Não tá fácil não.

 

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