Morar fora é uma eterna dualidade: coisas maravilhosas, coisas terríveis. Como já escrevi, é uma vida na corda bamba: querer estar aqui e, ao mesmo tempo, querer estar lá. Vamos nos habituando a quase tudo, mas há alguns momentos em que toda a estranheza volta a galope. E a Copa do Mundo é uma dessas horas.

 

Crescemos nesse país onde Copa é assunto sério. Onde as ruas são pintadas de verde e amarelo, onde as conversas se tornam monotemáticas, onde não tem aula se há jogo do Brasil, onde- por um mês que seja- a gente esquece quase tudo e se permite o luxo de festejar cada passe.

 

Mas quando a gente mora fora não é assim. Não são só as cores que mudam. Muda todo clima. Em alguns lugares, nem clima de Copa há. Falta festa, falta barulho, falta ver tudo parar por causa de uma bola. Surge uma sensação incômoda de que, pelo menos naqueles 30 dias não era ali que a gente deveria estar. Era “em casa”, no Brasil,  de verde, de azul e de amarelo.

 

E por mais que a gente dê um jeito de festejar, se juntando aos brasileiros que estão próximos, colocando a cerveja para gelar, enchendo potinhos com amendoim e até arranjando uma churrasqueira, seguimos sentindo que estamos no lugar errado. Na cabeça ecoa “cara, não é aqui que eu deveria estar hoje”.

 

Não se ouvem os fogos, rojões e vuvuzelas quando nosso jogo começa. Não há buzinas loucas a cada gol que fazemos. Temo que gritar mais e mais alto para ocupar nosso espaço sonoro no vácuo. A torcida parece ter que ser em dobro, em triplo, em quádruplo. Parece que tem muita coisa faltando.

 

Tudo bem, a gente vai levando. Mas não dá pra negar, passar a Copa longe do Brasil é sofrido. Um pouco como acontece no ano novo e no carnaval. Talvez até um pouco mais intensificado. Parece ser uma coisa de alma. Como se nosso corpo estivesse num lugar, mas a alma se arrastasse para o Brasil, dizendo que é ali o seu lugar.

 

Morar fora, como já diria o poeta, é bom mas é ruim. Morar fora em tempos de Copa, é mais ruim do que bom. Mas quem decidiu viver em outro país já aprendeu que nessa vida não há muito tempo para mimimi. Pode ficar chateado mas tem que tocar o bonde. É sempre assim. Daqui a pouco isso passa e as coisas fazem sentido de novo.

 

Mas, dessa vez, tomara que voltem a fazer sentido com um hexa de brinde, pode ser?  Segue o jogo.