São lindas aquelas moças com nariz de boneca, miudinhos, um pouco arrebitados. São lindos aqueles rostos cujo perfil é digno de foto contra a luz, em pleno pôr do sol. São sim. Tudo que é perfeitinho é inevitavelmente bonito, não há como negar.

Mas um narigão pode não ser exatamente um problema. Ou, pelo menos, ser um problema menor do que seu tamanho em centímetros. E pode acabar até virando um charme, consoante o caso.
Gente, vamos lá, precisamos conversar sobre essa coisa de narigão.
Tive minha fase adolescente de ódio a esta coisa que cresceu desenfreadamente entre meus olhos e minha boca. Hoje passou. Não sei se eu só me acostumei ou se acabei criando até algum afeto por esse negócio.
Narigão é um critério subjetivo. Não há definição exata. O mesmo nariz em duas caras diferentes pode passar de narizinho para monstruosidade. Assim como o mesmo nariz na mesma cara pode ser normal para uns e aberração para outros.
Até porque existem diversos tipos de narigão. Os básicos são a tradicional batata, os pontudos e os de bruxa. Mas há alguns mais peculiares. Os que estavam indo bem, mas têm uma deformidade marciana na ponta; os que parecem uma mão fechada no meio da cara; os que são curtinhos, mas têm a largura do Canadá; os que enganam de frente, mas assombram de lado (#tamojunto); os que nem são grandes, mas comportam narinas onde cabem bolas de golf e os que têm ossos absolutamente inexplicáveis em sua composição. Às vezes parece até que tem um nariz nascendo no nariz da pessoa.
Venho observando os narizes alheios há alguns anos e estimo que cerca de 50% da população mundial seja nariguda (na Itália, na Turquia, na Arábia Saudita, no Líbano e na minha família esse índice sobe para algo em torno de 80%). E acho isso ótimo. Não porque me sinta menos sozinha (tá bom, é por isso também), mas porque narigão, feio ou bonito, dá personalidade às fisionomias. Um narigudo nunca passa despercebido. E também é bacana porque é possível se entreter com a cara de pessoas narigudas quando você está numa sala de espera sem bateria no celular. Nós, narigudos, prestamos um serviço de entretenimento gratuito para toda a população.
Narigudos queridos, não se envergonhem. Não se reprimam. A vida nos fez assim e nossos narigões nos fizeram mais fortes. Você sobreviveu aos amigos que disseram que seu nariz chegou meia hora antes de você. Sobreviveu ao pânico de quando um paquera estava sentado no lugar cuja vista era o pior ângulo do seu nariz. Sobreviveu ao drama dos óculos que nunca dão certo nunca por causa dele. Sobreviveu aos olhares intrigados das crianças (“nossa, você parece o Pinóquio quando mente”). Sobreviveu aos apelidos: tucano, nariga, turco, naso, tamanduá, napão, gonzo, luciano huck.
Sério, não fiquem cogitando cirurgia plástica quase sempre que se olham no espelho. Ė plenamente possível ser lindo e narigudo ao mesmo tempo. Exceto se você for como uma menina que estudou comigo cujo nariz parecia aquele tobogã do programa do Silvio Santos, que as pessoas tinham que descer com uma bandeja de suco. Aí talvez seja o caso de um orçamento com o cirurgião. Ou não, se você estiver bem com isso.
O importante é estar bem resolvido. E assumir sem medo “sou narigudo sim”. Ficar disfarçando é um erro. Amigo, sério, esse negócio tá no meio da sua cara, tá todo mundo vendo. Aceite, conviva, divirta-se.
Você está muito bem acompanhado: Uma Thurman, Ibrahimovic, Penélope Cruz, Rodrigo Lombardi, Adrien Brody, Zidane, Sarah Jessica Parker, Carlinhos Brown, Owen Wilson, Javier Bardem e, até nossa diva, Gisele Bundchen, que tem um narizinho bem razoável. Somos um belo time: muito nariz, muita personalidade, muito charme, muito amor pra dar e muito oxigênio pra roubar.
Como diria a nariguda Lady Gaga, born this way, baby. ❤️
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