Acredito que um dos principais fatores de desgaste das pessoas no ambiente de trabalho seja a competitividade. Por vezes, de fato, ela é necessária. Mas acho que em 80% dos momentos em que as pessoas são competitivas, elas simplesmente não precisariam agir assim. Trata-se de uma mentalidade, de um padrão de comportamento que se instalou e do qual ninguém sabe se livrar agora.

 

Ocorre que esse clima de terror, que nos faz confundir empenho com ganância e crítica com inimizade, é infinitamente potencializado na relação de trabalho entre as mulheres. E isso provavelmente é apenas um reflexo da mentira que nos é imposta pelo senso comum no nosso cotidiano: mulheres são inimigas por natureza.

 

E então as coisas começam a acontecer da seguinte triste forma no ambiente de trabalho: mulheres olham para outras mulheres no ambiente de trabalho com muito mais desconfiança do que olham para os homes. Mulheres criticam outras mulheres com muito mais severidade do que o fazem com colegas do sexo masculino. Mulheres avaliam as outras pela roupa, pelo cabelo, pela bolsa e pelo sapato. Será mesmo que a gente deveria estar fazendo isso?

 

Chegamos ao cúmulo de ouvir mulheres dizerem que não gostam de trabalhar com outras mulheres. Que são complexas demais, complicadas demais, que preferem trabalhar com homens. Será possível que não percebemos que isso é auto sabotagem? Que a cada vez que falamos mal de uma colega em virtude da sua condição de mulher estamos falando mal de nós mesmas?

 

Esse comportamento trabalha na total contramão da emancipação e do empoderamento feminino. É um desfavor para todas nós. Fortalecemos a figura do homem e agravamos ainda mais a situação das mulheres, que já são vulneráveis no mercado de trabalho por razões históricas e sociológicas.

 

Agora imagine se fosse diferente. Imagine se mulheres percebessem o quão incrível é trabalharmos juntas. Sem ter que batalhar por um olhar de igual para igual como frequentemente temos que fazer com homens. Sem sofrer tanto com mansplaining ou manterrupting. Sem receber olhares tão curiosos para seus decotes ou para suas pernas. Imagine. Imagine como seria bom juntas.

 

Não se trata de não querer trabalhar com homens. Pelo contrário, esse equilíbrio é super importante. Homens não são inimigos, nem mulheres o são. Trata-se de entendermos que mulheres não precisam se render a essa inimizade fictícia, nem à competitividade desnecessária. Trata-se de percebermos o quão melhor é aliarmos nossos esforços, somarmos nossos talentos e crescermos juntas.

 

Imagine como seria melhor assim. Imagine juntas.

 

Na semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, decidimos eu, Rita Lisauskas e Nana Soares, três blogueiras, três amigas, criar três textos amigos, três textos irmãos. Todos eles falando sobre a importância da união feminina, cada um de um ponto de vista diferente. Queremos, nessa semana, mostrar o avesso da competitividade entre mulheres – poderíamos estar disputando likes, shares e leitores, mas não é nisso que acreditamos, nem é isso que queremos ser. Nossa condição de mulher nos une, nossas diferenças nos enriquecem. Como diria a poeta: “se juntas já causa, imagina juntas”. Se individualmente já somos fortes, imagine unidas.