Não sei bem o que acontece com a minha geração. Alguns dizem que ficamos assim por causa de stress, de excesso de trabalho e por não saber a hora de parar. Outros dizem que é por trabalhar sentado muitas horas. Outros também mencionam a má postura para usar o computador. Não sei.

 

Enfim, acho que são vários os vilões e são diversos os erros. Mas o fato é que chega quase a ser engraçado- o famoso seria cômico se não fosse trágico- esse movimento de envelhecimento precoce das nossas costas. Minha avó, às vésperas dos seus noventa, parece estar melhor que a maioria dos meus amigos.

 

Notei que minha situação não estava mesmo boa, quando percebi que o travesseirinho do avião, nos voos longos, já não serve mais para apoiar a minha cabeça, mas sim para calçar a lombar naquele vão que fica entre o cóccix e a poltrona. Não satisfeita, quando coloco o travesseirinho, dou um suspiro de alívio que eu achei que só era possível depois dos 50. Coragem.

 

Outro dia um amigo de 29 anos me narrava as maravilhas da acupuntura para a sua dor na parte de baixo das costas. Até ontem falávamos sobre baladas, bebidas e paqueras. Hoje falamos sobre as maravilhas da medicina oriental. A dor nas costas ganha de todos os assuntos. Ok, segue o jogo.

 

A amiga historiadora começou a sentir dores no nervo ciático aos 26. A amiga dentista se lascou desde que entrou na faculdade e começou a trabalhar naquela posição infeliz. A amiga advogada já travou o pescoço no meio de uma audiência e não sabia o que fazer. Jesus amado, a coisa não vai nada bem conosco.

 

Comemorei minha entrada nos 30 com minhas primeiras sessões de fisioterapia. O ombro, que há anos já doía na parte de trás, refletindo na nuca e dando até dor de cabeça, começou a doer também na frente, me acordando de madrugada para tentar mudar a posição do travesseiro. Era fácil ficar tomando relaxante muscular, mas eu percebi que não podia viver assim pra sempre.

 

Que jeito? Já falamos um pouco menos sobre sapatos para falar sobre os benefícios do pilates. Já substituímos alguns debates políticos por indicações de lugares para alongar as costas na yoga. Já trocamos as conversas sobre marcas de vodka por debates sobre marcas de analgésico. Não tá fácil pra ninguém.

 

É evidente que tem algo de muito errado acontecendo. Minha avó me pergunta “está melhor do ombro querida?” eu digo que sim e ela sorri. Um diálogo invertido. Geração esquisita a nossa. É um círculo vicioso: trabalha demais, fica estressado, trava as costas, precisa pagar o tratamento, trabalha demais, fica estressado, piora as costas. Será que um dia isso tem fim?

 

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