Calma, amiga

as coisas estão desajeitadas, eu sei

Venta demais,

voa folha desgovernada,

voa cisco no olho,

e lembranças doídas

do que já vimos na estrada

Mas, calma

Calma que o dia amanhece

e leva embora devagar

seus fantasmas que gritam

seus demônios discretos

seus traumas sombrios

e seus medos desertos

Calma, amiga

Você tem medo

E, no fundo, eu também

Mas resolvi decidir

que é tudo bobagem

e te pintar uma imagem

que te permita seguir

Calma, amiga

Porque seus medos são grandes

Mas você é imensa

Mesmo quando perde a lembrança

De que é maior do que a Urca

E se julga pequena

Quebradiça

Criança

Calma, amiga

Porque sempre que você for pouco

Eu serei o resto

E seremos maiores

E mais fortes

E mais firmes

Do que qualquer futuro incerto