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Ilustração: Lucas Tonon

Quando alguém perguntar “Oi, tudo bem?” e a resposta for “sim, tudo”, acredite, está tudo em ordem. Mesmo. Não vai ter nada de errado. Pior do que não estar bem é estar, precisando ainda por cima ter que convencer o outro de que, de fato, você está tranquilo, numa nice.

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Tudo bem que o “tudo bem” sai muitas vezes por inércia. Praticamente um vício de linguagem, um cacoete. Escapa sem que estejamos bem de verdade. Perguntam e quando menos percebemos já foi: dissemos. Estamos bem, mesmo quando não. Mas não estou falando desses casos agora.

Me refiro aos ditos conscientemente, depois de um rápido exame emocional. São ocasiões geralmente envolvendo pessoas próximas, merecedoras de total honestidade quanto ao nosso estado de espírito. Por exemplo: se você perguntar a um amigo se está tudo bem e ele disser que sim, não há do que suspeitar Não encafife. É sempre melhor acreditar do que ficar encastelando hipóteses.

Parentes de maneira geral são craques no esporte. Embora muitos até tenham um certo poder de adivinhar se algo vai mal, não quer dizer que eles acertem 100% das vezes. Aliás, quando acertam, pode apostar que foi por alguma pista que você mesmo deu sem querer: um sorriso amarelo, uma voz meio chorosa, olhos marejados. Qualquer coisa que estampou a bad vibe na cara, denunciando esse bode impossível de esconder.

Nem sempre, porém, cara fechada e tristeza são sinônimos. Eis uma lição a ser ensinada aos nossos entes – pais principalmente. Quem não está com um sorriso no rosto pode estar: com sono, concentrado, estar pensativo, preocupado, atrasado, com fome – na casa de todo mundo, cara feia já foi fome. Ou pode estar feliz mesmo. Dá para ser feliz sem sorrir o tempo todo, sorrir para dentro. Tá tudo bem se for qualquer uma das opções anteriores.

E se for por não estar tudo bem, tudo bem também. Nada contra se não estiver, acontece. A gente tem nossos dias: acordamos com a pá virada, pelo lado errado da cama, vestindo as roupas do avesso, perdendo compromissos. Faz parte. Mas às vezes a impressão que dá é que é um direito de todo mundo, menos o nosso. Pode não estar tudo bem. Fique tranquilo, as pessoas precisam entender. Depois vai ficar tudo bem. E tudo bem.