Atitudes como as de Fernanda Torres mostram que o mundo parece ainda ter jeito. Ontem, a atriz veio a público pedir desculpas pela coluna “Mulher”, escrita por ela no início da semana no blog #AgoraÉQueSãoElas, da Folha. O texto provocou revolta de muita gente, principalmente de gente ligada aos movimentos feministas, pela forma como abordou o tema dos direitos da mulher: segundo a própria atriz,  “do ponto de vista de uma mulher branca de classe média”.

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Fernanda Torres deu uma lição de moral, reconhecendo ter feito merda da mesma forma como quando fez a merda: publicamente, botando a cara à tapa.  Um exemplo de humildade, dado por alguém que podia muito bem estar cagando para o que os outros pensam.

Falar besteira faz parte. É um risco que corremos em tempos em que todo mundo precisa expressar uma opinião, doa a quem doer. O problema é sempre nos esquecermos de pagar o  preço que custa falar pelos cotovelos: o de assumir a bucha depois. Quase ninguém tem culhão.

Quem gosta de emitir opinião tem a pompa de falar o que pensa, mas precisa também ter a mesma pompa na hora de dizer que errou. Foi o que fez Fernanda Torres, que nem precisava, se não quisesse (afinal de contas, ela é a Fernanda Torres  e continuaria sendo, independentemente do que escrevesse).

Sua postura é um lembrete de que tudo bem errar, tudo bem mudarmos de opinião no meio do caminho, tudo bem darmos conta de ter feito uma cagada tarde demais, apesar de nunca ser tarde o bastante para pedirmos desculpas por ela. A internet é um espaço infinito onde cabe tudo, inclusive nossas retratações. Não é só, como muita gente pensa, um depósito de achismos.

Precisamos apenas de humildade. Nada mais impede que confessemos nossos tropeços, a não ser nossa vaidade e a falta de coragem de dar o braço a torcer.

Não há nada de errado com isso. Ser humilde tem que deixar de ser apenas um adereço de nossas personalidades. É preciso que seja um estilo de vida, praticado, vivido, sido. Não é ser franciscano. Ser humilde é alardear os nossos próprios erros, em sinal de desculpas aos agredidos, em sinal de alerta para que não tenhamos mais outros agressores como você foi um dia. Obrigado, Fernanda.