Tenho a impressão de que os gays vivem rodando a baiana. O curioso é que também tenho a impressão de que eles quase sempre têm razão. Poucos sabem o que é viver parte da vida trancado num armário. Sair de lá não é tarefa fácil, ainda mais quando há tanta gente tentando empurrá-los de volta pra dentro. Quem sai é corajoso e, infelizmente, não conhece a liberdade. Quem sai conhece Eduardo Cunha, Marco Feliciano, o preconceito e as outras utilidades das lâmpadas fluorescentes.

Outra impressão que tenho é de que os pobres são discriminados. Alguns até conseguiram  arranjar uma casinha com a ajuda do governo. A grande maioria, no entanto, ainda tem de se contentar com bancos de praças, ou calçadas. Não são felizes, mas admitem que a vida já foi melhor. Preferiam quando ninguém se incomodava tanto com pobre. Nessa época, mendigo costumava morrer só de fome, ou de frio. Hoje, indigente costuma morrer incendiado, ou a tiros disparados pela própria polícia.

A Igreja Universal do Reino de Deus propôs uma solução: os Gladiadores do Altar. Salvar almas pela disciplina teo-militar: marche, bata continência a Deus e se prepare para a batalha. Os inimigos estão à solta. Parte dos pastores suspeitam que eles costumam se vestir de mulher. Parte acha que é a pobraiada que deu calote no dízimo.

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O mundo está assim, pois as pessoas que vivem nele são assim. Eduardo Cunha não se elegeu por vontade de Deus – embora ele deva acreditar um pouco nisso.

Se sair seco da Lava Jato, o deputado (que também é pastor) prometeu lutar pela instituição do dia do orgulho hétero e, de quebra, dificultar a vida dos gays que desejam formar famílias. O mendigo morto a balas em Los Angeles não sabe até agora porque raios levou tanto chumbo dos policiais. De herança, deixou uma caixa e um cobertor.

São Paulo também está assim, pois faz parte do mundo. E dá morada a pessoas como Michel Tuma Ness, até aqui apenas o presidente da Federação Nacional de Turismo (Fenactur). Em janeiro do ano passado, doutor Michel escreveu uma carta ao prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, pedindo providências em relação aos “sem teto” e “tribos de GLS” que tornam o Largo do Arouche, no centro da Cidade, um “decadente” e um local “a ser evitado”. A íntegra da carta, caro leitor, está no final desse texto. Procurado pelo blog, doutor Michel confirmou a autoria da carta e afirmou que o “problema” havia sido solucionado pelo prefeito.

Michel Tuma Ness é presidente da Fenactur e do Clube do Feijão. Em entrevista ao Jô, doutor Michel contou ser entusiasta e colecionador de pimentas. Perguntado sobre o motivo pela paixão à iguaria, o empresário diz: “Bem, eu tinha hemorroida”.

Caro Michelão, me permite um conselho de brother? Melhor cuidar da sua bunda primeiro antes de se preocupar tanto com o traseiro dos outros. Abs!

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