Pare e pense: Achiropita. Em mim, nesse momento, algo vocifera da barriga, quase me convencendo de que o processamento daquele tipo de dado mudou de setor. Rolou goela abaixo, da cabeça para o estômago, em queda livre, sem escala. E acendeu o pavio que culminou na oportuna e faminta pergunta que fiz há uns 3 anos: “Achiropita… É de comer? “.

Coincidência ou não, a ingênua questão que revelou minha latifundiária ignorância veio rebocando comida. Toneladas dela. Quantidades inimagináveis para a cabeça e desafiadoras para a elasticidade de qualquer calça – nisso, senti num solavanco um outro ronco grave e abafado, afinando no fim, provavelmente em protesto do que acabei de escrever.

Mas falar de comida é justamente falar de Achiropita. Nossa Senhora da Achiropita: santa não por saber fazer um primor de polenta – pode ser que ela nem soubesse cozinhar – mas porque é santa mesmo, canonizada pela Igreja Católica e tudo mais.

Onde entra a comida? Na festa, é claro. Como em toda boa folia, os comes e bebes não podem faltar. Sobretudo nas da Paróquia da Nossa Senhora da Achiropita, no Bixiga, muito bem abastecidas com as 16 toneladas de farinha; 12, de macarrão; 11 toneladas de queijo, as 5 de linguiça e por ai vai, tudo em medidas gordas. Tutta l’Itália!

Não é pra menos. São 30 mil pessoas por noite de festa. Trinta mil bocas. Trinta mil estômagos. Para dar conta disso, só 40 nonas pilotando panelas de 55 litros. Se soubesse disso tudo desde o começo, deixaria a sinfonia de resmungos gástricos continuarem. E talvez em homenagem repetiria: “Achiropita… É de comer?”. Ah, e como…