boticario

 

Ilustração: Felipe Blanco

Causou um bafafá a propaganda do Boticário sobre o Dia dos Namorados. Muita gente ficou indignada com o comercial. “É a ditadura gay”, dispararam vários internautas. Estranho é que até hoje nunca fui obrigado por ninguém a virar a casaca. Virou quem achou que tinha que virar. Se você se sente oprimido quanto a isso, talvez signifique alguma outra coisa. Não é ditadura, é recalque. Consulte um analista.

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Encontraram o ditador. Um pastor americano acusa ser o Pokémon. Crianças que assistem ao desenho teriam mais chances de ser gay. Faço um breve exame de consciência e me deparo com o nome dos bichinhos ainda frescos na memória. Tive também uma coleção de tazzos e um jogo de cartas do seriado japonês. Se o pastor soubesse a meu respeito, diria que sou o Bruce Jenner – ou melhor Caitlyn, bitch, please.

Homossexuais existem, aceite (que dói menos). A Globo – que é a Globo –  já aceitou. Não faz mais sentido essa resistência em tempos que a Fernanda Montenegro pega a Nathalia Timberg em horário nobre na TV. Qualquer movimento social contrário é intolerante e anacrônico.

A repercussão da publicidade do Boticário só revela o quanto boa parte das pessoas está maluca. Ficam incrédulas com um anúncio em que casais aparecem trocando presentes e abraços pelo dia dos namorados, mas se calam quando vazam as fotos de um pastor casado comendo uma fiel de sua própria igreja. Enquanto imperar essa hipocrisia, infelizmente, o amor vai sair perdendo sempre.

Os gays não fizeram nada, a não ser viver como outra pessoa qualquer, que come, respira, dança, viaja, namora, se beija, que ama. Todo mundo tem esses direitos. Ditador é quem acha o contrário. Deixem os gays em paz.