arte: loro verz

»Ufa. Enfim podemos voltar a ser amigos. Dilma já caiu, e a turma lulista, inclusive o próprio, se enrola dia a dia na névoa das propinas, favores, cortesias e jeitinhos que precedem o precipício.

Aécio já caiu, carcomido pelos cupins – ele mesmo um cupim – que roeram o edifício de seu sobrenome, deixando nada além de pó e dejetos no lugar. Logo ex-senador, logo ex-presidenciável, logo ex qualquer coisa cuja importância na história do país não tomará mais do que nota de rodapé.

Temer já caiu (falta apenas a notícia chegar à longínqua Brasília). Sumirá num labirinto de mesóclises, arcaísmos e preciosismos linguísticos que não disfarçarão a sua falta de apoio e de legitimidade.

Todos os conspiradores eventualmente são vítimas de conspiração. E caem.

Sim, as amizades por interesse duram um piscar de olhos. Fogem ao menor sinal de tempestade. Quem quer ser amigo de Dilma, Aécio e Temer, agora?

Ninguém, ninguém do bem, é claro. E os nossos amigos? Os amigos que perdemos nas disputas entre coxinhas e petralhas, os amigos que perdemos em meio ao rebuliço das redes sociais, aos gritos das manifestações, aos cartazes sarcásticos das ruas? Onde estão os nossos amigos?

A boa notícia é: estão aí. Oxalá deram-se conta do ridículo que foi brigar para defender um tucano ou um petista, da piada que têm sido as CPIs, os impeachments, os solenes pronunciamentos em cadeia nacional – com ou sem panelaços. Já lhes caiu a ficha que, enquanto enlouquecem e enrouquecem na defesa de bandidos, bandidos revolucionários ou conservadores, os mesmos bandidos mandam bananas e vão cuidar dos honorários de seus advogados.

É difícil de assumir o ridículo, mas melhor assumir o ridículo do que ficar só, presa do próprio orgulho caricato. Ou pior, insistir na teoria de que A é melhor do que B. Petistas, Tucanos, Peemedebistas, Bolsonaristas, Sonháticos… Meu caro, eles não nos merecem. Então venha cá. Traga uma cerveja. Voltemos a ser gente, apenas gente, carne e osso entre iguais.

O Brasil afunda, mas tenhamos esperanças e celebremos, ao menos, uma coisa: enfim podemos voltar a ser amigos.«

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