Sua majestade o IBOPE

Sábado passado fui ver a exposição “Silvio Santos vem aí”, no Museu da Imagem e do Som em São Paulo e me impressionei com a excelência da curadoria, me emocionei com a viagem pelo passado e fiquei estupefacta com algumas descobertas tardias que só agora tomaram forma na minha mente, as famosas fichas enferrujadas de orelhão que emperravam na descida e demoravam para cair e completar a ligação.

O percurso na exposição é linear, você só pode ir adiante na linha tempo-espaço.  O museu oferece wifi e um aplicativo gratuito com guia de áudio da exposição (você pode digitar os números ou usar a câmera para ler os códigos QR pintados no chão dentro de estrelas da fama). As informações são comunicadas de todas as formas, em fotos, vídeos, gravações em áudio, cenários, instalações, quadrinhos, tudo, uma maravilha. A curadoria é tão genial que os prêmios físicos do programa Boa Noite Cinderella, quando a televisão não era em cores, como bonecas, vitrolinhas, bicicletas, são todos pintados em tons de preto, branco e cinza. Você vê em 3D exatamente como via na TV. Sem falar dos buracos de fechadura na parede por onde você dá ‘aquela espiadinha’  e vê telas com imagens da Casa dos Artistas.

A viagem pelo tempo faz com que todos os visitantes revivam lembranças que arrancam sorrisos involuntários, obriga cada um a cantar musiquinhas instaladas no mais profundo inconsciente infantil, permite brincar de participar de momentos da TV, como girar roletas, entrar na cabine do SIIIMMMMM! NÃOOOOO!, tirar fotos e gerar gifs animados dentro do barril do Chaves.

Apesar de tudo o que você vai lembrar, experimentar, curtir, o que mais impacta na exposição é o talento impressionante de Silvio Santos como animador e vendedor. Silvio é um comerciante que usa todo o poder da comunicação para seu objetivo final: vender. A instalação da ‘barca’ do começo da carreira de Silvio (não vou dar spoiler) mostra como ele criou um sistema de som numa barca de transporte do Rio de Janeiro para gerar vendas. Por que? Por que música faz dançar, dançar dá sede e sede pede bebida, que era o que ele vendia nas barcas. Todo o entretenimento era para vender uma marca de bebidas da qual ele era representante.

Mais que isso, Silvio conhece o povo, o gosto popular, o seu público. As brincadeiras são todas simples, sem nenhum pré-requisito. Brincadeiras de rimar, completar, adivinhar, girar roletas, jogar dados, coisas que uma criança de cinco anos consegue fazer. As técnicas de repetição, as perguntas infinitas para as colegas de trabalho que estão no auditório, o interesse genuíno nos participantes, completam o carisma hipnotizante de Silvio. Quem neste mundo faria um quadro chamado ‘Sua majestade o Ibope’, com plaquinhas indicando representantes de classes sociais dizendo ‘rica’, ‘média’,’pobre’,’+pobre’? E o prêmio vai para quem respondeu ‘Sua majestade Silvio Santos!’ . A resposta está CERTAAAAAAA!  Lá, lá, lará, OI, Lá lá lará, OI, la lá lara, lara lara lara, Silvio Santos vem ai!