Se você pesquisar o livro dos recordes, o famoso Guinness, vai encontrar coisas como a pessoa mais alta e a mais baixa que a humanidade já conheceu, a de maior e menor peso do mundo e muitos outras extravagâncias ligadas ao corpo humano.

Por mais variações, no entanto, tudo está dentro de uma faixa de proporções. Não existe,  não existiu e nem existirá, um ser humano de 10 metros de altura, ou que pese 5 toneladas, ou que possua 33 braços. Com todas as diferentes configurações, existe um consenso sobre o que seja o corpo de um ser humano, assim como existe a ideia do corpo de uma girafa, um hipopótamo ou um hamster.

Acontece que, por pressões da moda, da mídia, da sociedade em geral, dos ideais estéticos de um determinado grupo dominante ou sei-lá-mais-o-que, vivemos num mundo e numa época onde, aparentemente, não se fala de outro assunto a não ser ‘corpo’.  Ou porque as pessoas querem um corpo magro, ou porque não estão satisfeitas com seu corpo e querem modificá-lo, ou porque reclamam que sofrem bullying por causa de sua forma física, ou porque querem vender a imagem do seu corpo como atraente, ou qualquer outro motivo envolvendo seus corpos. Fato é que CORPO parece ser o único assunto de uma grande parte do mundo.

Sim, sim, eu sei que bebês não nascem em repolhos e que a programação biológica humana blá blá blá. Mas, mesmo tirando essa parte reprodutiva, sobre um universo de assuntos ligados ao corpo e a todos os seus detalhes. Só pra ter certeza que não era só uma implicância minha, fui até o nosso guru moderno, o Google, pra ver quantos resultados existem em pesquisas para palavras como ‘dieta’ e ‘felicidade’. E o resultado foi:

Felicidade: 64.100.000
Dieta:         208.000.000

Quer dizer, as pessoas procuram 3 vezes mais por DIETA do que pela FELICIDADE. O que responde aquela pergunta famosa do ‘Você quer ser feliz ou ter razão?”A resposta é: nem um nem outro, as pessoas querem ser magras. E não é de agora. Dieta ganha de Felicidade desde que o Google Trends consegue medir:

Que queiram, então, tanto faz. O chato não é a pessoa querer ser magra, gorda, ter o nariz fino, o peito grande, a bunda empinada, o chato é que o ser humano contemporâneo parece ter um único interesse, que é o corpo. Seu e dos outros. Fico impressionada com a quantidade de notícias sobre qualquer mudança que famosos fazem em seus corpos. Cortar o cabelo, mudar a cor, emagrecer, engordar, fazer plástica, qualquer pequena intervenção no corpo de um famoso vira destaque. Eu nunca vi uma manchete falando que um famoso terminou de ler um livro ou fez um curso, mas basta ele tirar a sobrancelha ou depilar a virilha que os portais já anunciam com destaque.

Será que é só isso mesmo? Será que pensamento, atitude, sentimento, filosofia de vida, nada disso conta? Será que decidimos que vamos viver apenas no mundo da imagem, da aparência photoshopada, das fotos com filtro e nada mais? Claro que é legal cuidar do corpo, sair bem na foto, movimentar-se. Mas, veja, no caso dos atletas. O corpo em forma é um instrumento para o resultado, não um fim em si. Porque o jogador de futebol quer ganhar o jogo e marcar gols, ele treina e tem um corpo adequado ao esporte. O objetivo é o gol e não a cintura. Mesma coisa para qualquer outro atleta. As jogadores de volei de praia estão lá para jogar e ganhar, a forma do corpo somada à técnica são os instrumentos para o objetivo final que é competir.

Eu só sei que estou farta de tanta notícia sobre beleza, dieta, mudanças estéticas, cirurgias plásticas, como se não houvesse mais nada além da carne. Como se ter um corpo assim ou assado fosse o passaporte para a felicidade e o sucesso. Vamos investir um pouco mais na nossa mente, no nosso intelecto, na nossa alma e espírito, porque de espírito de corpo e de espírito de porco, o Brasil já está cheio.