querido leitor

Se você não tiver uma chave de fenda por perto, você vai ter que usar a criatividade e adaptar com uma faca sem ponta, uma moeda, qualquer coisa que permita fazer a operação de encaixar e girar o parafuso. Criatividade é uma coisa de D’us, linda e maravilhosa, mas como todo superpoder, só deve ser usado quando realmente imprescindível. Qualquer superherói competente sabe disso. Porque, quando a gente começa a improvisar pelo método ‘nas coxas’, por uma questão de p-r-e-g-u-i-ç-a de procurar a chave de fenda na sua casa, aí é péssimo. Péssimo. Pra vida.

A preguiça de levantar a bunda da cadeira pra pegar a ferramenta certa e realizar uma operação com perfeição é um dos piores hábitos do ser humano. Porque você tem a melhor solução pro seu problema bem pertinho de você e decide não usá-la, por pura preguiça de investir tempo e esforço pra isso. E, acredite, isso irrita muito a Deusa Sorte. É nesse momento que a faca fura seu dedo, que a moeda estraga a fenda do parafuso, que o forninho cai.

É assim que a gente queima a mão na cozinha (preguiça de pegar aquela luva de forno no fundo da 3a. gaveta), é assim que tropeçamos no tapete (preguiça de colar os cantos com aquela fita adesiva ou tapetinho de borracha que está assim desde a copa de 94), é assim que caem móveis, lustres, prateleiras, que carros batem por falta de manutenção.

O mundo oferece incontáveis limitações pra tudo na vida da gente. Falta de sorte, de grana, de oportunidade, de preparo, de conhecimento, de saúde, de lucidez. São infinitas as coisas que não podemos fazer agora, que talvez não possamos fazer nunca (tipo escalar o Everest) e que podem nos levar à frustração. Porém, tirando as mais grandiosas, existe uma miríade de pequenos gestos cotidianos que você pode fazer da melhor forma o tempo todo, gerando satisfação, melhora da auto-estima e treino pra fazer qualquer coisa do melhor jeito, uma técnica divina chamada ‘fazer direito’.

Fazer direito é uma benção. Se políticos apenas cumprissem suas tarefas direito, se motoristas dirigissem direito, se todos os professores, advogados, lixeiros, tintureiros, apresentadores, jornalistas, médicos, estudantes, todos, apenas fizessem as coisas direito, o mundo seria um paraíso. Os erros sempre vão acontecer, os acidentes surgirão, mas de forma muito mais branda, voltando pra uma estatística de flutuação praticamente normal.

Como qualquer pessoa, também sou alvo da leseira, que sempre me acomete. Mas, quando ela vem, eu ativo meu superpoder de vencer o Monstro do Azar, que ronda todo preguiçoso como um campo de desastre e acordo a Diva Sorte, que protege todos nós, da tribo dos que sabem que toda vida, todo amor, todo prazer vem dos encaixes perfeitos que só acontecem quando fazemos as coisas direito.