Pensei em começar o post me fazendo de coitadinha, dizendo que trabalho há cinquenta anos e bla bla bla. Felizmente desisti, até porque a proposta é exatamente o contrário.

Vou ter um ano de muito, muito trabalho em 2017. Amo ser chefe de roteiro do Programa do Porchat, mas taí um trabalho que exige do cidadão e de todos os envolvidos. Tem que ter muito amor, paixão, disposição, comprometimento, preparo físico, pra fazer um programa diário, numa emissora aberta de grande porte e no ritmo alucicrazy do Fábio. Portanto, preciso descansar em janeiro. Muito.

Mas ~descansar~pra mim significa acordar cinco e meia da manhã todos os dias, treinar, voltar, preparar a comida dos cachorros (natural, toda feita em casa, medida e servida, três vezes ao dia), mais preparar as três refeições diárias dos humanos da casa, lavar a louça incontáveis vezes, arrumar a casa, lavar a roupa, fazer as compras e, na hora do descanso, fazer tricô, crochet e ler um pouco. E nadar. E andar de bicicleta.

Não parece muito com férias de verdade, em hotel, com refeição servida, cama feita. É férias com trabalho doméstico.

Eu estava quase decidindo sofrer quando me ocorreu que…eu poderia aproveitar tudo isso como um curso, um aprendizado, um exercício de organização. Organizar a geladeira. A cozinha. Os armários. O tanque. O quartinho da bagunça. E se eu organizasse as cadeiras de praia, as bikes, as linhas, os talheres, todas as gavetas, as roupas.Reciclasse tudo, fizesse o jardim. Pois foi o que escolhi fazer. Continuar fazendo todas as tarefas, mas em vez de me sentir uma trabalhadora abusada em condições análogas à escravidão familiar, tirar disso um proveito.

A corrida, que pratico há alguns anos, me ensinou a ter disciplina e alegria no esforço. Eu gosto do esforço físico, eu gosto das conquistas que consigo, mesmo sendo uma atleta amadora ruim. Em 2016 eu consegui correr 10km em menos de uma hora, terminei uma meia maratona com minha filha, 21km. Grande porcaria, eu sei, mas pra mim foi maravilhoso. Porque não foi algo que eu adquiri, foi uma coisa que conquistei com muito, muito esforço pessoal. Isso é o que constrói minha autoestima, não coisas que vieram por sorte. Autoestima, pra mim, vem disso, do resultado do empenho e determinação, com pitadas de sofrimento físico mesmo.

Decidido está. Vou continuar fazendo tudo igual, só que diferente. Eu sendo diferente, eu vendo diferente. E isso, acredite, modifica tudo.