barbapapa-2-august-18th-2008Sou igual a você,  quando leio coisas a meu respeito na Internet, dou mais valor às ofensas do que aos elogios. Já me perguntei mil vezes por quê faço essa bobagem e a resposta é sempre a mesma:

  • porque no fundo meu ego gostaria que eu fosse uma unanimidade e todo mundo gostasse de mim; ou que, pelo menos, eu não tivesse inimigos.

No fundo, pra ser sincera, o que a gente queria era não ter NENHUM OPOSITOR. Olha que sonho impossível.

Pois somos todos assim. Todos. No fundo a gente espera viver num paraíso  de liberdade, onde podemos falar o que a gente bem entender e receber apenas elogios, concordâncias, sem nenhuma oposição. Esse paraíso não existe no mundo real, mas todo mundo tenta construí-lo no Facebook, esse lugar onde todo mundo só quer receber like.

Pois agora, que estamos vivendo um evento de dimensões gigantescas, a Olimpíada, percebemos que a mídia como um TODO tem esse mesmo vício de dar atenção demais pra exceção. Porque essa atitude vai de encontro ao que cada um de nós faz. O mesmo erro, na minha visão.

Claro que crimes de ofensa racial, por exemplo, devem ser denunciados e os ofensores punidos. É crime, tem que punir mesmo.

Mas, tirando a parte criminal, o que acontece é que TODOS OS VEICULOS de comunicação dão um imenso DESTAQUE  para qualquer imbecil que ofenda um atleta.

Um moleque besta, um adulto idiota, um humano qualquer que escreva bobagens sobre um participante olímpico, vai virar notícia, vai ganhar notoriedade. Seu comentário será repetido mil vezes e ele terá o troféu que buscou: atenção.

Por que a gente tem que dar TANTO destaque pras exceções? Se um país inteiro está curtindo os jogos olímpicos, porque parar essa alegria pra falar de casos isolados de ofensas tontas?

Quando um ministro fala bobagem (o da saúde…) tem que destacar É um ministro! Ele representa o governo.
Mas se um trouxa fala mal de uma atleta, anonimamente, ele representa quem? O Brasil todo? Não. Então deixe-o com sua tolice, sem eco.

Estamos viciados nas exceções, cultivamos as sementes ruins e depois reclamamos que deram frutos podres.
Reclamar vicia, olhar para o que é ruim vicia, ser pessimista vicia.

SEMPRE vai existir a exceção, o torto, o doente, sempre. É estatístico. Porque temos infinitas combinações que geram infinitos tipos de seres humanos.

Cabe à nós, população, mídia, calibrar o olhar para ver o que é importante, relevante e dar ao insignificante, a insignificância que ele merece.

Bola pra frente. Pro alto, pro alvo, bola pra cesta, bola na quadra. Bola dentro.
O resto é só não dar bola pra quem não merece.