Ontem à noite, vi na minha timeline do Twitter uma imagem de uma suposta fatura do cartão de crédito do Luciano Huck. Digo ‘suposta’ porque é uma imagem e, convenhamos, difícil acreditar em qualquer imagem da Internet.

Mas, digamos que fosse  real. (Assessoria dele já negou)  Como ela teria ido parar na timeline? E, antes mesmo de perguntar quem foi que divulgou, quem é que faz as primeiras imagens de um documento? Sim, porque, se a fatura original for em papel, alguém fotografa ou escaneia. E, se é uma imagem numa tela, alguém sempre printa  ou salva. Ou seja, tem sempre ALGUÉM que começa, que faz, que sacaneia. A partir dai, a pessoa posta, seja num grupo fechado ou na capa de um portal, tanto faz, porque uma vez solta, a pombinha voa.

Claro que, considerando-se o que qualquer um aqui ganha por mês, seja jornalista, prestador de serviço, balconista, médico, vendedor, o valor da fatura é considerado muito alto. Até em dólares. Qualquer pessoa vai dizer  ‘NOOOOOOSSSAAA!’, fatura do mês passado foi de meio milhão! Mas, aí eu te pergunto: as pessoas ficaram sabendo que o capitalismo é selvagem, que apresentadores de TV ganham muito bem, que ricos gastam no cartão por essa IMAGEM? Só souberam agora? Em caso positivo, bem-vindos ao mundo, amigos! Se vocês se chocam com gastos lícitos de dinheiro ganho com sucesso que nós mesmos promovemos para os famosos da TV, prepare-se para o choque de ver os gastos de presos como Cunha (e familiares) com dinheiro obtido de forma ilegal!

Enterremos o assunto fatura e sigamos adiante com esse conceito de vazamento de fofoca.

Quem vaza nudes de celebridades? Quem posta intimidade de famosos? E por que?

Bom, todos vazam por algum benefício. Esse benefício pode ser em dinheiro, em favor, em permuta, tanto faz. Durante muitos anos soube de funcionários que vazavam informações sobre capítulos de novela para revistas de fofocas, especialmente enquanto os atores liam os roteiros. Vazam informações de emissoras, de redações, de empresas, de famílias. Funcionários vazam informações, inimigos vazam informações, turma da zoeira vaza informações, nem que seja ‘just for the lulz’, o famoso ‘só de sacanagem’.

Vazar informação sigilosa dá uma sensação de poder. E ainda tem aquele toque de ‘vingancinha’ contra a pessoa e o sistema. Faz o vazador se sentir momentaneamente superior.

Sem contar que saber intimidades realmente pode mudar o curso da história, vide o caso dos emails de Hillary Clinton que estão fazendo o mundo tremer.

Com tudo isso, quero dizer que a gente tem que tomar cuidado com nossas informações pessoais, dados, tudo. Não tenho como confirmar, mas uma vez soube por fonte próxima e fidedigna que uma fofoca HORROROSA e íntima de um famoso de TV havia sido passada para a imprensa por uma funcionária que trabalhava na casa do objeto da fofoca. “Ah, mas bem feito, porque a pessoa que vazou deve ser uma funcionária explorada e o famoso é milionário!”. Olha, sou a favor da justiça social, mas não com uma pessoa, ainda que seja a menos privilegiada socialmente, recebendo dinheiro para vazar fofoca e intimidade de uma família, que bem ou mal recebe pra isso e aceitou o salário. Se você aceita o jogo, não pode roubar durante a partida, simples assim.

Fofoca, vazamento, sempre existiram, sempre existirão. Sempre tem que pague por elas, sempre tem quem compre. Sempre vai ter um imenso mercado ávido por consumir todo tipo de maldade. Sempre.
E sempre teremos a opção de pactuar ou não com isso.
E, quando você conhece as pessoas envolvidas, sempre fica o dilema: “Aviso ou não aviso a pessoa que tem alguém dentro da casa dela vendendo informações sobre a intimidade da família para a imprensa?”
Aí vem aquele tsunami de questionamentos como “e se ele não souber qual funcionário foi e demitir todos por medo, serei responsável pelo desemprego de todos?’ E se eu encontrar com a pessoa, sabendo que isso está acontecendo na casa dela, sem falar nada, como vou agir?

Durante muito tempo fiquei com essa crise do ‘preferia não ter sabido, mas agora que eu sei o que eu faço?’.

Acabei optando por não fazer nada, na época. Mas algum incômodo ficou. Por isso mesmo estou escrevendo esse texto agora. Pra dizer que não sou investidora da Bolsa de Fofocas. E, se recebo qualquer coisa íntima de alguém, pára em mim. Não repasso. Pode ser rico, pobre, famoso, anônimo, não importa.

Voltei lá pra casinha zero do jogo da vida que me ensinou: não faça com os outros o que você não gostaria que fizessem com você.

Parece bobo,mas até a ética mais simplória é melhor do que não ter nenhuma.