“Ah, mas tem tantos caras que fazem a mesma coisa! Por que só a gente tá sendo execrado?”
“A moça sabia sim o que a gente tava falando, um cara traduziu! Ela não se importou!”
“Que é que tem? A gente tava num clima de carnaval! E no carnaval vale tudo!”
“Estão fazendo uma tempestade em copo d’água!”

Essas são algumas frases que senhores machistas, misóginos, mal-educados, grosseiros que participaram desse vídeo, assim como seus ‘simpatizantes’, poderiam dizer. Ou até disseram. Nenhuma delas cola. Nenhuma convence.

Também não adianta relativizar, comparar, argumentando que “tem tantas outras coisas urgentes pra serem resolvidos e vocês querem parar tudo para discutir um momento de ‘brincadeira’?”

Sim, queremos. Porque não é o tamanho, a dimensão, a geolocalização, é o princípio da coisa. A coisa que não queremos mais, a coisa que está errada, a coisa que não vamos tolerar. A coisa, as coisas, todas as coisas que claramente são inadmissíveis no mundo que queremos para nós e nossos filhos.

Não queremos crianças separadas dos pais e presas em gaiolas como fez Trump com sua politica de intolerância à imigração, não queremos a homofobia do governo Russo, não queremos a impunidade dos assassinos de Marielle e Anderson, não queremos racismo, xenofobia, não queremos ser explorados, não queremos opressão, não queremos agrotóxicos na comida, não queremos machismo, injustiça, desigualdade. A lista é grande. E não tem ordem de prioridade. Vamos lutar contra todas elas, conforme pudermos, na ordem que aparecerem. Não tem distribuição de senha pra lutar por ordem, pra azar dos participantes do vídeo que estão sofrendo todos os tipos de (merecidas) consequências. Bem-vindos à vida adulta do mundo real, regida por leis da natureza e do homem.

E por que esse vídeo viralizou tanto?  O que aconteceu além do óbvio, o conteúdo covarde e misógino, que gerou tanta revolta em todos nós?
Eu tenho uma teoria: o fenômeno da ressonância.
Um dos exemplos mais clássicos e visíveis do que a ressonância pode causar é o que aconteceu com a ponte de Tacoma, em 1940. Se por acaso você não tiver visto o vídeo, ei-lo.

A ponte sólida que oscilou como se fosse feita de elástico com maria-mole até entrar em colapso, devido a rajadas de vento. Vento?!? Como pode o VENTO derrubar uma ponte de concreto? Pelo fenômeno de ressonância. No caso,  a frequência de vibração natural da ponte sofreu uma amplificação pela frequência das rajadas de vento.

Podemos fazer uma analogia com o que aconteceu com esse vídeo que viralizou. A ‘frequência’ de vibração de todos os elementos ali presentes, o machismo, a misoginia, o preconceito (por que ‘rosinha’ é melhor do que qualquer outro tom de mucosas?),covardia (ela não entendia o que estava sendo dito) entrou em ressonância com a ‘vibe’ dos nossos dias, que luta contra todo esse pacote. O batimento das ondas foi tão grande, que amplificou a amplitude até o colapso. Os participantes do vídeo não apenas foram identificados como também foram pesquisados e expostos. Alguns, demitidos, inclusive, porque nenhuma empresa quer sua imagem associada a esse tipo de comportamento.

Nós, humanos, não operamos a partir da lógica, mas das emoções. As emoções nos movem, a lógica só chega depois, nas tentativas de racionalizar o que sentimos.
E o que esse vídeo causa em quem o vê é indignação, raiva, revolta, porque é um vídeo de abuso. Abuso.
É um grupo de machos abusando da vulnerabilidade de uma estrangeira.
Um grupo de machistas  envergonhando o Brasil.

Entenderam, meus senhores do vídeo?
Vocês são uma vergonha.
Vocês representam tudo o que não queremos.
Cartão vermelho pra vocês.