Drones

Os drones chegaram para ficar. As agências de aviação civil de muitos países estão correndo para criar regras para o uso comercial dessas aeronaves – mas com ou sem legislação, robôs voadores de todos os tipos vão ocupar os céus da próxima década.

A palavra “drone” significa “zangão” em português: o macho da abelha, que não tem ferrão nem é capaz de coletar néctar, servindo apenas para cruzar com a rainha da colmeia. Depois disso, o zangão é descartado pelas outras abelhas.

Drone é o apelido do UAV (unmanned aerial vehicle, ou veículo aéreo não-tripulado), que o Exército dos EUA começou a desenvolver ainda nos anos 1950. Os UAVs foram criados inicialmente como aparelhos de espionagem, e depois se tornaram armas táticas, capazes de destruir alvos militares a grandes distâncias por controle remoto.

Como tantas outras tecnologias militares americanas, os UAVs estão sendo assimilados pelo mundo civil. Aqui no Brasil o nome técnico dado pela Agência Nacional de Aviação Civil é VANT (veículo aéreo não-tripulado). UAV ou VANT, todo mundo vai chamar de drone mesmo.

A tecnologia é polêmica como poucas. Um aparelhinho que pode custar menos de US$ 200 dólares tem autonomia de voo de mais de uma hora, e pode transmitir imagens em tempo real. As possibilidades são imensas, algumas muito positivas e outras definitivamente sinistras. E há modelos mais robustos, custando alguns milhares de dólares, capazes de proezas surpreendentes.

Em breve, drones para tudo. Enxames de drones nos grandes centros urbanos. Drones da lei & ordem, drones do crime também. Drones entregando pizzas, sapatos, documentos jurídicos. Drones carregando kits de primeiros-socorros, vacinas, alimentos para os necessitados. E também armas, drogas, celulares e outras muambas.

Vendidos como brinquedos, teremos também drones controlados por tarados e taradas de todos os tipos e idades, espionando janelas e quintais dos vizinhos, numa extensão lógica do Big Brother que povoa nossa cultura popular há décadas. As agências de aviação certamente vão criar regras para o uso comercial dos drones, mas o seu uso por indivíduos interessados em invadir a privacidade alheia será o mais difícil de controlar.

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(Ilustração: Andrea Kulpas)