Médicos de todos os cantos do Brasil estão preocupados com o avanço da Sífilis no País e alertam sobre a importância de minimizar os riscos de contaminação na gestação e parto. Antes vista como uma doença do século passando, hoje ela assombra muitas famílias, pois as crianças pequenas têm sido cada mais vulneráveis ao avanço desta doença.  Só para ter uma ideia, em 2005, a taxa de diagnóstico de sífilis em gestantes no Brasil era menor do que 1 caso a cada 1000 nascidos vivos.  No ano de 2013, esse índice subiu para 7,4 casos a cada 1000 nascidos vivos, segundo a última edição do Boletim Epidemiológico de Sífilis, publicado em 2015 pelo Ministério da Saúde (MS).  É por isso que os médicos já falam em epidemia de Sífilis.
Nesse contexto, importante a teledramaturgia trazer episódios que mostram os cuidados necessários para que doenças sexualmente transmissíveis não contaminem o bebê e que os preconceitos não atrapalhem um bom tratamento nestes casos, uma forma educativa e sem julgamentos para a sociedade, algo que fez a minissérie Sob Pressão. 
DIAGNÓSTICO
A detecção da sífilis é feita por meio de testes rápidos disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). Para as gestantes, a indicação da realização dos testes rápidos deve ser feita na primeira consulta do pré-nata. Em recente texto no portal do Ministério da Saúde, a diretora DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Adele Benzaken, explicou que a “Sífilis é uma doença bacteriana. Ela é uma infecção sexualmente transmissível. Pode passar da mãe para o filho. Mas o que é mais importante: é uma doença que pode facilmente ser diagnosticada, facilmente tratada, e que a pessoas fica curada”.
Segundo dados do último Boletim Epidemiológico de Sífilis, entre os anos de 2014 e 2015, a sífilis adquirida teve um aumento de quase 33%, a sífilis em gestantes 21% e a congênita, em que a mãe passa para o bebês, aumentou 19%. .A sífilis é causada pela bactéria Treponema pallidium, transmitida principalmente por via sexual. A maioria das  pacientes que têm sífilis adquirem a doença em relação sexual desprotegida.”ESTÁGIOS DA DOENÇANuma fase primária da doença, ela causa feridas, muitas vezes lesões em locais difíceis, como as paredes vaginais,  o períneo e o colo uterino. Se não tratado, o quadro avança e o treponema circula pela corrente sanguínea, fase em que surgem manchas pelo corpo, mãos e pés. Num estágio mais avançado, ela pode infeccionar o sistema nervoso central.

O fantasma do treponema, orienta o Ministério da Saúde, é que ele consegue entrar na placenta e infectar o feto  (sífilis congênita). A doença também pode levar o bebê ao falecimento. Ao ter contato com essa bactéria dentro da barriga da mãe, algumas crianças que sobrevivem desenvolvem problemas como malformações cerebrais,  alterações ósseas, cegueira e lábio leporino.

Se ocorrer no fim da gravidez, sem tratamento, o bebê está mais propenso a nascer com icterícia ou com hepatite. Casos de lesão no canal do parto podem levar a criança a ser infectada na hora do nascimento. Diferentemente do HIV, neste caso os especialistas asseguram que não há risco de a bactéria passar pelo leite materno.  De acordo com o MS, em 2013, 36,3% dos casos foram detectados na reta final da gestação – enquanto apenas 24,8% foram notificados no início, algo que evidencia que a ficção do casal trazido em Sob Pressão tende a ser mais comum do que imaginamos.