Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A união entre mulheres pode mudar completamente a experiência da maternidade, do mundo do trabalho, pode fazer com que nos libertemos de um relacionamento violento e de um chefe assediador. Pode ressignificar a amizade, os relacionamentos amorosos,  a adolescência, a vida adulta. Pode mudar vidas. 

A união entre mulheres visando um mundo melhor e menos violento nada mais é do que a semente do feminismo, uma das noções mais transformadoras que já conheci.

Enquanto movimento político, o feminismo é relativamente recente, data de apenas alguns séculos atrás. Mas a solidariedade entre mulheres existe desde que o mundo é mundo – ou ao menos desde que o mundo configurou-se de maneira tão estruturalmente desigual entre os gêneros. E é essa desigualdade enraizada que faz com que uma prática tão natural quanto mulheres promovendo mulheres soe tão poderosa e radical.

Não existe feminismo sem mulheres unidas. Óbvio, mas colocando em outros termos: apenas nossa união é capaz de chacoalhar o mundo e trazer conquistas fundamentais. E caramba, como nós temos chacoalhado e incomodado o status quo.

Foi graças à união de mulheres do mundo todo que conquistamos o direito ao voto (que se pese que em muitos países esse direito foi negado às mulheres negras). Foi pela união de mulheres (e nunca, jamais, dos homens) que muitas nações legalizaram o aborto, é graças ao movimento feminista que temos legislações sobre violência doméstica, feminicídio, creches, pensões, licenças-maternidade e paternidade e por aí vai. Nossos direitos mais básicos vêm do entendimento de que aquilo que nos afeta pessoalmente é, na verdade, um problema coletivo, e que portanto deve ser enfrentado da mesma maneira.

Como o dia 8 de março bem nos lembra, essas conquistas não chegam sem reveses e luta constante, mas eventualmente chegam. É injusto, é cansativo e é sempre tardio, mas também compensa. Compensa porque cada conquista nos mostra como a união de mulheres é poderosa, como temos as ferramentas para mudar o mundo e como podemos efetivamente construí-lo, uma marcha por vez.

Um verso bem conhecido no mundo feminista diz que as mulheres são como as águas e crescem quando se encontram. É verdade, e a sabedoria popular descreve muito bem o efeito de “água mole” em “pedra dura”. É bem isso que o feminismo faz: une mulheres em torno de algo maior e inicia tempestades de fazer inveja em Poseidon.


Na semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, decidimos eu, Rita Lisauskas e Ruth Manus, três blogueiras, três amigas, criar três textos amigos, três textos irmãos. Todos eles falando sobre a importância da união feminina, cada um de um ponto de vista diferente. Queremos, nessa semana, mostrar o avesso da competitividade entre mulheres – poderíamos estar disputando likes, shares e leitores, mas não é nisso que acreditamos, nem é isso que queremos ser. Nossa condição de mulher nos une, nossas diferenças nos enriquecem. Como diria a poeta: “se juntas já causa, imagina juntas”. Se individualmente já somos fortes, imagine unidas.

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