Um bloco de Carnaval pode ser tanto prazeroso e divertido quanto incômodo e traumático, e a linha que separa as duas situações às vezes é muito tênue. Me refiro aos  assédios, mãos bobas e cantadas nada elogiosas que as mulheres recebem nessa época do ano. E que são, sim, violências.

Antes de mais nada, é importante dizer que o Carnaval é uma festa maravilhosa e que bebida, paquera e sexo fazem parte da comemoração. ‘As feministas’ não querem acabar com a diversão, com o romance ou com o flerte, e muito menos nem querem tornar o Carnaval uma festa chata. O que exigimos é respeito. E diversão e respeito não são conceitos excludentes, então é muito importante enfatizar algumas coisas:

Não é porque é Carnaval que pode abordar uma menina à força.

Não é porque é Carnaval que pode puxar pelo cabelo.

Não é porque é Carnaval que pode forçar beijo.

Não é porque é Carnaval que pode sair chamando de gostosa, de delícia, de vadia.

Não é porque é Carnaval que ela vai fazer sexo. Mesmo que vocês já tenham ficado, feito sexo em outras ocasiões, ou ainda porque ela demonstrou em um outro momento que gostaria de transar com você.

Não é porque é Carnaval e ela está bêbada/desacordada que tudo está liberado*.

 

Quase todas as mulheres têm ao menos um relato de uma abordagem agressiva e inconveniente para contar. Esses casos infelizmente acontecem e precisamos parar de aceitá-los como normais. Não é porque é Carnaval que deixa de ser violência.

Neste Carnaval, não estrague a festa de ninguém. Na dúvida, pergunte.

E você, mulher, não está sozinha. Abordagem agressiva  não é aceitável, não é fofo, não é normal. Para abordagem agressiva, seu número é 180  (Central de Atendimento à Mulher). Você tem o direito de denunciar qualquer violência sofrida.

Que o Carnaval seja de folia e diversões para todos e todas nós.

A Campanha “Meu número é 180” foi desenvolvida pelas agêncas The Aubergine e Lynx Consultoria e é apoiada pela ONU Mulheres.

A Campanha “Meu número é 180” foi desenvolvida pelas agêncas The Aubergine e Lynx Consultoria e é apoiada pela ONU Mulheres.

 

*Na dúvida do que pode ou não fazer no Carnaval? A prefeitura de São João del Rei e a Revista Azmina podem ajudar você.