Na quarta-feira, 22, o Facebook e o Instagram lançaram o programa #ElaFazHistória, que pretende celebrar e incentivar o empreendedorismo feminino (mais informações no fim do post). Estive no lançamento em São Paulo e não pude deixar de refletir sobre o espaço que nós, mulheres, ocupamos na internet e como nos apropriamos dela.

Em um mundo machista e profundamente desigual para homens e mulheres, a rede reproduz várias dessas desigualdades e ainda cria contextos próprios de discriminação e violência. As consequências, no entanto, não se limitam ao virtual e afetam (e muito) nosso cotidiano.

Diversas pesquisas mostram que as matérias feitas por mulheres recebem mais comentários violentos. São inúmeros os casos de jornalistas e/ou ativistas que, ao se manifestarem contra a violência de gênero recebem ameaças como resposta – como Juliana de Faria e Nana Queiroz, que levantaram bandeira pelo fim do assédio em espaços públicos e da cultura do estupro e foram ameaçadas de morte e de violência sexual. Quase todas as feministas que atuam na internet recebem ataques e ameaças cotidianas. Mesmo neste blog não faltam leitores que se sentem muito confortáveis em ofender e atacar pessoalmente quando não concordam com uma opinião.

Não para por aí: as mulheres são perseguidas e assediadas em diversas comunidades; são maioria entre as vítimas do pornô de vingança e têm suas fotos e vídeos íntimos divulgados sem autorização com o intuito de humilhá-las; as gamers recebem ameaças e abusos em quantidades desproporcionais e há levantamentos indicando que os avatares femininos estão mais suscetíveis a ameaças e a violência.

Em suma, a internet pode ser um ambiente hostil para as mulheres. Mas felizmente a história não se resume a isso, e a rede também é utilizada por nós como instrumento de empoderamento e de libertação. Há quem diga até que vivemos uma quarta onda do feminismo, caracterizada pelo ativismo e empoderamento no meio virtual.

São crescentes os grupos de apoio no Facebook com o intuito de trocar experiências e de promover práticas libertadoras como a contracepção não-hormonal e a aceitação de cabelos crespos. Há também um aumento consistente de mulheres que querem aprender e produzir tecnologia, um campo promissor e ainda majoritariamente masculino. No campo dos negócios, há iniciativas para formar redes de mulheres que se desenvolvem juntas, das quais destaco a Rede Mulher Empreendedora e a Maternativa.

A internet já é parte da vida de uma parcela considerável da nossa população (são 105 milhões de brasileiros no Facebook, 35 milhões no Instagram, e o Brasil é um dos principais mercados do Twitter), nada mais natural do que utilizá-la a nosso favor. Seja para promover a auto-estima, valorizar o nosso negócio ou nos conectar com outras mulheres que passam por dilemas parecidos. A quantidade de insultos e ameaças que recebemos são um reflexo de como nossa simples existência incomoda uma sociedade machista. Online ou offline, ser mulher é resistir. 

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#ElaFazHistória

A campanha lançada pelo Facebook e pelo Instagram tem como objetivo celebrar ideias, contar histórias de negócios erguidos por mulheres e capacitar para inspirar outras mulheres a realizarem seus próprios projetos. A hashtag vai reunir depoimentos de mulheres contando suas histórias e homenagens a mulheres inspiradoras, todas reunidas no portal do programa.

O #ElaFazHistória inclui oficinas e debates nas cinco regiões do país para capacitar as empreendedoras. A primeira oficina acontece em Recife, no dia 1° de julho; Agosto é a vez de Porto Alegre e Belém; Brasília em setembro e São Paulo em outubro.

A campanha também promoverá um prêmio para reconhecer histórias de empreendimento feminino. As inscrições nas três categorias se iniciarão no dia 1° de julho.