Nossa Mulher Positiva desta semana é Viviane Sedola. CEO e founder da Dr Cannabis, ex-VP e co-founder da Kickante, atuou na área de gestão de vendas do Groupon Brasil e passou pela área de comunicação do Grupo CDI, da Casas Bahia e da DeDuo Comunicação, acumulando mais de 14 anos de atuação nas áreas de comunicação, marketing, captação de recursos e soluções digitais. Bacharel em Relações Públicas pela Universidade Monte Serrat e pela FAAP, com especialização em Coach pela PLCC – Professional Leader Coach Certification, SLAC.

  1. Como começou a sua carreira?

Sou Relações Públicas, mas antes mesmo de entrar em um curso de graduação fui professora de inglês e espanhol na Wizard.  Lembro que todos os meus alunos eram mais velhos do que eu e essa primeira experiência me deu bastante confiança para lidar com profissionais mais experientes nas empresas em que viria a trabalhar.

Os primeiros passos dentro da minha formação foram em uma assessoria de imprensa que tinha grandes clientes. Com um ano de empresa fui convidada para integrar a primeira equipe de comunicação de um dos clientes da agência, a Casas Bahia, maior varejista do país à época. Tive a chance de viajar por diversas capitais e participar da criação um plano completo de comunicação interna para a empresa. Quando o plano estava implementado, entendi que meu trabalho dali em diante seria o de apenas alimentar os veículos de comunicação que havíamos criado. Aquilo me frustrou e já era um sinal de que eu sou uma pessoa de inícios, apesar de não ter essa clareza à época.

Engravidei logo após a minha saída da Casas Bahia. O nascimento de um filho é algo sempre impactante na carreira das mulheres. No tempo livre que tinha em casa enquanto meu bebê dormia, eu prestava serviços de comunicação e captação de recursos para projetos com incentivo fiscal. Assim foi criada a minha primeira empresa, a DeDuo Comunicação em Santos, onde eu morava à época. Meu negócio não crescia como o esperado e decidi que deveria fazer um movimento profissional rápido. Nesta mesma época, as compras coletivas surgiram e aceitei uma proposta para integrar o time comercial do Groupon. Ouvi o termo Startup pela primeira vez e gostei muito da dinâmica que conheci. Fui promovida em 3 meses, novamente em 6 meses e pude acompanhar a empresa até o pós-IPO na Nasdaq. O Groupon foi uma grande escola e ali tive a certeza de que eu era alguém de inícios e que queria empreender novamente. Fui convidada pela Candice Pascoal para atuar como co-fundadora da Kickante e apoiar o crescimento da empresa. Foram quase 4 anos desenvolvendo negócios em todo o Brasil e acompanhando projetos incríveis sendo tirados do papel. Ali tive mais uma certeza que, além de empreender, meu ramo era o do empreendedorismo social.  Com a empresa já bem madura me senti compelida a buscar novos desafios. Procurei o Marcos Botelho, CEO da SuperJobs Ventures, que já era conhecido por fazer investimentos em empresas de impacto e chegamos juntos ao projeto da Dr. Cannabis.

  1. Como é formatado o modelo de negócios da Dr Cannabis?

A Dr. Cannabis é uma comunidade que acredita no direito à saúde como um direito primário. Nos indigna saber que muitas famílias que sofrem com doenças crônicas ainda são obrigadas a recorrer à ilegalidade para conseguir um tratamento confortável e adequado. Sabemos que o tratamento com canabinoides pode mudar vidas. Para que ele seja livre de preconceitos, há um longo caminho a ser percorrido na pesquisa científica e na informação. Por isso, criamos uma plataforma que acolhe, informa e conecta pessoas a médicos que prescrevem e profissionais que produzem e revendem canabinoides de forma legal, responsável e comprometida. A partir da nossa atuação é natural que os fornecedores e representantes de medicamentos à base de cannabis sintam um aumento nas suas vendas, portanto e em contato estreito com eles, a remuneração do nosso serviço está atrelada a essas vendas.

  1. Qual foi o momento mais dificil da sua carreira?

Definitivamente é o momento atual. Esta é a minha primeira experiência como CEO de uma empresa que, além de tudo, trata de um tema cercado de tabus e estigmas. Por outro lado, a assistente de comunicação que eu era em 2007 na Casas Bahia fica muito satisfeita em ter que aprender coisas novas a cada dia, estudar intensamente e se conectar com muitas e diferentes perfis de pessoas para fazer dar certo. É tão desafiador quanto empolgante. Um grande ponto do meu momento atual é explicar para o meu filho de 11 anos o meu trabalho com cannabis. E das muitas conversas que temos eu tiro insumos para o dia a dia da empresa também, se eu conseguir fazê-lo entender a importância do que faço será fácil ajustar o discurso para qualquer outro interlocutor.

  1. Como você consegue equilibrar sua vida pessoal x vida corporativa.

 Gosto de pensar que consigo (risos) mas esse equilíbrio é algo a se vigiar todo o tempo. A minha vida pessoal é permeada pelo trabalho e vice-versa. Erro em vários momentos na busca desse equilíbrio e fico muito feliz quando noto os erros rapidamente, consigo corrigi-los e previno que o mesmo erro aconteça novamente. Algo importante é eliminar a autopunição por ter errado, em empreendedorismo e na vida errar é fundamental para crescer.

  1. Qual o seu maior sonho?

Hoje é ver a Cannabis Medicinal ser regulada de forma planejada no Brasil.

Tenho estudado o assunto com profundidade e sei que os impactos sociais, na saúde, na segurança pública, tributários e financeiros são tão grandes que poderiam reescrever o futuro do país. O Brasil tem potencial para ser o grande produtor e exportador de cannabis para suprir a demanda mundial pela planta, que é hoje um mercado que cresce 30% ao ano.

  1. Qual a sua maior conquista?

Depois de começar uma carreira de mercado, fazer um movimento para empreendedorismo social foi algo muito corajoso e arriscado. Estar hoje na minha posição atual é uma das conquistas que mais me orgulham.

  1. Livro, filme e mulher que admira.

Filme: Handmaid’s Tale pois é muito próxima das discussões em torno da mulher contemporânea.

Livro: O Conto de Aia de Margaret Atwood.

Mulheres que admiro são várias e por diversas razões, mas uma história me marcou recentemente. A moça, hoje senhora, que trabalha na casa da minha família há muitos anos recentemente celebrou o casamento do seu filho. Ao me contar sobre o momento especial, ela lembrou que logo que chegou com ele pequeno a São Paulo passou por muitas dificuldades. Em um desses dias desafiadores, eles voltavam para casa a pé carregando sacolas pesadas e ela teve que parar para descansar. Ele olhou para ela e disse: “mãe, eu vou te dar uma vida muito boa, viu?”. Com o ato do casamento desse filho, ela me disse: “Eu venci!” Me emocionei junto e me marcou o fato dela se premiar, de ter seu conceito de sucesso não apenas bem definido, mas cumprido. Tenho muita admiração por ela.