Nossa Mulher Positiva é Márcia Tollotti – 54 anos; psicanalista, consultora financeira, ultramaratonista e idealizadora do Projeto Linha de Chegada – O poder do hábito e da disciplina para conquistar suas metas. A empreendedora e escritora de diversos livros, é sócia executiva da Moddo Conhecimento Estratégico e dedica sua vida e trabalho para compartilhar conhecimento com as pessoas, visando uma mudança de comportamento para um consumo consciente e com qualidade de vida.

  1. Como começou a sua carreira?

Aos 5 anos cuidava dos meus irmãos e ajudava nas tarefas domésticas. Aprendi a cozinhar com poucos recursos, lavar, passar, fazer limpeza, fazer tricô e até costurei algumas peças de roupas para mim. Aos 13 percebi que precisaria gerar dinheiro, então procurei emprego e o que consegui inicialmente foi vender panelas. Depois, fui balconista, secretária, crediarista, vendedora, professora de balé, “pesadora de alimentos em restaurante a quilo”, organizadora de eventos e “transcritora” de aulas. Embora minha mãe tenha aprendido a ler quando eu estava no 1º ano, ela me fez acreditar que o estudo “salvaria minha vida”, e tinha razão. Consegui ingressar na faculdade pagando com crédito educativo na época e cursei psicologia. Como era curso diurno e não podia conciliar trabalho, comecei a inventar projetos na área e assim faço até hoje. Fiz uma formação em psicanálise, bastante cara e mesmo não tendo nem casa própria ou carro na época, investia tudo o que ganhava para ampliar meu conhecimento (tenho também duas pós graduações em psicologia, um mba em marketing, um mestrado em cultura e inúmeros cursos). Minha vida pessoal e profissional até hoje é pautada por compartilhar conhecimento, também acredito que “posso salvar alguém” compartilhando o que sei.

  1. Como é formatado o modelo de negócios da Moddo e do Projeto Linha de Chegada?

Minha empresa chama-se Moddo Conhecimento Estratégico. A missão é ajudar pessoas a serem estratégicas diante de suas decisões. Seja através de palestras, atendimento clínico, livros, coaching, oficinas, jogos, workshop, vídeos ou qualquer ferramenta que possa combater a autossabotagem e ampliar o autoconhecimento e autovalorização. Não tenho uma equipe permanente de trabalho, mas vários parceiros de alto desempenho. Então, de acordo com cada projeto monto uma equipe e desenvolvemos os produtos e ferramentas necessários. Criatividade, baixo custo e agilidade são prioridades em nossas soluções.

O Projeto Linha de Chegada é o amadurecimento de anos de trabalho com o modelo colaborativo, sustentável e escalável. Pretendemos impactar positivamente o maior número de pessoas, para que atinjam seus objetivos e transformem hábitos ruins em atitudes positivas e benéficas.

  1. Qual foi o momento mais difícil da sua carreira?

O 1º momento difícil foi quando tive que trancar faculdade, mesmo com crédito educativo (estava separada e meu filho era pequeno), não tinha dinheiro para o básico que era alimentação. Achei que não conseguiria me formar, mas depois de 1 ano e meio, consegui retornar. O 2º momento foi logo que me formei, pois não tinha nenhuma perspectiva. Tive que batalhar muito, inventar muitos projetos e buscar parcerias. Com o passar do tempo, me estabeleci em duas cidades e minha clínica estava ótima, fiquei mais de 10 anos com lista de espera, mas…eu não estava confortável em trabalhar apenas para uma classe mais privilegiada. Nunca esqueci como é sofrido ser despejado, ter luz cortada, passar fome ou o pior de tudo, não ter esperança de melhoria. Então decidi que estava na hora de compartilhar o que eu sabia e que me ajudou, com mais pessoas. O 3º momento difícil foi me tornar empreendedora, limitar meu trabalho na clínica, reduzir meus ganhos, sair de trás do divã e enfrentar o mundo corporativo. Na verdade, ainda estou engatinhando nesse universo. E hoje conciliar essas frentes de trabalho não é fácil, mas é compensador.

  1. Como você consegue equilibrar sua vida pessoal X vida corporativa/empreendedora?

Há mais ou menos uns 7 anos tomei outra decisão, minha qualidade de vida não podia esperar para quando eu me aposentasse, até porque talvez não haja esse período de “aposentadoria” para a maioria dos brasileiros. Isso coincidiu com o momento em que adotei a corrida de rua como esporte. Desafio grande porque sempre fui indisciplinada para exercícios físicos. Hoje corro em média 3 vezes semana, pratico Stand Up, faço musculação e às vezes, tenho tempo para um cafezinho, isso tudo em “horário nobre” de trabalho. Entendi que não adianta acelerar demais o ritmo, porque preciso e quero trabalhar por muito anos. O mundo do trabalho é como uma corrida de longa distância, é melhor ganhar resistência para ir mais longe, do que focar em velocidade e percorrer uma distância pequena. Trabalho bastante, mas me permito abrir a agenda para me dedicar a “pequenos e constantes prazeres”, como diria Freud.

  1. Qual o seu maior sonho?

Meu maior sonho profissional é efetivamente tornar a vida das pessoas que confiam em mim, melhor. Nesse momento, o Projeto Linha de Chegada é a ponte que pode levar esse sonho até a realidade. Impactar pessoas em diferentes lugares, ajudá-las a também tornar sonhos em realidade, colaborar na mudança da mentalidade de endividados para investidores, trocar autossabotagem por construção de hábitos saudáveis e levar esperança na melhoria de vida é o que me alimenta.

  1. Qual a sua maior conquista? 

Chegar até aqui, ter um relativo conforto, saúde, ver meu filho crescer, ter 7 “filhos livros”, contar com amigos fiéis e uma família unida, ajudar algumas pessoas, não ter tido medo de amar, ser disposta para continuar aprendendo e lutando pelos sonhos e ideais, ter vivido isso tudo é minha maior conquista. Mas, se hoje tivesse que representar em um só momento, foi correr uma ultramaratona de 82 km na praia em pleno verão aos 54 anos. Durante 8 meses treinar com chuva forte, sol escaldante, cansada, conciliando trabalho (além de todas as atividades lançamos o livro e o projeto linha de chegada) e família pode ser uma metáfora com minha vida. Foi difícil, mas o apoio de muitas pessoas, a disciplina e a mudança de modelo mental rompendo com insegurança e bloqueios é minha maior conquista.

  1. Livro, filme e mulher que admira.

Difícil responder isso kkk, 1 só livro, filme e mulher? Com muita dor vou selecionar:

Filme: No limite, de 1997 com Anthony Hopkins. Uma fala usada em vários momentos “O que uma pessoa pode, a outra também pode”, no sentido de superar medos e acreditar na própria capacidade mesmo em situações inóspitas. O filme é fantástico nisso.

Livro: O menino do dedo verde. Aos 10 anos de idade foi o primeiro livro que devorei e entendi que eu podia mudar a minha vida assim como o personagem mudou o mundo que o cercava.

Mulher: Todas.