Mulheres Positivas – Iracema Sanchez

Nossa Mulher Positiva é a professora e advogada aposentada Iracema Sanchez, que aos 90 anos, tem uma história de vida digna de livros e filmes.

Nascida no bairro do Brás, em 1928, filha de imigrantes espanhol e português construiu uma trajetória ímpar e plural. Formou-se em Pedagogia, Psicologia, Ciências Sociais e Direito além de ter o privilégio de estudar Línguas e Literatura Espanhola em Madrid. Trabalhou como professora na maior parte do tempo em escolas públicas e particulares, lecionou na Faculdade de Mogi das Cruzes (hoje universidade), trabalhou na APAE, foi diretora-social da Casa de Cervantes e atuou como advogada do Estado em causas de Educação. Foi patrona da cadeira que pertenceu a Princesa Isabel no Instituto Histórico- Geográfico de Santos, além de oradora e uma das diretoras do Rotary Clube no período em que morou na cidade.

Integrou o MAF (Movimento de Arregimentação Feminina), uma associação sem fins lucrativos que atua em áreas carentes, como voluntária até voltar a São Paulo.

Casou-se quando estava prestes a completar 50 anos, cuidou dos pais e é exemplo para toda a família. Tem dois irmãos e seis sobrinhos.

Em 2015 voltou a morar na capital paulista e por escolha própria decidiu viver na Cora Residencial Senior. Atualmente faz pesquisas sobre Alzheimer, com seu iPad.

 

Como começou sua carreira?

Comecei meus estudos, aos 7 anos, no Instituto de Educação Padre Anchieta (escola só para meninas) e saí de lá como professora normalista. Ao concluir o equivalente ao Ensino Médio hoje, escolhi uma cadeira para dar aula e fui lecionar em Paraibuna.

Após um ano lecionando na cidade, fui transferida para São Paulo. Trabalhava durante o dia e cursava a faculdade à noite – Pedagogia, na USP.

Percebi que seria professora quando pequena, época em que cuidava dos meus dois irmãos menores (Rubens e Nelson) enquanto meus pais trabalhavam. Ensinava muitas coisas para eles. Acho que nasci com esse dom.

 

Como surgiram as outras graduações na sua trajetória?

Após a primeira formação na USP, cursei mais dois anos e adquiri também o diploma de Psicologia. Em seis anos saí de lá com duas formações.

Na década de 1960, alcancei o posto de diretora-social na Casa de Cervantes. Seis anos depois, um dos diretores me indicou para uma bolsa de estudos em Granada, na Espanha, para o curso de Língua e Literatura espanhola. Passei um ano lá.

Após o curso, ganhei uma bolsa do MEC para estudar Ciências Sociais na Faculdade de Letras e Ciências Humanas. Foi a minha terceira graduação. E graças ao desejo de aprender e com isso ajudar as pessoas, entrei na faculdade de Direito, em 1974. Me formei quatro anos depois, tirei a carteira da OAB e comecei a trabalhar como advogada do Estado da Secretaria da Fazenda, no setor da Educação, área à qual sempre estive vinculada.

Qual foi o momento mais difícil na vida?

Não sei te dizer qual o mais difícil. Acredito que não tive muitos problemas porque estava muito focada, trabalhava e estudava muito. Lembro dos desafios. Um deles surgiu, em 1952, quando o diretor de um dos colégios que trabalhei me indicou para trabalhar na APAE, após eu concluir um curso de Problemas da Criança Excepcional. Aprendi a linguagem de sinais e atuei lá na educação de adultos. Foi uma experiência incrível.

Qual o seu maior sonho?

Meu maior sonho, eu consegui realizar. Foi ser professora, atividade que exerci na maior parte da minha vida profissional. E tenho muito orgulho disso.

Qual a sua maior conquista?

Graças ao esforço, conquistei muitas coisas na vida. Lembro do convite para dar entrevista no jornal mais importante de Madrid, em 1966, devido ao meu desempenho na universidade (ela guarda a publicação até hoje); o recebimento da medalha e a faixa conquistada com a formatura, na Universidade de Madrid; o reconhecimento dos esforços e serviços prestados em São Paulo, com a medalha da Ordem Marechal Rondon (a data exata, ela não se lembra).

Além disso, em 2005, já morando em Santos, o senador Beto Mansur, que era prefeito da cidade na época, me indicou para ocupar a cadeira que foi da Princesa Isabel no Instituto Histórico – Geográfico de Santos. Além disso fui oradora oficial da cidade.

Também alcancei o posto de governadora do Rotary Clube de Santos. E participei ativamente da MAF (Movimento de Arregimentação Feminina), uma associação que atua em áreas carentes, como voluntária.

 

Como foi trabalhar em uma época em que haviam poucas mulheres no mercado de trabalho?

Nunca tive problemas como preconceito, machismo, pelo que me lembro. Muito pelo contrário, como professora e advogada sempre fui muito respeitada.

 

Como foi conciliar vida pessoal e profissional naquela época?

Eu trabalhava muito e não me arrependo de nada. Casei quando estava prestes a completar 50 anos. Meu casamento foi maravilhoso.

Não pensei em ter filhos. Tive seis sobrinhos maravilhosos, entre eles, duas afilhadas. Sempre fomos muito próximos.

 

Qual filme, livro e mulher que admira?

Eu li muito na vida e continuo até hoje. Ultimamente, tenho lido muito sobre Alzheimer. Quero entender sobre essa doença que tanto atinge os idosos.

Como mulher admiro minha mãe que sempre me incentivou a estudar, trabalhar e construir uma vida independente.

Filmes, não sei te dizer um favorito. Acredita que eu nunca fui ao cinema?