Nossa Mulher Positiva é Fernanda Carvalho conta como saiu de uma pequena cidade no interior de Minas para ser a única representante de feminina, latina e jovem em um grupo internacional selecionado para gerar ideias em um centro de inovações na Alemanha. Hoje ela ocupa o cargo de Consultora Médico Científico em Oncologia da Merck, empresa de ciência e tecnologia, e é inspiração para mulheres que que se identificam com áreas científicas.

  1. Como começou a sua carreira?

Acredito que o começo da minha carreira se deu no início da graduação em Farmácia, quando logo me encantei pelo projeto de iniciação científica na Universidade Federal de Ouro Preto, em Minas Gerais. Assim os caminhos da curiosidade e a ânsia por aprender me trouxeram à indústria farmacêutica, onde minha trajetória profissional tem se consolidado e posso aplicar o conhecimento científico, traduzindo-o em diferencial para os pacientes.

  1. Como é formatado o modelo de negócios da Merck?

A Merck é a indústria farmacêutica mais antiga do mundo e comemorou 350 anos em 2018. Seu modelo de negócios me fascina, pois é centrado no espírito inovador e de descoberta que geram estratégias de longo prazo, trazendo benefícios para pacientes, clientes, investidores, parceiros e funcionários. A Merck acredita que grandes avanços começam com curiosidade. É querer tornar grandes coisas possíveis.

  1. Qual foi o momento mais difícil da sua carreira?

À medida que vencemos os obstáculos de vida e carreira, aqueles que ficam no passado parecem mais fáceis dos que os mais recentes. Essa sensação está relacionada à força, resistência e resiliência que ganhamos com eles. Por isso, somos desafiados mais e mais. Portanto, eu diria que o momento mais difícil foi também o mais recente: ser a única representante feminina, latina e jovem em um grupo internacional selecionado pela Merck para gerar ideias para novos negócios no centro de inovações em Darmstadt, Alemanha. É sobre achar os caminhos para não se intimidar e ser ouvida, mostrar a que veio e que sim, eu sou competente, e não apenas uma seguidora daqueles que se dizem e se impõe como mais fortes. Apesar, do desafio, fico muito feliz em saber que após a minha ida, outros brasileiros se aplicaram para o mesmo programa e foram selecionados.

  1. Como você consegue equilibrar sua vida pessoal x vida corporativa/empreendedora.

A busca pelo equilíbrio entre vida pessoal e corporativa é constante, já que os desafios são diários. Para tal, procuro cuidar da mente e do corpo, eu me divido entre viagens, explorando novos lugares e culturas; não dispenso os bons momentos em companhia dos grandes amigos e tenho me dedicado à uma rotina de exercícios diversificados e yoga. Recentemente, tive o prazer de participar da corrida WRun SP, uma das maiores corridas femininas do Brasil.

  1. Qual o seu maior sonho?

É vivenciar o momento em que a competência não seja definida por fatores como gênero, etnia, idade, classe social e beleza.

  1. Qual a sua maior conquista?

Conquistar um mundo de oportunidades, vivenciando experiências profissionais e culturais no Brasil e fora dele, sendo original de uma pequena cidade do interior de Minas Gerais, sem muitos recursos e apoio. Foram, portanto, resultados de muita dedicação, obstinação e por querer aprender.

  1. Livro, filme e mulher que admira

Por possuir a veia cientifica,  eu não poderia deixar de mencionar o filme Gattaca – Experiência Genética, que abordou questões pertinentes sobre um futuro que, na época, diziam ser imediato. Mais de 20 anos após seu lançamento, será que podemos dizer que este futuro chegou? Atualmente, a edição gênica já é uma realidade, mas a discussão sobre as implicações éticas e morais frente aos benefícios proporcionados por ela ainda continuam em pauta. Vivo com intensidade e é por isso que um dos livros que mais admiro é A Insustentável Leveza do Ser, de Milan Kundera:  não existe leveza onde há profundidade de alma, de sentimentos, de experiências. Então, o que escolher: o peso ou a leveza? Uma das grandes oportunidades que a busca pelo aprendizado me proporcionou foi conhecer, trabalhar e tornar-me amiga da Dra. Shannon Stott durante minha passagem pela Harvard/Massachusetts General Hospital. Professora da Harvard, Shannon é uma engenheira mecânica, mãe de 3 filhos, que se dedica à pesquisa do câncer em prol dos pacientes. À ela, a minha grande admiração e gratidão.