Nossa Mulher Positiva é Erika Linhares, mentora especializada em acelerar pessoas e negócios, e fundadora da empresa B-Have.

1 – Como começou a sua carreira?

Como a maioria dos brasileiros, comecei a trabalhar muito cedo porque não venho de uma família rica, o que sempre achei bastante positivo porque desde cedo já comecei a entender que para se ter as coisas primeiro vem o trabalho. Então comecei ganhando 350 reais, trabalhando na prefeitura de Sete Lagoas (MG), e terminei minha carreira executiva sendo diretora nacional de vendas de uma das maiores empresas do Brasil. Nessa trajetória, mais de 15 mil pessoas e 700 parceiros passaram sob a minha gestão. Muitos dos meus ex-funcionários são hoje presidentes de empresas, diretores e donos do seu próprio negócio. Me especializei em desenvolver pessoas e mudar seus comportamentos. Engajá-las! Ao longo de 20 anos, fui subindo cargo a cargo, enfrentei preconceito, machismo, mas atribuo as minhas conquistas a muito trabalho, dedicação e, principalmente, propósito, porque tudo que fiz sempre foi por acreditar.

Além disso, o que me impulsionou a chegar no topo foram as pessoas. Eu acredito no desenvolvimento das pessoas e foi isso que me fez prosperar, sendo correta com meus fornecedores, crescendo com meus funcionários e aprendendo com meus chefes. Hoje, começo tudo de novo com um propósito ainda maior: quero ir de empresa a empresa mostrando para todo trabalhador brasileiro que trabalhar e produzir é muito bom, e que todos podem ser prósperos e produtivos. 

2 – Como é formatado o modelo de negócios da B-Have?

Para dar grandes resultados, apliquei o que aprendi com a pedagogia: as pessoas precisam aprender a fazer o certo e a serem produtivas no ambiente corporativo. Me preocupava mais com o comportamento da minha equipe do que com a técnica, daí nasce a B-Have. Eu e mais dois sócios de muito sucesso no mundo corporativo decidimos ensinar como se faz para ser produtivo e feliz no trabalho através da mudança de pensamentos e ações.

Também lançamos o movimento #nomimimi porque o grande problema das empresas hoje é o “mimimi” das pessoas, em que, de um lado, estão líderes vaidosos e, do outro, funcionários vitimistas. Desta forma, ensinamos os líderes a liderar o comportamento dos seus funcionários, deixando de ser vaidoso. E também ensinamos os funcionários a serem autônomos e deixarem de ser vítimas.

A B-Have oferece palestras, workshops e cursos através de três produtos: Click Speech, Move on e My Place, os quais entregam mudança de mindset e desenvolvimento de pessoas, e organização para alavancar operações, reduzir perdas e engajar equipes. Nosso objetivo é defender as pessoas que querem prosperar e ensiná-las como fazer isso.

3 – Qual foi o momento mais difícil da sua carreira?

Não tive um único momento, tive vários momentos difíceis ao longo da minha carreira. E a vida é isso, feita de problemas e soluções. A parte legal que muitas pessoas não entendem é que os problemas são desafios, e quando você compreende isso aquele problema passa a te mover. Assim, os problemas que enfrentei sempre me moviam e quando eu conseguia resolver me sentia cada vez melhor e prosperava, crescendo e subindo de posição na empresa.

4 – Como você consegue equilibrar sua vida pessoal X vida corporativa/empreendedora?

A tecnologia veio para ajudar muito. Estou em um momento inicial da minha empresa, então tenho viajado muito. Meu marido é meu sócio e isso já facilita. Com a minha filha, quando estou longe uso a tecnologia para me beneficiar, assim consigo rezar, fazer o dever de casa e estar presente na rotina dela. Já quando estamos juntas somos só eu e ela. Eu também a ensinei a não ver o trabalho como um fardo, e sim como algo positivo, então ela me incentiva bastante. Com a minha família e amigos também utilizo a tecnologia para me manter próxima, e quando retorno de viagem sempre faço questão de marcar um encontro com todos.

5 – Qual o seu maior sonho?

Meu maior sonho é que as pessoas deixem de ser vítimas, que elas entendam que todo mundo pode chegar ao topo. Não vou cansar enquanto não ver o Brasil ser produtivo. Meu objetivo é quebrar esse estigma de que brasileiro não sabe trabalhar, é improdutivo, e só quer saber de Carnaval. Vou de empresa em empresa mostrando que a gente consegue sim e que somos engajados. E também ensino como fazer isso, com uma mudança de mindset fixo para progressivo.

6 – Qual a sua maior conquista?

Também não tenho uma única grande conquista. A vida é feita de pequenos problemas e pequenas conquistas, então a soma disso faz a nossa felicidade. Minha filha, meu marido, meus amigos, a B-Have, minha carreira, todos são grandes conquistas para mim.

7 – Livro, filme e mulher que admira.

Um livro que li recentemente, e que vai ao encontro do que acredito, que temos que ser sinceros e autênticos, é “A Sutil Arte de Ligar o F*da-se”.

No lugar de um filme, vou indicar uma série que fala de comportamento humano e que não existem heróis e vilões, que é “This is Us”.

Convivo com muitas mulheres admiráveis e acredito que também temos que admirar quem está perto, pegar esses exemplos e seguir em frente. Então vou mencionar minha mãe, uma mulher batalhadora que mesmo doente empurrava um carrinho de cachorro quente para vender na praça. É inacreditável a força e personalidade que ela tem. Minha sogra também é outro exemplo que admiro, uma mulher que saiu sozinha do Nordeste para o Rio de Janeiro ainda jovem, estudou muito, fez pós-graduação, se dedicou, foi muito próspera na sua profissão e ainda criou uma família maravilhosa.