A Change.org, maior plataforma de abaixo-assinados do Brasil e do mundo, lançará um programa voltado ao empoderamento de mulheres. Elas Mudam o Mundo, como foi batizado o projeto, realizará neste ano uma série de workshops na cidade de São Paulo com o objetivo de fomentar a voz de jovens mulheres, treiná-las para o uso de ferramentas tecnológicas de transformação social, como petições online, além de apresentar meios de conectá-las ao poder público.

Em 2018, São Paulo foi palco de um projeto-piloto com o mesmo propósito, que também aconteceu no México e Argentina. O sucesso da experiência permitiu a consolidação no Brasil, que começa sua primeira edição em maio. Pioneira, a Índia realiza o programa desde 2017, onde ele é chamado de She Creates Change.

A primeira oficina sobre uso de tecnologia para amplificar causas sociais de mulheres será realizada no dia 24 de maio, a partir das 15 horas, na Escola Nossa Senhora das Graças, o colégio Gracinha, no Itaim Bibi, zona sul de São Paulo.

Os workshops estão sendo organizados em parceria com coletivos formados por estudantes secundaristas e universitárias, possibilitando uma interação entre jovens mulheres e criadoras de mobilizações vitoriosas. A ideia é propiciar a troca de vivências e visão de mundo sobre questões relacionadas ao empoderamento feminino. “Mulheres que se empedraram e descobriram sua capacidade de mobilizar milhões de pessoas em causas sociais, usando petições online, irão contar suas experiências para as estudantes. Elas irão inspirar essas jovens sobre como utilizar esta ferramenta para fazerem mudanças reais no Brasil e no mundo”, diz a diretora-geral da Change.org na América Latina, Susana Fernández Garrido.

Programa internacional de empoderamento de mulheres chega ao Brasil por meio da Change.org

Elas Mudam o Mundo”, promovido pela maior plataforma de abaixo-assinados do planeta, realizará série de workshops a jovens mulheres e descobriram sua capacidade de mobilizar milhões de pessoas em causas sociais, usando petições online, irão contar suas experiências para as estudantes. Elas irão inspirar essas jovens sobre como utilizar esta ferramenta para fazerem mudanças reais no Brasil e no mundo”, diz a diretora-geral da Change.org na América Latina, Susana Fernández Garrido.

Mecanismos de mudança

O programa surgiu da necessidade de criar ambientes onde as mulheres possam se sentir confortáveis para erguer suas vozes e participar diretamente das decisões na sociedade. Dados da plataforma Change.org relativos ao Brasil confirmam essa demanda. Eles mostram que as mulheres são maioria entre os que assinam mobilizações online, mas são minoria entre quem tem a iniciativa de criar abaixo-assinados para mudar algo em sua cidade, seu estado ou no país.

Apenas 34% dos abaixo-assinados hospedados pela Change.org no Brasil são criados por mulheres. Dentre elas, a minoria (14%) são jovens com até 24 anos – justamente o foco do ciclo de workshops de 2019. A maioria das mulheres que criam petições têm entre 35 e 54 anos (45%), estudaram no ensino superior ou têm pós-graduação (84%) e vivem em grandes capitais, como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília (40%).

Apesar do baixo percentual de brasileiras que criam abaixo-assinados na Change.org, elas são maioria (56%) entre quem assina – ou seja, quem dá apoio a alguma causa social, mas não lidera uma mobilização. Um dos propósitos do programa Elas Mudam o Mundo é corrigir esta discrepância.

Outro dado que chama a atenção é que a maioria dos tomadores de decisão, ou seja, políticos ou autoridades que têm o poder de decidir sobre as reivindicações feitas na plataforma, são homens. Exemplos claros são o baixo percentual de mulheres entre parlamentares eleitos para o Congresso Nacional – só 15% são deputadas federais e 14,8% são senadoras.

“Esses dados mostram o quanto é evidente que a mulher ainda precisa ocupar mais espaços na sociedade, inclusive, espaços de decisão. Muitas vezes elas ainda não têm a consciência de que podem ser protagonistas em todas as áreas que quiserem, e é esse pensamento que precisa ser transformado”, explica Yahisbel Adames, coordenadora de campanhas da Change.org Brasil.

Diante desse cenário, o programa Elas Mudam o Mundo irá colocar mulheres jovens (estudantes de Ensino Médio, universitárias, empreendedoras sociais, lideranças de bairro etc) em contato com outras mulheres que abraçaram causas, assumiram o papel de protagonistas e criaram mudanças sociais concretas, que beneficiam parte ou toda a sociedade. Um exemplo é a ativista e influenciadora digital Paula Chohfi, que conquistou a liberação de um medicamento para crianças com Atrofia Muscular Espinhal (AME) depois de reunir 1 milhão de assinaturas.

“Já acompanhamos centenas de causas em nossa plataforma que percorreram toda a trajetória de mobilização social até alcançarem, de fato, a transformação de uma realidade. São histórias de vitórias que vão desde um pedido de melhoria em algum bairro até conquistas gigantescas, como a dessa causa abraçada por Paula Chohfi”, destaca Susana.

Depois da troca de experiências e da descoberta de que a mudança é possível, as participantes serão estimuladas a pensar sobre o que desejam mudar no mundo – no seu bairro, cidade ou até mesmo no país. Elas serão treinadas por especialistas da plataforma Change.org a como usar a ferramenta, que é simples e acessível, para alcançarem esse fim. “A ideia é que essa motivação, surgida a partir do empoderamento, se transforme em ações concretas capazes de gerar um ciclo de mudanças sistêmicas na sociedade”, comenta Yahisbel.

Violências Invisíveis

Em 2018, dois workshops do projeto-piloto treinaram 60 mulheres da periferia de São Paulo a identificar situações de violência de gênero. O programa, intitulado Violências Invisíveis, foi feito em parceria com a ONG “Não Me Kahlo” e teve como resultado mobilizações pedindo mudanças em políticas públicas que podem beneficiar mulheres no Estado de São Paulo. Uma das campanhas, com quase 40 mil assinaturas, cobra que o governador João Doria disponibilize assistentes sociais e psicólogos para dar suporte às vítimas de violência que procuram uma das 133 Delegacias de Defesa da Mulher no Estado.

Outro resultado do projeto-piloto foi o empoderamento de uma jovem universitária moradora do bairro Vila Albertina, na periferia da zona norte de São Paulo. Durante um dos exercícios do workshop, a estudante de Psicologia Larissa Santana, de 20 anos, tomou a iniciativa, em nome das mulheres de sua comunidade, de encarar um problema que afeta a vida dos moradores da região: a ausência de investimentos do governo em iluminação pública.

Larissa criou uma petição na Change.org pedindo a instalação de postes de iluminação em escadões das ruas Veloso da Fonseca e Luís de Oliveira Bulhões. O problema obriga os moradores a recorrerem à lanterna do celular para poder circular pelas escadarias. Com medo de assaltos e sentindo-se ainda mais vulneráveis à violência, muitas mulheres deixam de sair de casa à noite por causa da ausência de iluminação no logradouro.

Motivada, a universitária reuniu 103 mil apoiadores em torno da causa e entregou as assinaturas à Câmara Municipal de São Paulo, como meio de pressionar o poder público.

A Change.org

Com 285 milhões de usuários em 196 países, a Change.org é a maior plataforma online do Brasil e do mundo para criação de abaixo-assinados. No Brasil, são 18 milhões de pessoas utilizando a ferramenta para criar mobilizações em torno das causas em que acreditam.

A plataforma, aberta e democrática, garante espaço para que qualquer pessoa tenha o poder de gerar mudanças a partir de uma petição. É uma ferramenta na qual todas as mobilizações são criadas pelos próprios usuários, que encontram nela a possibilidade de juntar apoiadores e fazer com que suas vozes sejam ouvidas pelo poder público e autoridades.

Nascida em 2007, a Change.org já possibilitou mais de 34 mil vitórias pelo mundo, sendo 340 somente no Brasil, onde está desde 2012. A plataforma funciona como um mecanismo que permite a transformação de realidades a nível local, nacional e global.

Como uma organização sem fins lucrativos, se sustenta 100% por doações e, para garantir sua independência, não recebe dinheiro de governos, empresas ou publicidade.