Apaixonada por moda desde pequena, a estilista Eduarda Galvani criou seu atelier de vestidos de festas e noivas há quatro anos em Porto Alegre, quando tinha apenas 23 anos. Focando em desenhos que transmitem delicadeza e sensibilidade, a estilista produz peças autorais, com trabalho feito à mão, priorizando tecidos de alta qualidade e acabamento impecável. Com herança de sua avó Celina Bona, que antigamente comandava um atelier de tingimentos de tecidos e hoje faz parte de sua equipe, Eduarda cria vestidos únicos e sofisticados para momentos especiais. Hoje, com 28 anos, a estilista acabou de abrir um espaço para atender suas clientes em São Paulo, nos Jardins, além de estar presente em um showroom no Rio de Janeiro.

1.   Como começou a sua carreira?

Bem antes de imaginar em trabalhar com moda, eu já vivia a moda dentro de casa. Celina, minha avó, sempre trabalhou com esse universo de noivas e vestidos de festa. Ver os vestidos tomando forma, sendo criados, tingidos – especialidade da minha avó, que trabalha há mais de 40 anos com este serviço e foi pioneira no Estado – e que até hoje trabalha comigo no Atelier. O primeiro contato como estilista foi o baile de Debutantes quando tinha 15 anos, em que desenhei o meu próprio vestido, escolhendo todos os detalhes, desde tecido até o bordado do que seria a minha primeira criação.

Desde lá essa paixão se aflorou cada vez mais. Nos momentos em que tinha folgas no colégio, já ia para o atelier de sua tia avó, onde aprendia a costurar e bordar, e onde defini que seria a minha profissão para a vida toda. Na época, eu tinha dúvidas entre o vestibular de moda e de medicina – vontade que era dos meus pais – mas nunca fui de ficar parada e sempre tive uma opinião bem forte, por isso me posicionei a favor do curso de moda e acabei sendo uma das mais bens colocadas. Assim que comecei a faculdade, já iniciei alguns estágios, que foram super essenciais para o meu desenvolvimento. Entre faculdade e estágios, decidi que era hora de conhecer novas perspectivas do meu curso e fui estudar em Londres. Passei pela London College of Fashion e na Central St. Martins. Retornando para concluir meus estudos, acabei entrando para a empresa de varejo Renner, onde passei por diversas áreas de atuação e adquiri bastante experiências que se tonaram um grande diferencial para o meu negócio.

2. Como é formatado o modelo de negócios da sua marca? 

O Atelier começou em 2015, e todo o crescimento foi muito orgânico e muito rapidamente. No início produzia apenas vestidos sob medida exclusivos para amigas e conhecidas. Nesse momento foi onde decidi a linha que queria seguir para minhas criações. Hoje, o Eduarda Galvani Atelier é uma marca e a ideia é que novos ramos sejam criados e façam parte do mix de produtos. Os atendimentos para peças sob medida são feitos com hora marcada no Atelier em Porto Alegre. Desde fevereiro, o atelier está atendendo em um charmoso escritório em São Paulo, visando suprir a demanda dos clientes de outras regiões. Ainda sobre expansão, a criação de novas coleções e a apresentação dela em sites e marketplaces nacionais e internacionais estão em andamento.

  

3. Por que você decidiu seguir no ramo de alta costura? 

Como comentado anteriormente, cresci rodeada de informações de alta costura e me apaixonei por este universo. Além desse universo em que fui inserida com naturalidade, sempre fui muito romântica e levei esse romantismo para as minhas criações, trazendo trajes únicos e que transformam sonhos em realidade. 

 

4. Sua empresa tem um projeto que segue o conceito de moda sustentável. Como você começou com esta iniciativa? 

Era uma vontade de muito tempo e ao mesmo tempo, uma preocupação também – considerando o impacto que o mercado da moda causa no meio ambiente. O primeiro contato sobre o assunto foi na faculdade onde pude me aprofundar em questões de consumo consciente e meio ambiente. Existe uma dificuldade muito grande, hoje, em ser 100% sustentável, mas no pouco que se consegue ajudar já é uma iniciativa muito válida. A minha maior preocupação sempre foi o desperdício de material na produção. Como na alta costura cada vestido é único, o tecido é utilizado praticamente uma única vez, produzindo muitas sobras. E como a maior do nosso tempo de trabalho é todo voltado para o atendimento das nossas clientes, não conseguimos encontrar maneiras de produzir algo novo com as sobras.

 

Durante uma apresentação de negócios, conheci a Arco, empresa que hoje faz todo o trabalho de redução do impacto do nosso lixo no meio ambiente. Este tipo de projeto ainda é pouco difundido no estado e na região e é uma demanda que não daríamos conta de fazer sozinho.

 

O legal foi que a Arco trouxe toda a orientação da forma de como devemos descartar cada tipo de lixo, deu um destino a toda a nossa sobra de tecidos, encaminhando parte para o projeto Envolva-se do Sesc-RS. O lixo seco e orgânico passam por cooperativas de separação de lixo na região da grande Porto Alegre, tendo a reciclagem e compostagem sendo feita de maneira correta e gerando renda para as famílias da região. 

 

Esta é apenas a primeira iniciativa da marca em relação ao meio ambiente e ainda temos muitos outros pontos para nos aprimorarmos e, de certa forma, diminuirmos o impacto da nossa produção e consumo no planeta. Eu ainda tenho um projeto pessoal, que é de estar mais envolvida com as pessoas que fazem parte desse ciclo e ajudar outras instituições com o trabalho desenvolvido.

 

5. Como é para você ser nova e já ter uma trajetória profissional de sucesso?

Sou muito crítica comigo mesma e acredito que sucesso é muito relativo, sou muito feliz e realizada com o que eu faço, acho que quando a gente ama o que faz, vai atrás e persiste naquilo uma hora tem que dar certo, né…

 

6. Qual foi o momento mais difícil da sua carreira?

Acredito que ainda existirão muito momentos difíceis pela frente, mas o mais difícil é as vezes se ver meio que sozinha e ter que tomar decisões que hoje vão muito além de apenas criar coleções e vestidos dos sonhos. Hoje gerencio um negócio, tenho uma equipe e preciso entender de tudo, contabilidade, jurídico e economia, ainda mais se quero que o negócio prospere. E talvez isso seja o mais difícil, pois empreender no nosso país ainda é uma tarefa complicada e é preciso muita persistência.

 

7. Como você consegue equilibrar sua vida pessoal x vida corporativa/empreendedora.

Comecei a trabalhar muito cedo, aprendi a lutar pelos meus direitos e sonhos desde nova e isso é algo que acredito carregar pro resto da vida. Não sou nada acomodada e isto me deixa sobrecarregada, pois estou sempre procurando coisas novas, pensando em novos projetos. Hoje eu atendo em Porto Alegre de segunda a quinta, e de sexta e sábados, em SP, então minha vida é bem corrida, às vezes fica bem cansativo. Mas confesso que não penso muito no assunto, pois acredito que a hora seja agora. Até porque pretendo ter filhos, casar e poder um dia diminuir esse ritmo.

 

Em paralelo a correria da minha vida profissional comecei a meditar, e outras atividades que me ajudam a relaxar e que me desligam destes turbilhões de emoções e ideias que estão sempre na minha cabeça.

 

8. Qual o seu maior sonho?

Acho que sou uma eterna sonhadora. Estou sempre sonhando e acho que isso é muito bom.

No aspecto profissional quero poder ver a marca crescendo cada vez mais, propagá-la no mercado internacional. Além de fazer um desfile da marca em algum dos lugares que sonho já faz muito tempo: Place Vendôme ou Grand Palais.

 

9. Qual a sua maior conquista?

O Atelier, sem dúvida. Era o meu maior sonho e hoje, por mais que as vezes eu nem perceba, consegui transformar uma ideia e um dom em um negócio real, que hoje tem todo um mundo para invadir e crescer cada vez mais.

 

10. Livro, filme e mulher que admira 

Livro: “Obrigado pelo atraso” – foi o último que li e adorei.

Filme: Ainda estou apaixonada por “Nasce uma estrela”, já vi três vezes… 

Mulheres: Diversas mulheres me inspiram, de diferentes formas, porém todas tem algo que eu busco me espelhar para crescer e amadurecer cada vez mais.

Rosana Bona e Celina Bona (minha mãe e minha avó) são as primeiras, porém admiro também Paola Carosella, Lupita Nyong’o, Emma Watson, Gisele Bündchen e Yoko Ono.