Vice-presidente global de Marketing da Avon. Foi uma das primeiras brasileiras a assumir uma posição global dentro da Avon, como responsável pelo desenvolvimento de campanhas globais integradas e pela criação dos mais de 500 milhões de catálogos da companhia ao redor do mundo, liderando uma equipe formada por mais de 65 executivos espalhados entre Londres, São Paulo, Manila e Buenos Aires. Nascida no Rio de Janeiro, atualmente reside em São Paulo. Anteriormente, atuou como vice-presidente global de Fragrâncias e como vice-presidente de Marketing para a América Latina.

Danielle é formada em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e uniu-se à Avon em 2010, depois de uma carreira de 16 anos na P&G, onde começou como estagiária em São Paulo. Em seu último cargo, atuou como presidente de Health e Beauty Care para o Canadá. Além de São Paulo e Rio de Janeiro, a executiva morou em Bruxelas, Genebra, Londres e Toronto.

1.Como começou a sua carreira?

Comecei minha carreira no Unibanco. Fui estagiária la enquanto ainda estudava administração na FGV em São Paulo. Trabalhei no dept de marketing direto. Aquele que mandava cartinhas pros clientes oferecendo produtos tipo um investimento ou uma poupança. Naquela época trabalhar com serviços financeiros não tinha o glamour que tem hoje em dia em marketing. Quando me formei quem realmente queria carreira em marketing acabava indo trabalhar nas grandes empresas de bens de consumo. E foi assim que 2 anos depois acabei entrando na Procter & Gamble, aonde aprendi sobre gerenciamento de categorias e lançamento de produtos e as grandes leis de “brand management” em geral. Fiquei na empresa por 16 anos, tendo morado em 5 paises diferentes pela companhia antes de retornar ao Brasil e entrar na Avon.
2. Qual foi o momento mais difícil da sua carreira?
Tive alguns momentos dificeis. As pessoas olham de fora mulheres bem sucedidas e acham que tudo é um mar de rosas, mas sabemos bem que essa estrada é um caminho tortuoso.
Mas acho que um dos momentos mais complicados pra mim foi quando me separei. Eu estava morando em Genebra na Suiça e tinha acabado de ser promovida para um cargo de diretora de marketing da Europa Ocidental na maior categoria da companhia. Detergentes em pó. Eu liderava um negocio de U$1.5B de faturamento, com equipes em 6 paises. Era o “job” que eu queria desde que havia chegado na Europa 5 anos antes. Meu “destination” job, porque eu sabia que se entregasse resultados naquele que era a maior cadeira de diretoria na região, eu seria promovida depois disso com certeza. E me saparei nessa mesma época (no mesmo mês) da promoção. Isso foi muito dificil pra mim. Minha separação foi muito doida. Me abalou muito emocionalmente. Eu nao conseguia dormir. E isso afetou meu trabalho e minha produtividade e me deixou pior ainda. Tive que recorrer a medicos pra me ajudarem e aprendi que as vezes nós precisamos nos dar um tempo para nos reerguermos quando caimos num buraco. E que o tempo cura quase tudo na vida. Eu tenho um ditado que li nessa época e ele ficou comigo e até hoje de vez em quando eu lembro e recorro a ele. É de um poema do Fernando Pessoa que diz: “…No fim tudo dá certo. Se não deu, é porque ainda não chegou ao fim.”.
3. Como você consegue equilibrar sua vida pessoal x vida corporativa/empreendedora.
Faço escolhas concientes todo dia, toda semana. É impossivel fazer tudo e estar em dois lugares ao mesmo tempo. Eu algumas vezes na minha vida tomei decisões claras que estavam priorizando minha vida pessoal e outras vezes a minha carreira – e fiz paz com isso. Eu tento por exemplo nunca trabalhar fins de semana. Prefiro um dia se semana ficar ate mais tarde e responder emails depois que minha filha vai dormir, pra evitar o fim de semana que é “sagrado” pra mim e pra minha familia. Priorizei levar minha filha na escola todo dia, então eu chego no escritorio entre 8:30 – 8:45 dependendo do transito. Só chego pra reuniões que começam as 8 horas que são esporádicas e muito importantes. Uma vez recebi uma proposta de trabalho maravilhosa pra ir morar no Japão. Para minha carreira teria sido um meteoro e para minha vida pessoal com meu namorado na época, um explosão. Resolvi não ir.
E tive um momento da minha carreira onde eu viajava 3 dias por semana toda semana (dentro da Europa) e não desfiz minha mala durante 2 anos e meio – priorizei a carreira, cresci muito rápido e no final desse período estava absolutamente esgotada e precisava voltar a atenção pra minha vida pessoal.
E não me arrependo. Escolhas conscientes e balanço pra mim é a chave de tudo.
5. Qual o seu maior sonho?
Um dia quero trabalhar com educação e quem sabe ter uma escola. Eu nunca tive uma veia empreendedora pulsante em mim. Sempre gostei da carreira e da vida corporativa, mas esse é um negocio que faz meus olhos brilharem. Trabalhar educando crianças no Brasil.
6. Qual a sua maior conquista?
Acho que o prêmio women to watch do ano passado foi um grande reconhecimento de todo o Mercado e dos meus pares. Me senti muito honrada de fazer parte desse grupo de mulheres fenomenais que tem uma responsabilidade muito grande de mentorar e continuar a abrir caminhos para as proximas gerações de lideres femininas no Brasil.
7. Livro, filme e mulher que admira
Livro – The Athena Doctrine – do John Gerzema. Maravilhoso!!! Sobre a nova cara da liderança no seculo 21.
Filme –  Esse ano o Behemian raphsody me emocionou muito. Eu adorava o Freddy Mercury e não conhecia sua historia em detalhes. Fiquei muito emocionada com o filme e fiz minha filha – Sofia de 8 anos – virar super fã do Queen! Herança de uma geração pra outra.
Mulher – A Madeleine Albright – que foi secretary of state no governo do Bill Clinton. Ela tem uma frase maravilhosa que resume esse sentimento de sororidade que nós mulheres precisamos ter pra nos ajudar umas as outras.