Nossa Mulher Positiva de hoje é a Cristina Palmaka, Presidente da SAP Brasil. Cristina Palmaka é formada em ciências contábeis pela Fundação Armando Álvares Penteado com pós-graduação e MBA pela Fundação Getúlio Vargas e extensão pela Universidade do Texas. Tem mais de 30 anos de atuação profissional. Além do grupo de funcionários que lidera, Cristina se dedica também a corridas de longa distância – conta com mais de uma dezena de provas no currículo, incluindo a tradicional São Silvestre. No Brasil, ela é uma das poucas mulheres a ocupar o posto mais alto de uma grande empresa e pretende deixar um legado por onde passa.

  1. Como começou a sua carreira?

Eu sou formada em Ciências Contábeis pela Fundação Armando Álvares Penteado, com pós-graduação e MBA pela Fundação Getúlio Vargas e extensão pela Universidade do Texas. Minha carreira começou como trainee na Philips, onde permaneci por 15 anos e fui gerente de produto e marketing. Depois fui vice-presidente da unidade de sistemas pessoais na HP, tive rápida passagem pela SAP e fui diretora de negócios para a indústria de computadores na Microsoft. Então veio o convite para ser presidente da SAP Brasil.

Apesar de a minha carreira ter sido traçada na área de tecnologia, eu gosto de dizer que é o menos importante hoje em dia. No momento da transformação digital, o importante é ter profissionais que entendam o impacto da tecnologia na vida e nas companhias. Acredito que se uma empresa não tem um time engajado olhando para impacto da tecnologia, ela não muda. Todos querem entender como inteligência artificial, machine learning, blockchain e outras tecnologias vão afetar a nossa vida, mas ainda precisamos compreender o impacto para nós enquanto profissionais, e também qual será o benefício disso para nós enquanto mulheres.

  1. Como é formatado o modelo de negócios da SAP?

A SAP vem mudando sua forma de fazer negócios nos últimos anos, já prevendo a evolução do mercado e as mudanças na gestão das empresas. Por muito tempo, a SAP foi conhecida como uma empresa de soluções confiáveis e densas, mas pesadas e demoradas. Não somos mais isso. Continuamos oferecendo produtos confiáveis, mas agora em modelos mais simples, mais rápidos, mais transparentes. E o mercado está entendendo isso. Costumo e gosto de dizer que a palavra chave é serviço. Não somos mais uma empresa de software. Somos uma consultoria que oferece soluções baseadas em softwares para solucionar as questões em cada empresa.

Especialmente em um cenário desafiador como o atual, empresas de todos os tamanhos buscam eficiência e produtividade pela melhoria de seus processos e mesmo a essência dos seus negócios. Sabemos que a tecnologia é fundamental para impulsionar esta mudança e a SAP é o parceiro que entende os desafios e oferece um amplo portfólio de soluções para ajudá-las. Estabelecer uma verdadeira parceria de negócios, entendendo claramente as necessidades dos clientes para orientar na escolha da melhor plataforma para sua jornada digital é o que fazemos aqui na SAP.

 

  1. Qual foi o momento mais difícil da sua carreira?

Tive grandes oportunidades ao tomar novas posições, mas isso sempre vem com grandes desafios. São momentos em que não necessariamente temos todo o conhecimento – e que exigem coragem de encarar o diferente e desconhecido, mas que trazem grandes crescimentos e aprendizados. Tive muitos momentos como estes em que, na hora, vêm as dúvidas, mas que depois nos fortalecem e trazem novas perspectivas, visões e conhecimento, com o desenvolvimento de novas competências. Minha recomendação é sempre encarar estes momentos como alavancas de crescimento.

 

  1. Como você consegue equilibrar sua vida pessoal x vida corporativa/empreendedora.

Mesmo com uma agenda atribulada, eu não abro mão de me conectar comigo mesma por meio do esporte. Pelo menos quatro dias por semana, eu faço treinos de corrida – atividade que eu considero a minha terapia. Gosto de dizer que o meu segredo está na disciplina e foco.

Eu sou apaixonada por esporte e sempre estive praticando uma atividade física. Desde pequena, o futebol esteve presente nas brincadeiras com os meus irmãos e eu não ficava no gol porque eu gostava do ataque. Depois disso, eu pratiquei vôlei, que eu acredito que contribuiu muito para o senso de trabalho em equipe.

A corrida entrou na minha vida sem querer. Um dia eu estava na academia e fui convidada para participar de uma corrida de oito quilômetros, no centro histórico de São Paulo. No começo, eu resisti porque não queria acordar tão cedo no final de semana, mas acabei topando o desafio. Corri quatro quilômetros e depois caminhei até o final e adorei. Comecei a pensar que era algo que eu gostava.

Hoje, 18 depois da corrida no centro de São Paulo, já completei 13 maratonas.

Para mim, qualquer esporte traz um aprendizado que depois será usado em outros aspectos da vida. Entre a corrida e o mundo coorporativo, eu gosto de elencar seis características comuns aos dois universos: objetivos claros, preparação, constância, trabalho em equipe, resiliência e equilíbrio físico e mental.

Outro ponto de enorme relevância para mim é a tranquilidade que a corrida provoca. Para me preparar para uma maratona, eu corro uns 30 km – o que dá quase 3 horas. É muito tempo comigo mesma, dá para pensar bastante. É durante a corrida que eu consigo solucionar problemas mais complexos e colocar a minha cabeça em ordem.

Além da corrida, a minha filha e meu marido me ajudam muito. É gratificante chegar em casa e saber que vou encontrá-los e me desligar um pouco do mundo.

  1. Qual o seu maior sonho?

Meu maior sonho é poder impactar as pessoas profissionalmente e poder vê-las crescer, se desenvolver e utilizar todo seu potencial. No âmbito pessoal desejo ver minha filha crescer, se transformar em uma pessoa do bem, com valores sólidos e respeito, encontrando sua própria felicidade e realizações.

  1. Qual a sua maior conquista?

Tenho muito orgulho em ver minha vida em retrospectiva, as pessoas que impactei, a família que formei e o equilíbrio que consegui desenvolver – com muito aprendizado, balanceando uma carreira bacana, uma família que está sempre ao meu lado e minhas realizações no âmbito das corridas.

Fico feliz em poder olhar para trás e ter certeza que cada dia tento ser uma pessoa melhor, procurando saber como seguir contribuindo cada vez mais a cada passo que dou.

  1. Livro, filme e mulher que admira.

Livro: Biografias como a de Catarina A Grane de Robert K. Massie e Steve Jobs de Walter. Os livros que admiro muito são “O Pequeno Príncipe”, de Antoine de Saint-Exupéry e “Homo Deus”, de Yuval Noah Harari.

Filme: “A vida é bela”, de Roberto Benigni

Mulher: minha avó (Anna) pela forma, determinação, superação e coragem. Ela veio sem nada para o Brasil, após a 2ª Segunda Guerra Mundial. Uma mulher batalhadora, personalidade forte e guerreira.